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mercado financeiro

- Publicada em 12h20min, 04/02/2021.

Dúvidas com reformas pesam e Ibovespa cai, apesar de alta em Nova York

Às 12h21min desta quinta-feira (4), o índice caía 0,31%, aos 119.352,75 pontos.

Às 12h21min desta quinta-feira (4), o índice caía 0,31%, aos 119.352,75 pontos.


NELSON ALMEIDA/AFP/JC
Notícias corporativas no Brasil e sinais de avanço na negociação de novas vacinas contra a Covid-19 no País permitiram ao Ibovespa subir acima dos 120 mil pontos em boa parte da manhã. No entanto, perto do meio-dia, o índice passou a renovar mínimas, refletindo, segundo analistas, dúvidas a respeito do andamento da agenda de reformas, cuja pauta foi apresentada na quarta-feira pelo Congresso Nacional. A queda vai na contramão de Nova York, que sobem, puxadas por dados melhores da economia. Os pedidos de auxílio-desemprego no país caíram 33 mil na semana, a 779 mil, contrariando expectativa de alta a 830 mil.
Notícias corporativas no Brasil e sinais de avanço na negociação de novas vacinas contra a Covid-19 no País permitiram ao Ibovespa subir acima dos 120 mil pontos em boa parte da manhã. No entanto, perto do meio-dia, o índice passou a renovar mínimas, refletindo, segundo analistas, dúvidas a respeito do andamento da agenda de reformas, cuja pauta foi apresentada na quarta-feira pelo Congresso Nacional. A queda vai na contramão de Nova York, que sobem, puxadas por dados melhores da economia. Os pedidos de auxílio-desemprego no país caíram 33 mil na semana, a 779 mil, contrariando expectativa de alta a 830 mil.
Às 12h21min desta quinta-feira (4), o índice caía 0,31%, aos 119.352,75 pontos.
"Não estamos conseguindo seguir o bom humor externo por causa das nossas questões. Sugere que o índice pode ficar andando de lado até que alguma das pautas reformistas saiam do papel. Os projetos estão parados há um tempo na mesa e agora podem andar, mas quando vão tramitar? Há temor de isso ser só espuma', avalia André Machado, sócio fundador do Projeto Os 10%, escola de traders.
Além disso, o noticiário envolvendo principalmente a Vale tem de ser avaliado com cuidado, cita o gestor. "O acordo com Brumadinho tende a tirar uma incerteza do radar, apesar do provisionamento menor que o acordo. Também temos de lembrar que os dados da China estão crescendo em ritmo menor, é algo a se acompanhar", diz.
Nesta quinta, a mineradora fechou acordo de R$ 37 bilhões com o governo de Minas Gerais para reparação dos danos socioeconômicos e socioambientais causados pelo rompimento da barragem em Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. As ações da companhia subiam quase 2% mais cedo e as negociações até foram suspensas após fato relevante sobre acordo de Brumadinho. Perto de meio-dia, caíam 0,59%.
Na quarta, a Vale informou produção de 300 milhões de toneladas de minério de ferro no ano passado. Além disso, o minério de ferro negociado no porto chinês de Qindgao subiu 3,52% e saltou 5,3% no mercado futuro do país. No entanto, os entrevistados ressaltam que há preocupação em relação ao ritmo de retomada da China, cujos dados têm crescido menos do que o esperado, o que pode atingir o Brasil que tem na Vale um dos principais parceiros do gigante asiático.
Outro ponto, destaca Eduardo Cubas, da Manchester Investimentos, é que tanto a produção da Vale quanto o lucro recorde do Bradesco no quarto trimestre foram influenciados por fatores que não sugerem retomada da economia. "No caso do banco, ajudaram na geração de caixa cortes de custos, como demissões e fechamentos de agências, além da digitalização, que é o caminho a ser seguido. Já no caso da Vale, o minério de ferro subiu e ainda continua subindo. Portanto, não significa que o desempenho das empresas signifique que a economia está bem, que está acelerando forte", afirma.
Contudo, internamente, as promessas de avanço da agenda liberal continuam. Nesta quinta, o presidente da comissão mista da reforma tributária no Congresso, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), afirmou que pretende concluir a proposta no colegiado até o fim de março. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que a Casa tratará com rapidez a reforma administrativa e que a PEC Emergencial vai dar cobertura para espaço no orçamento. Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente, do Senado, por sua vez, afirmou que o conteúdo da reforma precisa amadurecer nas duas casas.
No fundo, diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, não há novidades, fatos concretos. "Sem isso, o mercado não anda", afirma, completando que "lá fora as bolsas também estão devagar."
Apesar dos indícios promissores após a eleição do comando do Congresso, Roberto Attuch Jr., CEO da Ohmresearch, afirma que o investidor interno e do exterior tende a adotar certa cautela até que realmente veja evolução da pauta reformista. "Ainda é muito cedo para avaliar se andará. De forma geral, acredito que o mercado vai esperar, dar um prazo de seis meses para ver se as medidas acontecem", diz.
Agência Estado
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