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Relações Internacionais

- Publicada em 17h10min, 30/10/2020. Atualizada em 17h26min, 30/10/2020.

Embaixador da Argentina ouve demandas de empresários gaúchos

Daniel Scioli diz que será um agente de integração entre setores econômicos dos dois países

Daniel Scioli diz que será um agente de integração entre setores econômicos dos dois países


LUIZA PRADO/JC
Marcelo Beledeli
O novo embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, esteve em Porto Alegre nesta sexta-feira (30), onde manteve uma agenda de encontros com líderes empresariais gaúchos. Scioli, que assumiu a embaixada em agosto, foi escolhido para o cargo pelo presidente Alberto Fernández com a missão de normalizar as relações diplomáticas entre os dois países, que vinham abaladas desde 2019, devido a críticas trocadas entre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e colega argentino, geradas por diferenças ideológicas.
O novo embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, esteve em Porto Alegre nesta sexta-feira (30), onde manteve uma agenda de encontros com líderes empresariais gaúchos. Scioli, que assumiu a embaixada em agosto, foi escolhido para o cargo pelo presidente Alberto Fernández com a missão de normalizar as relações diplomáticas entre os dois países, que vinham abaladas desde 2019, devido a críticas trocadas entre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e colega argentino, geradas por diferenças ideológicas.
Na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Scioli encontrou-se com dirigentes de empresas que realizam comércio com o país vizinho, especialmente do setor automotivo, calçadista, moveleiro e agroalimentar. Na ocasião, ouviu demandas relativas a dificuldades que as companhias brasileiras têm para realizar negócios no país vizinho, como barreiras para emissão de licenças de importação e a burocracia para liberação de produtos nas aduanas, entre outras questões.
Scioli abordou as posições oficiais sobre a economia de seu país, política e comércio da relação bilateral. O embaixador também ouviu propostas dos diferentes setores industriais presentes. “Venho com minha experiência política e executiva ser um agente de integração, já estive com o presidente Jair Bolsonaro e o encontro com o setor produtivo no Rio Grande do Sul tem como objetivo de trabalhar juntos pela indústria dos dois países”, disse o embaixador, que já foi vice-presidente da Argentina e governador da Província de Buenos Aires.
“Temos tudo para construir e desenvolver uma boa relação e estamos aqui para colaborar”, ressaltou Petry, que esteve acompanhado do coordenador do Conselho de Comércio Exterior (Concex) da Fiergs, Aderbal Lima.
A relação comercial do Brasil com a Argentina tem sofrido forte impacto nos últimos anos. A corrente de comércio entre os dois países caiu mais de 35% no ano passado, comparado com 2018. Em 2020, de janeiro a setembro, a redução já supera os 25% na relação com o mesmo período de 2019. Com o Rio Grande do Sul, as quedas foram de 17% e 26%, respectivamente, na comparação com os mesmos períodos. O país é o terceiro maior destino das exportações gaúchas e o maior fornecedor do Estado.

'É preciso que ajuda seja mútua', diz Scioli

Jornal do Comércio - As relações diplomáticas entre Brasil e Argentina sofreram alguns abalos, devido às trocas de críticas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández. Como está buscando a normalização de relações?
Daniel Scioli - Minha primeira missão é recompor o diálogo institucional com os presidentes Bolsonaro e Fernández e os ministros dos dois países. Precisamos trabalhar como o Brasil para aprofundar a integração comercial, energética e de infraestrutura, por exemplo. Temos estabelecido um respeito à vontade popular e às ideologias dos governos de cada país. Mas é preciso lembrar que temos uma história comum muito forte. Nossa vocação é fortalecer a integração. Já me reuni com vários ministros para tratar de temas comuns, como Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Tereza Cristina (Agricultura). Precisamos estabelecer uma agenda inovadora e objetiva.
JC - O comércio bilateral sofreu muito com a pandemia de Covid-19. Recentemente a Argentina perdeu lugar entre os três maiores destinos das exportações brasileiros, ficando em quarto lugar, algo que não acontecia desde 2002. Como resgatar este comércio?
Scioli - Precisamos trabalhar junto com as organizações empresariais, com uma agenda de complementação e integração produtiva maior, explicando a situação econômica e a agenda argentina, que vai gerar benefícios e incentivos a quem investir lá, além de facilitar as barreiras burocráticas. Mas é preciso que a ajuda seja mútua. Há muitas barreiras também do lado brasileiro. Nos últimos 15 anos, a Argentina acumula um déficit comercial com o Brasil que soma US$ 52 bilhões. Não queremos comprar menos do Brasil, mas precisamos que nos permitam vender mais aos brasileiros. Uma solução seria destravar alguns produtos, como camarão, mel e uva, por exemplo. No último mês, já aumentou em 15% o intercâmbio com o Brasil, e em outubro deve aumentar ainda mais. A recuperação vem cada dia mais forte, e isso é bom para nossas economias.
JC - O que os empresários gaúchos podem esperar do governo argentino para melhorar seu comércio com o país vizinho?
Scioli - O Rio Grande do Sul é um lugar estratégico para a Argentina, por sua indústria automotora, de caminhões, pelo setor agroalimentar, entre outros. Existe um grande interesse das empresas gaúchas de aprofundar seus vínculos, muitas delas já têm investimentos na Argentina, e entendem as oportunidades para conseguir mais integração e produção no nosso país. Geramos um mecanismo de consulta permanente através do nosso consulado aqui. Deixei claro aos empresários que terão um canal direto com o governo argentino. Na próxima semana, terei reuniões com todos os ministros da Argentina com que tem relações com empresários brasileiros para buscar resposta às suas demandas.
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