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Combustíveis

- Publicada em 11h41min, 29/10/2020.

Ubrabio atribui alta no preço do biodiesel à valorização das matérias-primas no mercado mundial

De junho de 2019 a setembro de 2020, a soja sofreu valorização acumulada de 87%

De junho de 2019 a setembro de 2020, a soja sofreu valorização acumulada de 87%


LUIZ CHAVES/PALÁCIO PIRATINI/divulgação/JC
O valor do biodiesel praticado no último leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) realizado em 23 de outubro despertou dúvidas dos postos revendedores de combustíveis. A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) emitiu nota nesta quinta-feira (29) afirmando que "as informações foram distorcidas para imputar sobre os produtores de biodiesel a responsabilidade pelos aumentos de preços".
O valor do biodiesel praticado no último leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) realizado em 23 de outubro despertou dúvidas dos postos revendedores de combustíveis. A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) emitiu nota nesta quinta-feira (29) afirmando que "as informações foram distorcidas para imputar sobre os produtores de biodiesel a responsabilidade pelos aumentos de preços".
As principais matérias-primas para produção de biodiesel são o óleo de soja e o sebo bovino. No período de junho de 2019 a setembro de 2020, a soja, de onde se extrai o óleo, sofreu valorização acumulada de 87%, no mercado brasileiro. Em contrapartida, o biodiesel sofreu uma valorização menor: 66% no acumulado do período.
Conforme a Ubrabio, "essas altas são justificadas por diversos fatores externos, que fogem ao controle da indústria nacional de biocombustível". Dentre eles: a alta demanda chinesa pela soja brasileira, valorização da oleaginosa no mercado externo e aumento do câmbio.
Além disso, o sebo bovino também acumula valorização, uma vez que é uma matéria-prima importante para a indústria de produtos de limpeza, cuja demanda aumentou significativamente desde o início da pandemia. Vale destacar também que o biodiesel representa apenas 15% do preço final do diesel B que o consumidor encontra nos postos.
A composição do preço final, em média, se dá na seguinte proporção: 45% diesel A (diesel de petróleo) + 15% biodiesel + 10% tributos federais + 15% tributos estaduais + 5% margem da distribuição + 11% margem da revenda.
Por fim, a Ubrabio salienta que o verdadeiro “assalto ao bolso do consumidor de diesel” se dá nos momentos em que o biodiesel está mais barato que o diesel e nenhum sindicato de postos se mobiliza para aumentar a adição do combustível renovável, ou quando a Petrobras reajusta o preço do diesel para baixo e esse valor não é integralmente repassado ao consumidor final pelas distribuidoras e postos.
Na safra 2019/20, o Brasil produziu cerca de 126 milhões de toneladas de soja e deve exportar aproximadamente 82 milhões de toneladas da oleaginosa este ano. A formação do preço se dá nesta grande parcela demandada pelo mercado internacional.
No processamento da soja, a maior parte (80%) se transforma em farelo, utilizado pela indústria de ração para alimentar as cadeias de proteína animal (carnes e lácteos) – enquanto o restante é o óleo. A produção de biodiesel vai demandar até o final do ano cerca de 4 milhões de toneladas de óleo de soja, utilizando 20 milhões de toneladas de soja, das quais 16 milhões de toneladas serão convertidas em farelo para a indústria de carnes e estimulando a agregação de valor na indústria brasileira. A produção desse biocombustível, na verdade, ajuda a baratear o custo dos alimentos no Brasil além de contribuir para melhorar a qualidade do ar e reduzir os efeitos perversos da pandemia.
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