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- Publicada em 21h21min, 13/10/2020.

Empresas abrem seleção de trabalhadores temporários para o Natal

Mesmo em meio a pandemia, lojistas vão investir no atendimento

Mesmo em meio a pandemia, lojistas vão investir no atendimento


/FREDY VIEIRA/JC
Adriana Lampert
Um Natal diferente em termos de protocolos, mas igual em desempenho. Esta é a expectativa dos empresários do varejo, principalmente os da Capital. "Mais do que nunca, esperamos que seja uma data especial, diferente, que representará uma forma de fecharmos o ano com menor prejuízo possível", afirma o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse.
Um Natal diferente em termos de protocolos, mas igual em desempenho. Esta é a expectativa dos empresários do varejo, principalmente os da Capital. "Mais do que nunca, esperamos que seja uma data especial, diferente, que representará uma forma de fecharmos o ano com menor prejuízo possível", afirma o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse.
Para dar conta do atendimento aos consumidores no período que antecede o Natal, além de focar no cumprimento de protocolos de segurança, o setor deverá investir na ampliação das equipes. Ainda de acordo com Kruse, em Porto Alegre 38% das lojas devem gerar empregos temporários para o final de ano e os dois primeiros meses de 2021. "É preciso cobrir as folgas dos demais colaboradores", justifica Kruse.
O dirigente afirma que as contratações já começaram e que há possibilidade de algumas empresas aumentarem as vagas deste período. "Muita gente que demitiu vai precisar reforçar as vendas, pois os horários serão estendidos e, desde domingo, as lojas passaram a funcionar também durante todo o final de semana." O presidente da CDL-POA, Íriio Piva, confirma a estimativa. "Em torno de 30% e 40% das empresas vão fazer contratação temporária para o final de ano." Piva destaca que "neste momento" é difícil fazer análise mais ampla de expectativas para o varejo. "Por conta da interrupção das atividades do comércio, alguns fabricantes diminuíram a produção e hoje está ocorrendo falta de produtos, porque com a flexibilização a demanda aqueceu, mas aí ocorreu um desarranjo na cadeia", explica.
O dirigente emenda que apesar da estimativa de que as vendas ocorram nos mesmos patamares de 2019, não será possível recuperar as perdas do setor após quatro meses de queda no consumo, por conta das atividades fechadas. "Mas existe uma demanda reprimida, por isso vamos apostar no período, inclusive mantendo o mesmo nível de contratações de temporários", emenda o dirigente.
No ano passado, as vendas de final de ano tiveram um aumento médio de 4,2% frente a 2018, em lojas de vestuário, calçados, brinquedos, eletroeletrônicos e bazares da Capital. São exatamente estes segmentos que agora precisam buscar o melhor desempenho possível. "Outros setores do comércio já estão aquecidos, como é o caso da construção civil, de pneus e de móveis", compara o presidente da presidente da CDL-POA. "O setor de vestuário e de calçados é o mais sofrido, com vendas girando em torno de 40% do volume alcançado no decorrer de 2019", compara.
Com estoques em baixa, fabricantes e lojistas buscam agora solucionar o problema com substituições. "Já está ocorrendo uma reorganização do sistema produtivo, mas ainda assim a tendência é faltar produto no mercado", comenta. Piva aproveita para destacar que as pessoas adiantem as compras, para garantir que irão encontrar o que procuram. O dirigente avalia que o aquecimento contou com a injeção de recursos do governo através de auxílio emergencial e liberação de FGTS. "Ajudou bastante e tem sido muito importante para a retomada gradativa das vendas no comércio." Para Piva, mesmo com a queda da economia brasileira, está ocorrendo uma "liquidez maior que no ano passado, com mais dinheiro circulando".

Contratação de pessoal deve reduzir 20% frente ao ano passado

Em ano de pandemia, com queda do PIB e aumento do desemprego, os lojistas do Interior estão menos otimistas no que se refere às vendas de Natal. De acordo com o presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Sergio Galbinski, o cenário não ajuda. Segundo ele, este ano a contratação de temporários deverá ter uma queda de 20% frente ao final do ano passado, por causa do número de lojas fechadas, que já ultrapassa a casa das 5 mil. "Mas como os shoppings ficarão abertos até mais tarde, muita gente vai ter que contratar funcionários para cobrir as folgas dos outros", pondera.

O dirigente aponta que nos municípios do interior do Estado, as vendas do varejo estão "mais próximas do normal" do que na Capital, mas a perspectiva para o Natal é de que o desempenho não alcance 80% do registrado em 2019. "Apesar do auxílio emergencial e do FGTS liberados, as pessoas estão com menor poder aquisitivo e houve uma mudança de hábito dos consumidores. Acreditamos que as vendas ficarão abaixo dos patamares do ano passado", admite. "Está faltando mercadoria nos setores de eletrodomésticos, vestuários, aço e tecidos, e isso vai influenciar no Natal deste ano." Galbinski pondera que, apesar de tudo os lojistas estão otimistas pelo fato de estarem com os negócios abertos, em funcionamento. "Estamos dispostos, manteremos formas de pagamento que facilitem a vida do consumidor, e buscaremos outros produtos para substituir os que faltarem."

"Mesmo que seja um pouco cedo (para estimar), é provável que o volume de vendas deste ano não supere o de 2019", concorda o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch. "Temos alguns fatores, como a redução da perda de consumo de boa parte da população, conforme demonstram os indicadores de emprego e de inadimplência", reforça, fazendo coro à análise do presidente da AGV. "Os aposentados também receberam o 13º salário ainda no início do processo de restrições da pandemia, no primeiro semestre do ano e isso é um fator que pesa", pondera.

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