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conjuntura

- Publicada em 03h00min, 17/07/2020.

Para Roberto Campos Neto, economia brasileira dá sinais de recuperação

Em live, Campos Neto destacou que os especialistas começam a revisar projeções para cima

Em live, Campos Neto destacou que os especialistas começam a revisar projeções para cima


JOSÉ DIAS/PR/JC
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na quinta-feira que a economia começa a demonstrar uma "recuperação em V", mas que há dúvidas sobre o quão suave será a recuperação. "Não acreditamos que a recuperação será um V completo", acrescentou.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na quinta-feira que a economia começa a demonstrar uma "recuperação em V", mas que há dúvidas sobre o quão suave será a recuperação. "Não acreditamos que a recuperação será um V completo", acrescentou.
Em live organizada pelo Itaú, Campos Neto destacou que os especialistas começam, de forma incipiente, a revisar projeções para cima. Em relação às projeções do BC, ele informou que, para a inflação, há muito menos assimetria do que para o crescimento. "Hoje é mais provável crescimento acima da nossa projeção. Ainda existe grau de conforto grande na inflação. Nosso cenário hoje é que inflação reaja bem menos", completou.
Campos Neto voltou a enfatizar que a meta do BC é em relação à inflação e que "persegue a meta". Ele ressaltou que há um represamento do consumo até dezembro e que o pagamento do auxílio emergencial contribuirá para a manutenção das compras. "O segundo trimestre é o mais difícil de estimar e dará o tom do ano. As próximas duas, três semanas serão muito importantes", completou.
O presidente do Banco Central disse ainda que a autoridade monetária entende que o mercado já se normalizou, após as incertezas trazidas pela pandemia do coronavírus. "Temos capacidade de atuar no mercado secundário, se for preciso", declarou. Segundo ele, a concessão de crédito está crescendo, enquanto os juros na ponta estão caindo. "A parte de crédito está funcionando normalmente. Existe um sentimento de que não está sendo atendido porque a demanda é grande", completou.
O presidente do Banco Central afirmou que o governo editará novas medidas para fazer com que o crédito chegue às micro e pequenas empresas, o que ainda não está acontecendo. Afirmou que uma medida provisória poderia sair ainda na quinta-feira. "É uma medida que tem componente de baratear o custo de capital dos bancos. São quatro medidas, todas direcionadas a pequenas e médias empresas", comentou.
Campos Neto ressaltou que, em face da pandemia, os países com crescimento de crédito acelerado têm recuperação mais rápida. "Nossa grande preocupação é manter o crédito crescendo", salientou.
Na live, ele ponderou que o Brasil optou por fazer transferências maiores a pessoas físicas e compensar com concessão de crédito para empresas, mas que isso não foi totalmente efetivo e o crédito não chegou às micro e pequenas empresas como a autoridade monetária queria.
Ele informou ainda que há grande concentração de programas de crédito saindo agora. Ele ressaltou que a função do Banco Central não é prover solvência, mas não deixar problemas de liquidez se transformar em problemas de solvência.
Campos Neto lembrou que programas do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) também tiveram baixo desembolso. "Isso mostra a dificuldade. Mas o consenso entre Bancos Centrais é que é melhor errar por fazer demais do que de menos", completou.
O presidente do Banco Central afirmou ainda que "nenhum banqueiro central do mundo vai dizer que um imposto sobre transação financeira é querido, mas temos que entender por que ele está sendo criado".
O comentário diz respeito ao imposto sobre transações eletrônicas que vem sendo defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. A alíquota seria de 0,2% e, segundo Guedes, o tributo permitiria desonerar a folha salarial das empresas.
"A ideia do ministro de ter um instrumento para fazer desoneração de folha grande é relevante", avaliou Campos Neto. "A alíquota de imposto de transações financeiras teria que ser pequena, porque estamos com juros baixos. Mas este assunto é do Ministério da Economia", acrescentou.
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