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Agronegócio

30/06/2020 - 10h02min. Alterada em 30/06 às 14h35min

Frigoríficos gaúchos têm exportações suspensas para a China

JBS e Minuano tiveram atividades interrompidas ou suspensas, em diferentes momentos, desde março devido ao avanço do coronavírus

JBS e Minuano tiveram atividades interrompidas ou suspensas, em diferentes momentos, desde março devido ao avanço do coronavírus


JBS/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
A General Administration of Customs People’s Republic of China (GACC) suspendeu temporariamente, de acordo com o Ministério da Agricultura do Brasil, a importação de carne de três frigoríficos brasileiros, dois deles no Rio Grande do Sul. O GACC, órgão do governo chinês responsável pela habilitação de estabelecimentos exportadores, solicitou recentemente ao governo brasileiro informações sobre alguns estabelecimentos habilitados a vender para a China e que tiveram notícias divulgadas na imprensa internacional sobre casos da Covid-19 entre seus trabalhadores, de acordo com o Mapa, e agora determinou a suspensão dos embarques.
A General Administration of Customs People’s Republic of China (GACC) suspendeu temporariamente, de acordo com o Ministério da Agricultura do Brasil, a importação de carne de três frigoríficos brasileiros, dois deles no Rio Grande do Sul. O GACC, órgão do governo chinês responsável pela habilitação de estabelecimentos exportadores, solicitou recentemente ao governo brasileiro informações sobre alguns estabelecimentos habilitados a vender para a China e que tiveram notícias divulgadas na imprensa internacional sobre casos da Covid-19 entre seus trabalhadores, de acordo com o Mapa, e agora determinou a suspensão dos embarques.
Ainda de segundo comunicado do ministério, não foram apresentados formalmente os motivos das suspensões que atingiram os embarques das unidades de aves da JBS, em Passo Fundo, e do Minuano, em Lajeado, além de unidades de bovinos da Marfrig, em Várzea Grande (Mato Grosso). Procuradas para comentar a suspensão dos importações de carnes pela China a partir de suas plantas no Estado, JBS e Minuano informaram que não se pronunciariam sobre o assunto. O ministério divulgou, em nota, que suspendeu voluntariamente a exportação de um quarto estabelecimento que teve suas atividades paralisadas por decisão judicial relacionada aos procedimentos de prevenção e controle da Covid-19 entre seus trabalhadores, o Agra, em Rondonópolis, no Mato Grosso.
O ministério diz que está buscando junto à GACC as razões da suspensão dos três estabelecimentos e que já iniciou negociações para que os entraves possam ser retirados e retomados os embarques o quanto antes. O Mapa pondera que o problema não é especificamente com o Brasil, já que autoridades sanitárias chineses têm mostrado preocupação diante do registro de novo surto de Covid-19 próximo a Pequim e vêm monitorando, em todo o mundo, as empresas que exportam para a China. Recentemente houve a detecção do vírus em salmão importado da Noruega, o que acendeu o alerta do gigante asiático para o assunto.

Ação pode ter mais razões comerciais do que sanitárias, avalia economista

Fernando Iglesias, analista especializado no setor de frigoríficos da consultoria Safras & Mercado, avalia que a medida chinesa aparentemente seria mais com interesse comercial do que sanitário. A intenção poderia ter como foco a redução dos preços, especialmente da carne bovina, e não propriamente evitar uma possível nova onda da doença no país oriunda de importação de alimentos contaminados.
“É preocupante, mas aparenta ser uma estratégia para renegociar contratos. A China está pagando acima dos preços médios de mercado principalmente na carne bovina. Acima inclusive do que outros importadores”, pondera Iglesias.
O economista comenta que os importadores chineses pagam até US$ 5 por quilo da carne bovina no Brasil enquanto outros compradores internacionais remuneram em cerca de US$ 3,9. Mas o especialista assegura, também, que os asiáticos não têm outras grandes alternativas de fornecedores e que ainda precisam de elevadas quantidades de proteína animal para sua segurança alimentar. O país já dizimou 45% de seu plantel de suínos em razão da peste suína africana nos dois últimos anos e aumentou a necessidade de carne brasileira.
“É um relação de codependência. O Brasil depende das importações chinesas e os chineses dependem da carne brasileira, por mais que tenham aumentado seus estoques nos últimos meses. E mesmo que tenha comprado mais da Argentina, por exemplo, os argentinos não têm nem próximo da nossa capacidade de produção”, analisa Iglesias.
Se a intenção era reduzir e renegociar preços, porém, a medida teve efeito, ao menos momentâneo. Iglesias diz que os preços do mercado futuro na B3 caiu 0,89% no início da manhã desta terça-feira (30) para julho e 0,9% para outubro.
“Mas o mercado reagiu sem maiores sobressaltos a essa decisão. E também vale lembrar que os abates de uma planta que teve seus embarques suspensos podem migrar para outra até que a questão seja resolvida”, avalia o consultor da Safras & Mercado.
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