Porto Alegre, sexta-feira, 22 de maio de 2020.
Dia do Apicultor.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 22 de maio de 2020.
Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

sistema financeiro

Notícia da edição impressa de 22/05/2020. Alterada em 22/05 às 03h00min

Empresas têm dificuldade para acessar empréstimos

Dos R$ 40 bilhões anunciados, apenas R$ 1,4 bilhão foi contratado

Dos R$ 40 bilhões anunciados, apenas R$ 1,4 bilhão foi contratado


/PRESSPHOTO - FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
As pequenas e médias empresas que precisam aderir à linha emergencial de financiamento para pagar seus funcionários ante a pandemia do coronavírus relatam que esbarram em burocracia, excesso de exigências e demora na resposta dos grandes bancos. Liberado no fim de março pelo governo, o programa de R$ 40 bilhões foi desenhado para empresas com faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões por ano. Desse total, 85% é garantido pelo Tesouro Nacional. A taxa máxima é de 3,75% ao ano.
As pequenas e médias empresas que precisam aderir à linha emergencial de financiamento para pagar seus funcionários ante a pandemia do coronavírus relatam que esbarram em burocracia, excesso de exigências e demora na resposta dos grandes bancos. Liberado no fim de março pelo governo, o programa de R$ 40 bilhões foi desenhado para empresas com faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões por ano. Desse total, 85% é garantido pelo Tesouro Nacional. A taxa máxima é de 3,75% ao ano.
A adesão, até agora, entretanto, foi baixa: apenas R$ 1,4 bilhão havia sido emprestado na modalidade até 11 de maio - menos de 4% do orçamento total disponível. Parte do motivo para o resultado aquém do esperado são as várias exigências da linha. Empresários relatam comprometimento com a não demissão, alta quantidade de documentos e garantias e a demora de bancos para aprovar a solicitação como entraves ao acesso.
Segundo o gerente técnico da FGV Projetos, Maurício Wanderley, apesar das medidas anunciadas pelo governo para evitar o estrangulamento dessas empresas, as taxas de juros apresentadas pelas instituições bancárias variam de 0,41% a 10,99% ao mês, principalmente ante a oferta de produtos não subsidiados. "Há, ainda, exigência de avalistas, cartas de garantia de SGC (Sociedades Garantidoras de Crédito), fiança, além de recebíveis e ativos das empresas. Nesse formato, o dinheiro não chega às empresas que mais precisam", afirma.
No setor de alimentação, a dificuldade no acesso ao crédito com subsídio público é citada como empecilho até para o momento de retomada. Estabelecimentos preveem uma receita muito abaixo do normal, o que dificultará o pagamento desses compromissos.
Cerca de 85% das empresas que fizeram pedidos de empréstimos gerais no período da pandemia tiveram propostas recusadas, de acordo com recente pesquisa da ANR (Associação Nacional de Restaurantes), que representa mais de 9 mil pontos no País. Com corte estimado de 1 milhão de pessoas, 21% dos empresários afirmam que não devem conseguir manter seus negócios após a crise.

Febraban diz que exigências interferem no fluxo

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) confirma que exigência de estabilidade de emprego tenha influenciado em adesões aquém do esperado para a linha e cita outros fatores, como a possibilidade de acordos individuais para redução ou suspensão de jornada e salário, e a existência de débitos previdenciários que, até então, proibiam a empresa de contratar recursos públicos.

"A Febraban destaca que, diante das incertezas quanto ao cenário futuro da economia, muitas empresas, consultadas na oferta ativa, demonstram dúvidas sobre qual o melhor caminho a seguir em relação aos débitos que possam vir a assumir", afirmou a federação em nota.

A Febraban disse, ainda, que os cinco maiores bancos participantes do programa - Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander - processam efetivamente a folha de pagamento de 260 mil empresas com faixa de faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões, e que esse volume deve aumentar caso seja aprovado pelo Congresso o projeto de lei que estende o limite de adesão para empresas com receita bruta de até
R$ 50 milhões.

"Para atender plenamente a esse universo, os bancos, com apoio do BNDES, montaram processos totalmente eletrônicos para facilitar o acesso destes limites, realizando uma análise prévia da elegibilidade dessas empresas", disse a federação. Segundo a Febraban, a análise prévia identificou, no primeiro mês de operação da linha, aproximadamente, 150 mil pessoas jurídicas elegíveis. Do total de 260 mil empresas com folhas de pagamento em bancos, cerca de 20% (52 mil empresas) apresentaram débitos de seguridade social, o que, até a promulgação da Emenda Constitucional nº 106, as excluíam do processo.

Outras 10% (26 mil) apresentam históricos de crédito em atraso não compatível para a liberação dos recursos. "Esse volume tende a aumentar com a promulgação da Emenda Constitucional nº 106, de 7 de maio de 2020, que suspendeu temporariamente a exigência de regularização de débitos previdenciários das empresas devedoras, e ampliará a quantidade de trabalhadores beneficiados.

Comentários