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Finanças pessoais

- Publicada em 03h00min, 25/05/2020.

Antecipações são viáveis para quitar dívidas caras

Pagar o cheque especial ou o cartão de crédito é recomendável

Pagar o cheque especial ou o cartão de crédito é recomendável


MARCELLO CASAL JR/MARCELLO CASAL JR/ABR/JC
Roberta Mello

Afinal, qual o momento certo para antecipar a restituição do Imposto de Renda (IR) ou o pagamento do 13º salário? Muita gente se pergunta isso quando enfrenta uma situação de dificuldade financeira. Neste ano, com a pandemia do novo coronavírus, essa alternativa ganhou mais popularidade.

Afinal, qual o momento certo para antecipar a restituição do Imposto de Renda (IR) ou o pagamento do 13º salário? Muita gente se pergunta isso quando enfrenta uma situação de dificuldade financeira. Neste ano, com a pandemia do novo coronavírus, essa alternativa ganhou mais popularidade.

A unanimidade entre educadores financeiros é que lançar mão dessa solução só vale a pena para pagar dívidas mais caras, ou seja, com taxas altas, como cartão de crédito ou cheque especial. Mesmo assim, outras saídas podem ser mais interessantes.

O que educadores financeiros dizem é que é preciso avaliar uma combinação de fatores antes de tomar a decisão. Primeiramente, é preciso entender como funciona essa antecipação. Em resumo, o cliente informa à instituição bancária (atualmente, pelos canais de atendimento on-line) quanto terá direito a receber no futuro, e o banco ou a financeira antecipa esse pagamento, cobrando uma taxa que normalmente gira em torno de 2% ao mês.

Esse valor é mais baixo do que em outras modalidades porque o risco é menor. Porém ele varia de uma instituição financeira para outra, por isso é importante sempre verificar que taxa de juros será aplicada na operação.

No caso da antecipação da restituição do Imposto de Renda, o empréstimo tem como garantia o valor devido pela Receita Federal ao contribuinte. Esse valor é informado pelo próprio sistema da Receita quando você termina de preencher a sua declaração e é pago de acordo com o calendário de lotes da restituição. Neste ano, mesmo com o adiamento do prazo para acerto de contas com o Leão até 30 de junho, os pagamentos seguem acontecendo de maio a setembro - sempre de acordo com a data de envio da declaração.

Para o educador financeiro Everton Lopes, antecipar a restituição do Imposto de Renda pode ser uma boa alternativa para saldar dívidas com o cartão de crédito ou com o cheque especial em que os juros pagos todo mês são bastante altos.

As taxas podem chegar a mais de 10% ao mês e ultrapassar os 300% ao ano (no caso do cartão de crédito). "No entanto, cabe salientar que optar pela antecipação não deixa de ser uma tomada de empréstimo como qualquer outro, com juros bem menores, é verdade, mas ainda assim consideráveis", diz Lopes.

O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, que antes defendia que a utilização dessa linha de crédito demonstrava falta de controle financeiro, admite que, agora, a realidade está muito diferente. Com o agravamento da pandemia do novo coronavírus no Brasil e seus impactos financeiros, "esse dinheiro se mostra uma ótima alternativa para quem está com a renda reduzida ou sem".

Contudo, antes de fazer a solicitação da antecipação aos bancos, os contribuintes devem ter a certeza de que tudo está correto na declaração entregue ao governo. Caso apresente problemas, o cidadão pode cair na malha fina da Receita Federal e ter de arcar com o empréstimo do próprio bolso.

No caso de optar por antecipar o 13º salário, é preciso pensar bem se esse dinheiro não vai fazer falta mais adiante. O raciocínio para o uso dessa modalidade de empréstimo, diz Everton Lopes, é similar à antecipação do Imposto de Renda, mas algumas diferenças devem ser observadas.

"É preciso ficar atento porque muitas empresas antecipam o pagamento da primeira parcela do 13º salário e fica um saldo que, em alguns casos, é muito pequeno. Tem de fazer as contas para saber se, nesse caso, vale a pena antecipar", pontua Lopes. Além disso, é importante observar que a segunda parcela é menor, pois são feitos os descontos normais, e, com isso, passa a ser um valor bem inferior para se solicitar a antecipação junto à instituição financeira.

Caso opte por antecipar, Reinaldo Domingos explica que a renda extra deve ser utilizada de forma inteligente. "O momento é de extrema dificuldade, e todo o dinheiro extra recebido deve ser tratado com muito respeito, criando uma reserva estratégica, pois o período de dificuldade será muito grande para a população", adverte o presidente da Abefin.

Lopes complementa que a recessão econômica que se desenha deve gerar a perda de empregos, a redução de salários e, com isso, ter reflexos diretos na vida financeira dos brasileiros. "Agora é um momento do que eu chamo de 'orçamento de guerra', onde só cabem suas necessidades essenciais, deixando de lado os supérfluos e as compras por impulso", pontua o educador financeiro.

Educador financeiro indica alternativas aos adiantamentos

Uma alternativa às antecipações seria fazer uma consolidação das dívidas. O nome pode parecer pomposo, mas o cálculo é simples. O economista e educador financeiro Everton Lopes explica que a consolidação das dívidas nada mais é do que verificar o seu saldo devedor total com taxas altas e avaliar se não é melhor contrair um empréstimo único, com taxas mais baixas, para saldar essas dívidas.

O importante é que o valor das parcelas tem que caber no orçamento. Combinado a isso, Lopes salienta que o cartão de crédito deve passar a ser usado com consciência e indica a eliminação ou a diminuição do limite do cheque especial. "Parte da sua renda já estará comprometida com o novo empréstimo. Se você usar o cheque especial novamente, pode agravar ainda mais a sua situação financeira", recomenda.

Antes de pensar em uma possível antecipação, seria importante também avaliar a possibilidade de vender algo que possui, caso a dívida seja muito alta, ou pedir emprestado a familiares e amigos. Nesse caso, é importante fazer o impossível para honrar débito, sob o risco de gerar problemas familiares.

"Caso não tenha mais alternativas, senão recorrer a uma instituição financeira, faça pesquisa das melhores taxas e saiba que é proibido pelo Código de Defesa do Consumidor a venda casada, ou seja, o banco oferecer um empréstimo desde que seja adquirido outro produto", salienta. Outro cuidado a se ter é manter a calma na hora de fechar o negócio.

Sanado o problema financeiro, Lopes indica "viver dentro de sua realidade financeira, gastar menos do que ganha e começar a formar uma reserva financeira para imprevistos, pois eles acontecem".

Negociação deve ser sempre buscada por credores e devedores

Garcia gerencia a plataforma Quite Já, que auxilia nos acordos
Garcia gerencia a plataforma Quite Já, que auxilia nos acordos
/Quita Já/Divulgação/JC

Buscar a negociação com os credores também pode ser um exercício interessante, segundo o CEO da Quite Já, Luiz Henrique Garcia. Neste momento, é grande a chance de conseguir diminuir o valor ou postergar o pagamento da dívida.

Por mais simples que pareça, esse não é um hábito do brasileiro. O resultado é que, muitas vezes, o débito se torna impagável, e os dois lados, credores e devedores, saem perdendo.

A plataforma Quite Já é uma das muitas que fazem o meio de campo entre os dois. Criada em 2016, a fintech é contratada por grandes redes, principalmente financeiras e varejistas, para negociar o pagamento oferecendo descontos.

Conforme dados da empresas, ela já auxiliou na recuperação de mais de R$ 220 milhões para os credores e de R$ 1,2 bilhão em descontos para os usuários.

Garcia comenta que o mais interessante no trabalho é ver que as pessoas estão realmente interessadas em pagar. "Ser e estar devedor é diferente", diz o empresário, pontuando que estar devendo não é motivo para vergonha e que a culpa deve ser compartilhada com o credor que não busca uma negociação justa.

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