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Mercado de Capitais

- Publicada em 20h23min, 10/05/2020. Atualizada em 16h10min, 11/05/2020.

Covid-19 gera perdas em ações de gaúchas na bolsa

Analistas recomendam papéis da Randon, grupo caxiense que tem bom caixa e gestão profissional

Analistas recomendam papéis da Randon, grupo caxiense que tem bom caixa e gestão profissional


JEFFERSON BERNARDES/AGÊNCIA PREVIEW.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Marcelo Beledeli
A crise gerada pelo coronavírus no mercado financeiro afetou fortemente as empresas gaúchas na Bolsa de Valores. Segundo informações da B3, das 12 principais companhias com origem no Rio Grande do Sul negociadas na Bolsa de São Paulo, 10 acumulam queda no valor de suas ações em 2020. Destas, pelo menos cinco contabilizam tombos em torno de 40% em seus papéis no acumulado do ano até o fechamento do pregão de sexta-feira (8). O levantamento inclui tradicionais companhias que mudaram suas sedes para outros Estados, como Grendene (atualmente, no Ceará) e Gerdau (em São Paulo).
A crise gerada pelo coronavírus no mercado financeiro afetou fortemente as empresas gaúchas na Bolsa de Valores. Segundo informações da B3, das 12 principais companhias com origem no Rio Grande do Sul negociadas na Bolsa de São Paulo, 10 acumulam queda no valor de suas ações em 2020. Destas, pelo menos cinco contabilizam tombos em torno de 40% em seus papéis no acumulado do ano até o fechamento do pregão de sexta-feira (8). O levantamento inclui tradicionais companhias que mudaram suas sedes para outros Estados, como Grendene (atualmente, no Ceará) e Gerdau (em São Paulo).
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As quedas mais expressivas foram registradas em indústrias, na calçadista Grendene (-44,29%) e na automotiva Empresas Randon (-43,58%). O setor também registrou fortes variações negativas em 2020 nos papéis da fabricante de ônibus Marcopolo (-40,42%), siderúrgica Gerdau (-34,88%), a fabricante de armas Taurus (-22,70%) e a moveleira Unicasa (-17,57%). Outras reduções drásticas foram sentidas nos papéis do Banrisul (-42,17%) e da varejista de moda Lojas Renner (-39,54%). Somente duas empresas, o grupo farmacêutico Dimed e a produtora de grãos SLC Agrícola, registraram altas no ano (25,72% e 5%, respectivamente).
Na maior parte dos casos, especialmente nas indústrias, as empresas foram afetadas pelas expectativas negativas dos investidores em relação à demanda pelos produtos durante e após a crise, bem como pelo fechamento de plantas industriais e redução do número de atividades devido às medidas de isolamento social. Além disso, para companhias exportadoras, como Randon, Marcopolo e Gerdau, os reflexos da pandemia em outros países também deve diminuir as exportações.
"A crise derrubou as expectativas otimistas que as indústrias tinham para o ano. A pesquisa Focus, do Banco Central, apontava para alta de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial do Brasil em 2020. Isso já não vai acontecer", explica Gustavo Bertotti, líder do setor de renda variável da Messem Investimentos.
Apenas em março, quando as medidas de isolamento só começaram a ter efeito na segunda quinzena, o índice de desempenho industrial gaúcho (IDI-RS) teve uma queda recorde de 10,2%, segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Em abril, o resultado pode ser ainda pior no Estado. "O segundo trimestre deve apresentar balanços muito ruins, e o mercado já está contabilizando isso", afirma Bertotti.
A Randon, por exemplo, teve uma receita bruta de R$ 521 milhões em março, recuo de 10% sobre março de 2019 e 14% em relação a fevereiro de 2020. A receita líquida alcançou R$ 371,8 milhões, com declínios de 6,9% e 11% nas mesmas bases de comparação. Com isso, a empresa cancelou as projeções financeiras para 2020, que haviam sido divulgadas em fevereiro.
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Dependência de presença física impacta ações da Lojas Renner

Recuperação vai depender do fim do isolamento social
Recuperação vai depender do fim do isolamento social
/LUIZA PRADO/JC

Com uma queda de 39,54% no acumulado de 2020, a ação LRNE3, da Lojas Renner, sofreu os efeitos da redução de consumo e do fechamento de lojas por todo o País. No entanto, para analistas, a empresa também foi penalizada, de certa forma, pela maior dependência que o grupo possui no ganho das lojas físicas em relação às vendas online. "A Magazine Luiza, por exemplo, que tem o ecommerce bem mais forte, conseguiu recuperar suas perdas e agora já apresenta ganho de 16,52% no ano", destaca Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos.

Para Igor Cavaca, da Warren, a situação das ações da empresa no curto prazo é complicada. "O mercado vai aguardar para ver de quanto será a redução no segundo trimestre, e mesmo se conseguirá recuperar parte das perdas nas festas de fim de ano", comenta.

Carlos Müller, da Geral Asset, também acredita que a revalorização da ação vai depender de uma demanda forte depois do fim do isolamento social. "A vantagem da Renner é que é uma empresa bem capitalizada, com caixa e liquidez. Depois que passar esse momento difícil, tem todas as condições para uma recuperação gradual."

Queda do Banrisul gera oportunidade para investidores

Banco estatal gaúcho ofereceu 26 milhões de papéis preferenciais
Banco estatal gaúcho ofereceu 26 milhões de papéis preferenciais
/ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC

Seguindo o caminho de outros papéis do sistema financeiro, o Banrisul acumula uma queda de 42,17% no ano em sua ação mais negociada, a BRSR6. Outros bancos, como Itaú, Bradesco e Santander, também sofreram quedas em torno de 40% nos papéis em 2020.

"A percepção do mercado é que os níveis de inadimplência das empresas devem subir com a crise, e isso deverá afetar os resultados dos bancos", explica Carlos Müller, da Geral Asset. "Todos tiveram que aumentar suas provisões para perdas, o que deve afetar a lucratividade."

No entanto, Müller que o movimento do mercado de "fuga" dos papéis de instituições financeiras está exagerado. "Os bancos apanharam demais. Está precificado um cenário catastrófico, talvez um tanto irracional", destaca.

Igor Cavaca, da Warren, acredita que a perda da ação do Banrisul é menos fundamentada do que de outras empresas. "Hoje são uma boa oportunidade de investimento. São ações que pagam bastante dividendos, estão subvalorizadas e devem subir."

Uma das bússolas do mercado para verificar se uma ação está barata é seu Valor Patrimonial por Ação (VPA) - ou seja, o valor contábil da empresa dividido pelo número de ações emitidas. No caso do Banrisul, segundo estudo da Messem Investimentos, o VPA seria de R$ 19,05, enquanto a ação está cotada a R$ 12,36 (um valor 35,19% mais barato).

Outra empresa gaúcha que também apresentaria oportunidades para o investidor nessa comparação é a Gerdau. A ação GGBR4, cotada a R$ 13,00 na sexta-feira, 23,21% mais barato do que seu VPA, calculado em R$ 16,93.

"Marcopolo, Gerdau, Randon, Renner, Grendene e Banrisul são hoje boas oportunidades de investimento. São empresas que sofreram, estão baratas, mas que têm boa gestão, possuem um bom caixa e devem apresentar retornos quando a atividade econômica se recuperar", alerta Gustavo Bertotti, da Messem.

Dólar alto e demanda reduzem perdas da SLC Agrícola

Pioneirismo em culturas como a soja é ponto facilitador na iniciativa
Grupo possui 16 fazendas em seis estado principalmente, soja, milho e algodão
LOURENÇO FURTADO/FATO E FOTO/DIVULGAÇÃO/JC
Apesar de também ter registrados quedas fortes, especialmente em março, no início da crise, os papéis das empresas ligadas ao agronegócio tiveram mais força para se recuperar do tombo inicial e atingir uma certa estabilidade no mercado. A priorização dos gastos com alimentos entre a população apesar e a alta do dólar (que valoriza as commodities agrícolas) ajudam o setor nesse momento.
Com 16 fazendas em seis estados, totalizando 449 mil hectares que produzem, principalmente, soja, milho e algodão, o grupo SLC Agrícola teve seu pior momento em 23 de março, quando a ação SLCE3 despencou quase 30% ante o valor do início do ano, alcançando R$ 18,12. Desde então, vem apresentando uma recuperação sólida, e já registra ganho de 5% em 2020, cotado a R$ 26,04 no pregão de sexta-feira. Outras empresas do setor ainda apresentam quedas no acumulado do ano, mas as reduções não são expressivas e ainda podem ser facilmente revertidas. A companhia de alimentos Camil tem uma queda de 4,52% nas ações desde 2 de janeiro. No mesmo período, o papel da fabricante de silos e armazéns Kepler Weber teve redução acumulada de apenas 3,22%.
"O setor de alimentos sofreu um pouco com a redução do consumo externo, mas é um tipo de gasto que a população menos abre mão. Por mais que tenha crise, as pessoas vão priorizar comida", afirma Igor Bastos Cavaca, analista da Warren. A prioridade desse tipo de consumo é tanta que, em abril, enquanto a inflação oficial medida pelo IPCA registrou queda de 0,31% (maior deflação mensal desde agosto de 1998), os preços dos alimentos subiram 1,79% no mês.
Além disso, a alta do dólar, que acumula elevação de 43% no ano, tem ajudado na valorização das commodities agrícolas. "Como são produtos voltados para exportação, a desvalorização do real favorece a venda para os mercados externos e também gera um ganho baseado no câmbio para os exportadores", lembra Gustavo Bertotti, da Messem.

Na contramão, papéis da Dimed têm forte alta

Fotos da fachada da Panvel Farmácias
Ao contrário de outros setores afetados pela pandemia, as farmácias seguem operando
/LUIZA PRADO/JC
Ao contrário da maioria das empresas gaúchas, o Grupo Dimed, proprietário da rede de farmácias Panvel, registrou forte valorização de suas ações, com a preferenciais (PNVL4) subindo 25,72% no ano e as ordinárias (PNVL3), 17,23%. De acordo com analistas, o movimento deve-se, em grande parte, à busca de investidores por papéis que apresentam segurança.
"Ao contrário de outros setores, as farmácias seguem operando", explica Carlos Müller, analista-chefe da Geral Asset. "Isso ajuda as empresas farmacêuticas a se beneficiarem de trocas de posições em carteiras. O investidor está olhando quais empresas estão se prejudicando mais e busca aquelas que são consideradas seguras em momento de crise", afirma.
Essa "corrida por segurança" acabou mudando até a liquidez das ações da Dimed. Antes da crise, o papel tinha uma procura bem menor, inclusive sequer sendo negociado em vários dias. Desde o final de fevereiro, no entanto, a PVNL3 é negociada diariamente e com valorização. "Agora, o investidor que está apostando no setor farmacêutico quer alternativas, não está aplicando apenas em Droga Raia ou Profarma", comenta Müller.
Para Gustavo Bertotti, da Messem, a Dimed tem condições de manter o patamar de preço por algum tempo. "É uma empresa com bons resultados de caixa e solidez - deve seguir em um nível valorizado a médio prazo", destaca.
 
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