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conjuntura

- Publicada em 03h00min, 08/05/2020.

Bolsonaro vai ao STF pedir retorno da economia

Dias Toffoli, Bolsonaro e Guedes no evento fora da agenda oficial

Dias Toffoli, Bolsonaro e Guedes no evento fora da agenda oficial


/MARCOS CORRÊA/PR/JC
O presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou nesta quinta-feira que não há mais espaço para postergar a reabertura da economia. Acompanhado de empresários e do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente teve um encontro fora da agenda com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. "A indústria, a atividade comercial está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Não há mais espaço para postergar", afirmou Bolsonaro.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou nesta quinta-feira que não há mais espaço para postergar a reabertura da economia. Acompanhado de empresários e do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente teve um encontro fora da agenda com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. "A indústria, a atividade comercial está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Não há mais espaço para postergar", afirmou Bolsonaro.
Horas antes, o presidente havia recebido os industriais no Palácio do Planalto e decidiram, então, ir ao STF. "Há dois meses eu venho falando que a economia não pode parar porque a economia também é vida", disse.
Bolsonaro destacou que o posicionamento da indústria é que "abertura gradual e responsável tem que começar o mais rápido possível". Se isso não acontecer, o presidente afirmou que "fica impossível (o País) voltar a ser o que era em janeiro do corrente ano".
Repetindo o que disse na reunião não programada com Toffoli, Bolsonaro afirmou ainda que o combate à crise do novo coronavírus é uma responsabilidade de todos, e citou: "Executivo, Legislativo, Judiciário, governadores, prefeitos, empresários."
"Os empresário trouxeram pessoalmente essas aflições, a questão do desemprego, a questão de a economia não mais funcionar. As consequências, o efeito colateral do combate ao vírus, não podem ser mais danosas que a própria doença. E os empresário querem que o STF também ouça o que está acontecendo", disse.
"Nós da indústria, além do enfrentamento da Covid-19, estamos enfrentando uma severa, profunda crise de demanda", afirmou Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil e coordenador da Coalizão Indústria, que falou em nome dos empresários na reunião.
O impacto na demanda foi causado pelas decisões sobre o fechamento "da ponta do comércio", segundo o empresário. Marco Polo destacou que, de março para abril, as vendas caíram 50% e a indústria, de maneira geral, opera com 60% de ociosidade. "A indústria está na UTI e precisa sair. Para sair, precisa que ocorram as flexibilizações de maneira que a roda volte a rodar", disse.
O executivo lembrou que o setor industrial representa 45% do PIB, 65% das exportações e 30 milhões de empregos diretos e indiretos. "Existe a necessidade de colocarmos a roda para rodar", disse ele, que completou: "eu só acrescentaria um detalhe, que é o sentido de urgência. Eu diria que a indústria está na UTI e ela precisa sair da UTI, por que se não as consequências serão gravíssimas".
Em meados do mês passado, o STF decidiu que estados e municípios podem tomar as medidas que acharem necessárias para combater o novo coronavírus, como isolamento social, fechamento do comércio e outras restrições. Na quarta-feira, o plenário da Corte também decidiu que os governos locais também não precisam do aval do governo federal para estabelecer medidas restritivas de locomoção intermunicipal e interestadual durante o período da pandemia do novo coronavírus.
As decisões dizem respeito a julgamento de ações que questionam um decreto e a Medida Provisória (MP) 926/2020, editados pelo presidente e em tramitação no Congresso, que garantem ao governo federal a competência sobre serviços essenciais, entre os quais a circulação interestadual e intermunicipal.
Bolsonaro disse ainda que vai incluir mais categorias no decreto que trata dos serviços essenciais, como a construção civil. "Para que cada vez mais rápido nós possamos voltar a atividade normal, caso contrário, depois da UTI é o cemitério e não queremos isso para o nosso Brasil", completou.
Toffoli, por sua vez, cobrou coordenação do governo federal com os outros poderes e os entes da federação e disse que é necessário fazer um planejamento para a volta do funcionamento das indústrias.
 

Para Paulo Guedes, colapso econômico já começou

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que "a economia está começando a colapsar" por causa da pandemia de Covid-19. "A indústria nos passou que está difícil e a economia está começando a colapsar. Ao ouvir relato de empresários, o presidente disse para compartilhar com Supremo", afirmou Guedes, que atravessou a pé a Praça dos Três Poderes junto com Bolsonaro e empresários para se reunirem com Dias Toffoli.

Guedes reforçou que "embora preservados os sinais de vida" da indústria e comércio, a economia "do ponto de vista de organização e engrenagem econômica" se encaminha para a UTI. Ele alertou para o risco de desorganização da produção brasileira nos próximos 30 dias. "O alerta que eles (representantes da indústria) deram é muito importante. Embora haja proteção e o povo ainda tenha o dinheiro na mão, daqui a 30 dias pode ser que comece a falta (abastecimento) nas prateleiras."

Segundo o ministro, em um cenário de produção desorganizada, o País pode "entrar em um sistema não só de colapso econômico, mas de desorganização social". Ele citou as medidas tomadas pelo governo, as quais, segundo Guedes, preservaram mais de 5,5 milhões de empregos.

Guedes também defendeu o veto ao trecho do projeto de ajuda financeira aos Estados que amplia a quantidade de categorias de servidores que poderão ter reajuste salarial.

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