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reportagem especial

Notícia da edição impressa de 11/05/2020. Alterada em 11/05 às 03h00min

O nascimento da petroquímica gaúcha

Jefferson Klein*

Com o início das operações na década de 1980, o polo de Triunfo completou um tripé, com os complexos de São Paulo e da Bahia, para dar sustentação à formação de uma cadeia petroquímica nacional. Daquela época para cá, os nomes das empresas que compõe o empreendimento já trocaram várias vezes, mas o que não mudou é sua relevância econômica e estratégica para o Rio Grande do Sul (no ano passado o polo foi responsável por uma arrecadação de cerca de R$ 1,1 bilhão de ICMS, conforme dados da Secretaria Estadual da Fazenda).

Com o início das operações na década de 1980, o polo de Triunfo completou um tripé, com os complexos de São Paulo e da Bahia, para dar sustentação à formação de uma cadeia petroquímica nacional. Daquela época para cá, os nomes das empresas que compõe o empreendimento já trocaram várias vezes, mas o que não mudou é sua relevância econômica e estratégica para o Rio Grande do Sul (no ano passado o polo foi responsável por uma arrecadação de cerca de R$ 1,1 bilhão de ICMS, conforme dados da Secretaria Estadual da Fazenda).

Outro destaque são os constantes avanços na área de tecnologia, com a operação do centro de inovação da companhia Braskem no local, e a atividade de uma planta de eteno e polietileno verdes (que aproveita como matéria-prima o etanol da cana-de açúcar) do mesmo grupo.

A origem do complexo em Triunfo remete à década de 1970. Em 1973, atendendo ao pedido do então governador Euclides Triches, a Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec) iniciou estudo preliminar sobre a viabilidade da implantação de um terceiro polo petroquímico brasileiro no Estado. O Conselho de Desenvolvimento Econômico (CDE), órgão da presidência da República, decidiu pela implantação do polo no Rio Grande do Sul em 1975 e, em setembro de 1977, começaram as obras de construção da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), com os serviços de terraplenagem.

Se a grandiosidade do polo gaúcho era e é uma unanimidade, o mesmo não pode ser dito quanto à sua data de aniversário. Há quem considere o dia 22 de novembro de 1982, com a partida das unidades operacionais da então Copesul. Outros apontam a inauguração oficial, em 4 de fevereiro de 1983. Também tem quem considere o dia 5 de dezembro de 1982, com a especificação do eteno e a condição de fornecimento da matéria-prima, como o nascimento do complexo industrial. Para se entender a lógica do polo, é preciso compreender a cadeia petroquímica, que é dividida em três elos.

A chamada primeira geração é a que produz os petroquímicos básicos - como o eteno - a partir de matérias-primas como a nafta (no caso, o principal insumo utilizado pelo polo de Triunfo). Essas empresas são consideradas centrais petroquímicas e seus produtos alimentam a segunda geração, plantas que fabricam resinas como o polietileno e o polipropileno. Posteriormente, essas resinas são encaminhadas à terceira geração (também conhecida como transformadores), que produzem os itens finais, como filmes plásticos, embalagens, copos, garrafas, entre outros diversos produtos.

Esses artigos plásticos, feitos pelos transformadores, são utilizados por diversas cadeias produtivas, entre elas, a da construção civil, a automobilística, a eletroeletrônica, a de alimentos, a de higienização e a farmacêutica.

No Rio Grande do Sul, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abliplast) de 2018, eram cerca de 1,3 mil empresas de terceira geração, que propiciavam em torno de 28 mil empregos diretos.

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