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Mercado financeiro

01/04/2020 - 11h52min. Alterada em 01/04 às 11h58min

Exterior negativo prevalece e puxa B3, apesar de dados na China e EUA

Ibovespa, junto às bolsas europeias e índices futuros de NY, abriu o pregão em baixa

Ibovespa, junto às bolsas europeias e índices futuros de NY, abriu o pregão em baixa


NELSON ALMEIDA/AFP/JC
O mês é novo, mas as preocupações quanto aos impactos sociais e econômicos do novo coronavírus só crescem. É neste ambiente de renovados temores que o Ibovespa iniciou abril, após já ter contabilizado o pior trimestre da história da Bolsa. Indicadores fracos na Europa, alerta dos Estados Unidos sobre o crescimento nas projeções no número de pessoas que poderão morrer em razão da pandemia (entre 100 mil e 200 mil), demora na liberação dos recursos no Brasil para ajudar a amainar os impactos da Covid-19 e a crise política que não cessa são alguns dos ingredientes que deverão ficar no radar nesta quarta-feira (1).
O mês é novo, mas as preocupações quanto aos impactos sociais e econômicos do novo coronavírus só crescem. É neste ambiente de renovados temores que o Ibovespa iniciou abril, após já ter contabilizado o pior trimestre da história da Bolsa. Indicadores fracos na Europa, alerta dos Estados Unidos sobre o crescimento nas projeções no número de pessoas que poderão morrer em razão da pandemia (entre 100 mil e 200 mil), demora na liberação dos recursos no Brasil para ajudar a amainar os impactos da Covid-19 e a crise política que não cessa são alguns dos ingredientes que deverão ficar no radar nesta quarta-feira (1).
O Ibovespa futuro abriu o pregão em baixa, acompanhando as bolsas europeias e os índices futuros em Nova Iorque, que reduziram há pouco a velocidade de queda após a divulgação dos dados de emprego do setor privado norte-americano de março. Às 11h50min, o Ibovespa caía 3,04%, aos 70.801 pontos.
"O mercado doméstico continua bastante influenciado pelo exterior, e hoje não deverá ser diferente", estima Cristiane Fensterseifer, analista de ações da Spiti, casa de análise independente.
Apesar de todo esse cenário desfavorável, a analista cita que a alta do índice de gerentes de compras (PMI) industrial da China, que subiu a 50,1 em março, ante 40,3 em fevereiro, é uma boa notícia. "A atividade está começando a se recuperar por lá. Porém, o quadro é incerto, pois não sabemos se haverá uma nova onda do vírus por lá - um dos maiores importadores de commodities do Brasil. Além disso, os casos de contaminação seguem em expansão nos EUA e aqui", avalia. Mesmo com o dado chinês positivo, o minério fechou em queda de 1% no porto de Qingdao, na China, nesta quarta.
Nem mesmo o tom moderado do presidente Jair Bolsonaro em relação ao coronavírus, ontem, em cadeia nacional, pode ajudar. "Teria evitado muita agitação se tivesse falado dessa maneira terça-feira passada. É certo que não foi discurso de prefeito de Milão arrependido. Mas Bolsonaro parou de esticar a corda, o que já é bastante", completando que, apesar disso, questiona se esse modo de falar será adotado daqui para frente.
Os ruídos políticos, sejam eles envolvendo o presidente e o Congresso, e agora o presidente da Câmara e o ministro da Economia, Paulo Guedes, nunca são bons. "O mercado não só precifica, como antecipa. Qualquer ruído na comunicação não ajuda", diz.
Nesta manhã, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que é preciso saber como o governo vai diferir o pagamento de impostos e contribuições, na discussão de como garantir os empregos no País diante da pandemia do novo coronavírus. Conforme ele, primeiro é preciso dar um conforto mínimo à sociedade.
Uma outra fonte de pressão de baixa na B3 é o petróleo, que contamina os papéis da Petrobras. Além disso, a estatal anunciou novo corte de produção, além do já anunciado em 26 de março, de 100 mil barris diários. A companhia anuncia que a partir desta quarta-feira o corte será de 200 mil barris diários, incluindo o anterior.