Porto Alegre, quarta-feira, 11 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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mercado de capitais

Notícia da edição impressa de 11/03/2020. Alterada em 11/03 às 03h00min

Bolsa valoriza 7,14%, a maior alta desde 2008

Bolsa 10 de março de 2020

Bolsa 10 de março de 2020


/B3/DIVULGAÇÃO/JC

A terça-feira foi de correção técnica para o Ibovespa após o mergulho do dia anterior, quando o índice de referência da B3 havia registrado sua maior perda (-12,17%) desde 10 de setembro de 1998. Nesta terça-feira, fechou em alta de 7,14%, o maior avanço desde 8 de dezembro de 2008 ( 8,31%), quando o então presidente eleito dos EUA Barack Obama anunciava pacote de investimentos em infraestrutura, em reação à crise americana, tornada global.

A terça-feira foi de correção técnica para o Ibovespa após o mergulho do dia anterior, quando o índice de referência da B3 havia registrado sua maior perda (-12,17%) desde 10 de setembro de 1998. Nesta terça-feira, fechou em alta de 7,14%, o maior avanço desde 8 de dezembro de 2008 ( 8,31%), quando o então presidente eleito dos EUA Barack Obama anunciava pacote de investimentos em infraestrutura, em reação à crise americana, tornada global.

Em mais um dia de movimento amplificado entre a mínima, de 86.070,96 pontos, e a máxima, de 92.230,27 pontos, atingida bem perto do fechamento, o giro financeiro totalizou R$ 40,1 bilhões na sessão, após ter chegado a R$ 43,9 bilhões na segunda-feira, o maior do período pós-Carnaval. No ano, o Ibovespa cede 20,26%; no mês, 11,48%; e na semana, 5,90%. Está em 92.214,47 pontos.

Os ganhos em São Paulo se acentuaram por volta das 16 horas, em correlação com Nova York, após a mídia americana ter reportado reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi. Após o encontro, Mnuchin disse haver entendimento entre republicanos e democratas sobre resposta econômica ao coronavírus, sem dar detalhes adicionais. Em encontro com senadores republicanos, o presidente Donald Trump teria sinalizado que pretende desonerar a folha de pagamentos até a eleição presidencial de novembro.

"Tivemos uma recuperação natural, pontual, dado o tombo da véspera, que abriu oportunidade para o mercado tomar ações com desconto, movimento visível desde a abertura da sessão", diz Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. "O cenário continua muito nebuloso: não dá para dizer que há uma mudança de tendência com essa volatilidade que está aí", acrescenta.

A alta na B3 foi superior à observada em Nova York ao longo da sessão - os três índices de referência de NY fecharam com ganhos na faixa de 4,9% nesta terça-feira, tendo chegado a tocar terreno negativo mais cedo. Na Europa, os principais mercados fecharam em baixa: destaque para Milão (-3,28%), com a Itália em quarentena pelo coronavírus em meio à progressão do Covid-19 pelo continente.

Dólar finaliza a sessão em queda de 1,63%, cotado a R$ 4,6472

O câmbio teve um dia de ajustes e realização de ganhos após a disparada do dólar, que subiu em 13 das últimas 15 sessões. A moeda norte-americana fechou em queda de 1,63%, a maior desde 4 de setembro de 2019, aos R$ 4,6472.

O real acompanhou o comportamento de outras moedas emergentes, que ganharam valor perante a divisa dos Estados Unidos. O novo leilão de US$ 2 bilhões de dólares no mercado à vista pelo Banco Central (BC) também contribuiu para a queda do dólar, de acordo com operadores.

Somente na segunda e nesta terça-feira, o BC colocou US$ 5,5 bilhões em dinheiro no mercado. Mas a visão é que a calmaria desta terça-feira não deve perdurar, na medida em que persistem as incertezas sobre os efeitos do coronavírus e da guerra nos preços do petróleo. O Bank of America cortou novamente a previsão de crescimento da economia mundial neste ano para 2,2%, e alertou que os riscos continuam sendo de piora.

O sócio da gestora Portofino Investimentos, Adriano Cantreva, avalia que a queda do dólar aqui não sinaliza tendência, pois os próximos movimentos dependem do que vai acontecer com os juros brasileiros e dos efeitos do coronavírus. A economia brasileira deve ser afetada pelo surto, mas a maior incógnita, neste momento, é o que vai acontecer nos EUA, enquanto a China retoma as atividades e a Europa está parada. Em ano eleitoral, Trump não vai querer que a atividade fique enfraquecida, ressalta o gestor.