Porto Alegre, quinta-feira, 05 de março de 2020.
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mercado de capitais

Notícia da edição impressa de 05/03/2020. Alterada em 05/03 às 03h00min

Sequência de 11 altas do dólar é a maior em 21 anos

Cotação da divisa norte-americana alcançou R$ 4,5801 na sessão

Cotação da divisa norte-americana alcançou R$ 4,5801 na sessão


/FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
A cotação do dólar foi ao seu décimo recorde nominal (sem contar a inflação) seguido nesta quarta-feira (4) e a 11ª sessão consecutiva de valorização. A moeda no mercado à vista fechou a R$ 4,5801, alta de 1,52%. O dólar futuro para abril encostou em R$ 4,60
A cotação do dólar foi ao seu décimo recorde nominal (sem contar a inflação) seguido nesta quarta-feira (4) e a 11ª sessão consecutiva de valorização. A moeda no mercado à vista fechou a R$ 4,5801, alta de 1,52%. O dólar futuro para abril encostou em R$ 4,60
A sequência de 11 altas seguidas é a maior desde janeiro de 1999. O movimento é fruto da aposta de investidores em juros mais baixos no Brasil. O mercado projeta a Selic entre 3,75% e 3,5% ao final do ano.
A pressão no real devido a juros mais baixos no Brasil, que levam o estrangeiro a tirar dólares do país, levou a moeda brasileira a ter o pior desempenho do mundo em 2020, com desvalorização de 14%. Desde 30 de dezembro de 2019, quando a moeda estava a R$ 4,014, o dólar ficou R$ 0,57 mais caro.
A alta do dólar em 2020 já é a quarta maior valorização anual da década e a sétima maior do século. A depreciação do real acompanha a queda da Selic, que já teve cinco cortes no governo de Jair Bolsonaro. De 6,50% ao ano em julho de 2019 a taxa foi para 4,25%.
A Selic na mínima histórica também contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e dos juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com a Selic a 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.
Na terça-feira (3), para amenizar os impactos econômicos do coronavírus, o Fed, banco central americano, cortou, de maneira inesperada, o juros dos EUA em 0,50 ponto percentual. O movimento abriu margem para o Banco Central (BC) brasileiro cortar o juro novamente na próxima reunião de política monetária no dia 18.
Ainda na terça, o BC soltou um comunicado que aumentou ainda mais a expectativa de investidores por reduções na Selic. O banco disse que acompanha a evolução do coronavírus e os recentes movimentos do mercado.
Os acontecimentos levaram a cotação a ter forte alta nesta quarta. Durante o pregão, o BC interveio e anunciou oferta de 20 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 1 bilhão, a serem vendidos nesta quinta-feira (5).
Na prática, a operação promoverá o aumento da oferta da moeda, já que o BC oferece contratos que remuneram o investidor pela variação cambial, o que ajuda a reduzir o preço do dólar.
A Bolsa por outro lado, teve um dia positivo. O Ibovespa fechou em alta de 1,60%, a 107.224 pontos, maior valor desde 21 de fevereiro, antes das fortes quedas do mercado pós-Carnaval. 
O índice seguiu o exterior positivo, que também teve sessões de recuperação. Em Nova York, o Dow Jones subiu 4,53%, o S&P 500 4,22% e o Nasdaq 3,85%.
Com o dólar agora na faixa de R$ 4,58, impulso especial para as ações de exportadoras como Suzano ( 9,01%), na ponta positiva do Ibovespa na sessão, e Klabin ( 6,06%), terceiro melhor desempenho no dia. Destaque também para as blue chips Vale ( 4,79%) e Petrobras PN ( 3,22%).

Bolsa fecha em alta de 1,60%

Bolsa
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O Ibovespa teve mais uma sessão volátil nesta quarta-feira (4), mas conseguiu se firmar em alta no meio da tarde e fechar o dia em terreno positivo, com ganhos também espalhados no exterior em meio à percepção de que o afrouxamento das condições de liquidez em escala global contribui para sustentar os preços dos ativos de risco, ao menos em um primeiro momento. Com o dólar agora na faixa de R$ 4,58, em nova máxima histórica intradia e de fechamento, impulso especial para as ações de exportadoras como Suzano ( 9,01%), na ponta positiva do Ibovespa na sessão, e Klabin ( 6,06%), terceiro melhor desempenho no dia. Destaque também para as blue chips Vale ( 4,79%) e Petrobras PN ( 3,22%).

Com ganhos bem disseminados por empresas e setores, o principal índice da B3 fechou o dia em alta de 1,60%, a 107.224 pontos, após perda de 1,02% no dia anterior. Em Nova York, os ganhos ficaram perto ou acima de 4%, revertendo as perdas de ontem no Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq. Por aqui, a curva de juros segue se ajustando para baixo, em impulso que ganhou dinamismo após a nota de terça-feira à noite do Banco Central (BC), que levou o mercado a dobrar a aposta para a próxima reunião do Copom, nos dias 17 e 18, antecipando agora corte de até 0,50 ponto porcentual na Selic já nesta reunião de março.

Na B3, o giro financeiro totalizou R$ 29,1 bilhões, após ter ficado acima de R$ 30 bilhões nas cinco sessões anteriores. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 2,93% e, no ano, cede 7,28%.