Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

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mercado financeiro

13/02/2020 - 11h38min. Alterada em 13/02 às 11h38min

Tensão externa por coronavírus empurra Ibovespa para o negativo

Bolsa brasileira iniciou pregão em queda depois de dois dias seguidos de alta

Bolsa brasileira iniciou pregão em queda depois de dois dias seguidos de alta


NELSON ALMEIDA/AFP/JC
O anúncio de que disparou o número de novos casos de coronavírus na China traz tensão aos mercados internacionais e a Bolsa brasileira não resistiu, iniciando o pregão em queda depois de dois dias seguidos de alta. Após adotar novos procedimentos de diagnósticos na Província de Hubei, o governo chinês informou que subiu não só o montante de casos do vírus mas também o de mortos.
O anúncio de que disparou o número de novos casos de coronavírus na China traz tensão aos mercados internacionais e a Bolsa brasileira não resistiu, iniciando o pregão em queda depois de dois dias seguidos de alta. Após adotar novos procedimentos de diagnósticos na Província de Hubei, o governo chinês informou que subiu não só o montante de casos do vírus mas também o de mortos.
Às 11h35min, o Ibovespa tinha declínio de 0,87%, aos 115.663 pontos, após caía na mínima aos 114.800,64 pontos. Apenas nove ações da carteira do Índice da B3 subiam perto das 11 horas, de 73 papéis.
As bolsas asiáticas fecharam em queda, as da Europa e os índices futuros de Nova York cedem.
As ações atreladas a commodities e ao dólar são as principais afetadas, já que as matérias-primas continuam sofrendo os impactos das incertezas do coronavírus sobre a economia chinesa e, consequentemente, a mundial. Isso porque a nação chinesa é uma grande importadora de commodities, especialmente da mineradora Vale. Perto de 11 horas, Vale ON cedia 1,83%, enquanto CSN ON perdia 2,00%.
Como a China já está paralisada e há duvidas sobre os impactos na economia global, a tensão por conta do aumento no número de casos de coronavírus tende a encarecer as commodities e reduzir a demanda. "Afeta tanto pelo preço em si quanto por um possível desaquecimento da demanda de produtos daqui", diz a analista Sandra Peres, da Terra Investimentos.
A expectativa de que o número de pessoas infectadas e o de mortos não estava avançando chegou a aliviar os investidores ontem, dando certa estabilidade, mas hoje isso mudou. "Esperava-se que o total de novos casos não estava crescendo e havia possibilidade de combate. Agora, não sabemos até o quanto isso pode se prolongar", descreve Sandra.
A dúvida principal, diz a analista, é saber quais são de fato os números reais sobre o coronavírus, já que a China é tida como um país onde suas informações e seus números sempre geram desconfiança. "Já há dúvida com relação a dados como os de PIB e ainda mais agora com uma questão tão séria como esta", diz.
O dólar mais alto, que fechou ontem a R$ 4,3510 no maior valor nominal desde o início do Plano Real, pode servir de equilíbrio na Bolsa, ao eventualmente beneficiar papéis que dependem da moeda, caso de outras exportadoras. Porém, Sandra lembra que o país asiático não importa somente itens atrelados a minério mas outros produtos do Brasil. A área Azul PN (-2,90%), por exemplo, fazia parte da lista de maiores baixas.
Depois de cinco dias de alta e de ter alcançado a máxima a R$ 4,383, a moeda norte-americana era negociada a R$ 4,3180, com recuo de 0,80%, às 11h12min.
O BC realizou um leilão extraordinário, ofertando US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial (20 mil contratos). O BC, contudo, vendeu 7.600 contratos de swap para 03/08/2020 (US$ 380 mi). O leilão foi uma resposta à pressão cambial recente. Ontem, ao comentar o assunto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o câmbio brasileiro não "está nervoso" e que o nível mudou para R$ 4,00.
Em tempo: investidores avaliam o balanço do Banco do Brasil, que informou lucro líquido foi de R$ 4,625 bilhões no quarto trimestre, dentro do esperado. Às 11h10min, os papéis cediam 0,60%.