Porto Alegre, terça-feira, 18 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

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mercado financeiro

12/02/2020 - 12h14min. Alterada em 12/02 às 12h14min

Alívio externo puxa alta do Ibovespa; instabilidade é risco em dia de vencimento

Principal índice à vista da B3 acompanha o sinal positivo em Nova Iorque e na Europa

Principal índice à vista da B3 acompanha o sinal positivo em Nova Iorque e na Europa


J. DURAN MACHFEE/FUTURA PRESS/JC
Notícias de redução no índice de contaminação do coronavírus na China, que trazem alívio ao exterior, também estimulam ganhos ao Ibovespa nesta quarta-feira (12). Na terça, a Bolsa rompeu uma série de três quedas seguidas e fechou em alta de 2,49%, aos 115.370,61 pontos.
Notícias de redução no índice de contaminação do coronavírus na China, que trazem alívio ao exterior, também estimulam ganhos ao Ibovespa nesta quarta-feira (12). Na terça, a Bolsa rompeu uma série de três quedas seguidas e fechou em alta de 2,49%, aos 115.370,61 pontos.
Às 12h10min, o Ibovespa subia 0,46%, aos 115.899 pontos.
Ainda que a epidemia continue a preocupar as nações, o fato de as autoridades estarem agindo desde o início, o que já estaria surtindo algum efeito, torna o ambiente um pouco mais leve, conforme especialistas.
O principal índice à vista da B3 acompanha o sinal positivo em Nova Iorque e na Europa. Porém, ocorre certa instabilidade interna por conta do vencimento de opções sobre Ibovespa nesta quarta. Até o momento, oscilou entre a mínima de 115.371,20 pontos e máxima de 116.148,26 pontos.
Além da valorização do mercado acionário externo, as commodities - minério e petróleo - dão força aos negócios.
O minério subiu 0,86% no porto de Qingdao, na China. Aliás, a Vale acionou nível 2 de emergência para barragem em Minas, em decorrência das chuvas na região. Segundo a empresa, o acionamento do nível 2 não terá impacto no plano de produção do primeiro trimestre.
Já as cotações do petróleo têm avanços acima de 3% diante do alívio por conta do coronavírus. A alta ainda pega carona na decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de diminuir a estimativa de aumento de 1,22 milhão de barris por dia (bpd) para 990 mil bpd, em razão da epidemia.
"O coronavírus foi um fator inesperado. Precisou de uma leitura mais clara quanto a contaminação na economia global, mas à medida que a OMS Organização Mundial da Saúde foi agindo e houve ação efetiva. O mercado enxergou que isso pode limitar um pouco os impactos negativos. Vai bater no crescimento, mas nada que possa comprometer, fazer com que o mercado global seja afetado de forma muito expressiva", observa Fernando Barroso, diretor da CM Capital.
Para Barroso, embora haja comprometimento da atividade chinesa e consequentemente da mundial, indicadores norte-americanos indicam que os Estados Unidos poderão minimizar tais impactos. "A economia americana deve debelar esse efeito do coronavírus", estima.
A Comissão Nacional de Saúde da China informou que foram reportados 2.015 novos casos de coronavírus no país, no segundo dia consecutivo de recuo nesse número. "Essa notícia é que deve dar o tom ao mercado", reforça um operador, citando ainda a disputa entre comprados e vendidos nesta quarta-feira.
A despeito do fraco resultado das vendas no varejo em 2019, o diretor da CM Capital vê pouco espaço para influência na B3 nesta quarta. Em sua visão, o exterior positivo, a indicação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue comprometido com o ajuste fiscal, a expectativa de avanço das reformas e de novas aberturas de capital na Bolsa são os fatores que devem dar sustentação aos negócios.
Neste cenário, a perspectiva de Barroso é que passado esse efeito negativo do vírus, a tendência é de sustentação dos preços, que deve ser amparada pela expectativa de continuidade da agenda de reformas, como a tributária, que está sendo desenhada.
Conforme ele, apesar de a reforma administrativa ter sido adiada, o processo de privatização no País já é uma sinal positivo. "A própria onda de IPOs é uma forma de recursos na economia, na atividade", afirma.