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comércio exterior

- Publicada em 03h00min, 10/02/2020.

Mercado vê nova queda para exportações agrícolas

Consultoria prevê o menor faturamento com embarques em quatro anos

Consultoria prevê o menor faturamento com embarques em quatro anos


/APPA/DIVULGAÇÃO/JC
Pilar da balança comercial brasileira, as exportações do agronegócio podem cair em 2020 pelo segundo ano seguido. O menor ritmo de crescimento da economia global, especialmente da China, principal parceiro comercial do Brasil e epicentro da epidemia de coronavírus, e os efeitos da primeira fase do acordo comercial fechado entre o país asiático e os Estados Unidos podem tirar US$ 5,1 bilhões das vendas externas do campo este ano.
Pilar da balança comercial brasileira, as exportações do agronegócio podem cair em 2020 pelo segundo ano seguido. O menor ritmo de crescimento da economia global, especialmente da China, principal parceiro comercial do Brasil e epicentro da epidemia de coronavírus, e os efeitos da primeira fase do acordo comercial fechado entre o país asiático e os Estados Unidos podem tirar US$ 5,1 bilhões das vendas externas do campo este ano.
O cálculo é da consultoria MacroSector, que projeta exportação do agronegócio de US$ 76 bilhões em 2020, a menor cifra em quatro anos. Nos cálculos, foi considerada a perspectiva de redução de volumes e de preços dos produtos. No ano passado, por causa da quebra na safra de soja e mesmo tendo batido recorde na venda de carne bovina, o agronegócio exportou US$ 4,2 bilhões a menos do que em 2018, segundo a consultoria.
"O que gera desconforto este ano não é a receita que deve ser perdida em si, mas o fato de a exportação do agronegócio sofrer quedas seguidas", afirma o economista Fabio Silveira, sócio da consultoria e responsável pela projeção. Se a sua previsão se confirmar, em dois anos (2019 e 2020) a venda externa do setor poderá recuar US$ 9,3 bilhões.
Também o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, espera que o agronegócio exporte menos este ano, por causa da conjuntura internacional incerta. Ele pondera, no entanto, que ainda é cedo para calcular o tamanho do prejuízo.
O pessimismo para este ano com as vendas externas do agronegócio - setor que responde por cerca de 40% das exportações do País - foi desencadeado por vários episódios que envolveram a China nos últimos meses e um cenário de menor crescimento da economia global. O país asiático é o principal cliente das exportações brasileiras e, sobretudo, da soja. Isoladamente, o grão é o produto mais importante da pauta da exportação.
No ano passado, por exemplo, as vendas externas de soja em grão renderam ao Brasil US$ 26,338 bilhões, à frente do petróleo (US$ 23,733 bilhões) e do minério de ferro (US$22,187 bilhões). A China absorveu quase 30% de todas as exportações brasileiras em 2019 e cerca de 80% da soja nacional. "Estamos pendurados na China e na soja", resume Silveira.
Essa forte dependência da China pode afetar o Brasil, conforme o desenrolar da disputa comercial entre EUA e o país asiático. No mês passado, os dois países fecharam a primeira etapa de um acordo comercial no qual a China se comprometeu a comprar dos EUA, este ano, US$ 13,5 bilhões de produtos do agronegócio, além do valor adquirido em 2017. "Se esse acordo for, de fato, implementado, o Brasil vai vender menos soja para a China este ano, porque ela terá de comprar o grão dos EUA, que concorrem diretamente com o Brasil na produção de soja", diz Castro.
Outro fator que deve afetar a exportação do agronegócio em 2020, segundo economistas, é a epidemia do coronavírus. Desde que o surto da doença veio a público pelo governo chinês em meados de janeiro, os preços das commodities recuaram nas bolsas internacionais, sinalizando que o risco de desaceleração global da atividade, já esperado, poderá ser maior.
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