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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Economia

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crédito

Edição impressa de 23/01/2020. Alterada em 23/01 às 03h00min

Capacidade de financiar imóvel dos mais pobres reduziu 25% nos últimos dois anos

Limitação da recuperação do setor imobiliário se deve ao fraco desempenho do mercado de trabalho

Limitação da recuperação do setor imobiliário se deve ao fraco desempenho do mercado de trabalho


MARCELO G. RIBEIRO/JC
A capacidade de conseguir um financiamento imobiliário piorou para a metade mais pobre da população entre 2017 e 2018 e, mantida as tendências atuais do aumento da desigualdade, a situação deve seguir se deteriorando.
A capacidade de conseguir um financiamento imobiliário piorou para a metade mais pobre da população entre 2017 e 2018 e, mantida as tendências atuais do aumento da desigualdade, a situação deve seguir se deteriorando.
A análise é dos economistas do Observatório Brasileiro de Crédito Habitacional Henrique Bottura Paiva (pesquisador da UNB e da Fipe) e José Pereira Gonçalves, também ex-superintendente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).
Em estudo publicado no observatório, os pesquisadores simularam a capacidade de financiamento segundo a renda média de cada um dos percentuais de renda a uma taxa de juros real de 5% ao ano, num prazo 180 meses e seguindo o sistema de amortização Price.
Comparando essa capacidade no ano de 2018 (mais recente disponível) com o de 2014, eles observaram que os 10% mais pobres perderam em média 25,7% da sua capacidade de financiamento - ou seja, se em 2014 eles conseguiam financiar R$ 100 mil, em 2018 esse teto passou para R$ 74 mil.
Considerando os 50% mais pobres, a perda foi de 10%. Por outro lado, o oposto ocorre entre os mais ricos: o 1% do topo viu sua capacidade de financiamento aumentar em 9,4%. A variação é positiva mesmo considerando os 5% mais ricos (aumento de 2,41%) até os 20% mais ricos (aumento de 0,43%).
A distância observada reflete em parte o agravamento da desigualdade de renda verificada no país a partir da crise econômica de 2014. O mercado imobiliário é especialmente sensível a esse movimento, uma vez que renda é um fator determinante para o acesso a crédito imobiliário entre as famílias.
"Não adianta ter tanto otimismo com a recuperação do mercado imobiliário porque esse crescimento não está levando todo mundo. É de um setor, de um mercado específico, que está deixando a maior parte das pessoas para trás", afirma Paiva.
Uma das principais razões para essa limitação da recuperação do setor se deve ao fraco desempenho do mercado de trabalho, na análise dos economistas. Em um cenário de alto desemprego como o atual, a renda média das famílias encolhe, o que afeta sua capacidade de contratar financiamento.
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