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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Economia

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Inflação

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 13/01 às 03h00min

Inflação oficial do País fecha 2019 em 4,31%, acima do teto da meta

Açougues com promoção na venda de carnes no Mercado Público de Porto Alegre (Centro Histórico).

Açougues com promoção na venda de carnes no Mercado Público de Porto Alegre (Centro Histórico).


/NÍCOLAS CHIDEM/JC
Influenciado pela alta no preço da carne, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro foi de 1,15%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo dados do IBGE. Assim, a inflação fechou o ano de 2019 em 4,31%, acima dos 4,25% fixados como meta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual. Foi a primeira vez, desde 2016, que a inflação superou o centro da meta perseguida pelo Banco Central. Até outubro, porém, a inflação em 12 meses estava abaixo do piso da meta.
Influenciado pela alta no preço da carne, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro foi de 1,15%, o maior resultado para o mês desde 2002, segundo dados do IBGE. Assim, a inflação fechou o ano de 2019 em 4,31%, acima dos 4,25% fixados como meta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas dentro do limite de variação de 1,5 ponto percentual. Foi a primeira vez, desde 2016, que a inflação superou o centro da meta perseguida pelo Banco Central. Até outubro, porém, a inflação em 12 meses estava abaixo do piso da meta.
O resultado de dezembro ficou acima do valor registrado em novembro. Esse foi o maior resultado para o último mês do ano em 17 anos, quando o IPCA marcou 2,10%, em 2002. O preço da carne no Brasil, com alta de 18,06%, contribuiu para esse registro e puxou a marca de 3,38% no grupo de alimentação e bebidas, com maior variação mensal para o setor desde dezembro de 2002. As carnes variaram 32,40%, sendo que 27,61% foram no último bimestre.
Outros gêneros alimentícios também tiveram aumento, como frango (5,08%), pescados (2,37%), feijão-carioca (23,35%) e tomate (21,69%). Por outro lado, a cebola teve queda de 8,76%, assim como o pão francês, com 0,68%. O analista Luca Klein, da 4E Consultoria, a dinâmica de alta nos preços das proteínas deve perder a intensidade. "Trata-se de um choque temporário cuja trajetória deve se corrigir no médio prazo à medida que as condições entre oferta e demanda se equilibrem", apontou o analista. A alimentação fora de domicílio foi impactada em 1,04%, com altas em refeição, de 1,31%, e lanche, de 0,94%.
Outras altas foram observadas no mês, como combustíveis (3,57%) e passagens áreas, que subiram para 15,62%. O reajuste nos preços das apostas, em novembro, fez os jogos de azar também impactarem a inflação de dezembro (12,88%). No ano, o grupo alimentação e bebidas aumentou 6,37%.
"Pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A alimentação fora do domicílio também influenciou o índice, em função do aumento das carnes", disse o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.
Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE em 2019, somente artigos de residência tiveram deflação, de 0,36%. Habitação registrou alta de 3,9%, vestuário subiu 0,74%, transportes marcaram 3,57%, saúde e cuidados pessoais cresceram 5,41%, assim como despesas pessoais, com 4,67%; educação, com 4,75%; e comunicação, com 1,07%.
Na análise geográfica, a maior inflação do Brasil em 2019 foi em Belém, com variação de 5,51% influenciada pelo preço da carne. Fortaleza vem logo em seguida, com 5,01%, enquanto Campo Grande teve 4,65%, São Paulo cresceu 4,60% e Goiânia, 4,37%.
A queda na energia elétrica fez Vitória ter a menor taxa de inflação, com 3,29%. Recife, com 3,71%, e Brasília, com 3,76%, foram os demais locais com os menores registros de IPCA do ano passado.
 

Alta da carne não vai impedir Banco Central de fazer novo corte de juros, diz consultoria

A alta da carne, que pressionou a inflação em 2019, não vai impedir o Banco Central (BC) de fazer novo corte de juros, avalia a consultoria inglesa Oxford Economics. A previsão da casa é que ocorra nova redução da taxa básica na reunião de fevereiro do Comitê de Política Monetária (Copom), de 0,25 ponto percentual. A Oxford vê espaço ainda para cortes adicionais pela frente, mas acredita que esta deve ser a última redução, com a Selic ficando em 4,25%.

A Oxford destaca que o IPCA de 2019, que subiu 4,31%, acabou ficando acima da meta de inflação do BC, de 4,25%. Mas a culpa foi quase que totalmente da carne, em meio à maior demanda da China por conta da febre suína. Apenas em dois meses, a carne subiu 28% no Brasil, observa a consultoria em relatório. "Nossas estimativas sugerem que esse choque adicionou 0,7 ponto percentual ao IPCA", ressalta o economista da Oxford para a América Latina, Marcos Casarin. "Com a provável reversão deste choque nos próximos dois meses, esperamos que a inflação caia de volta para um nível abaixo da meta em 2020", completa.

A consultoria observa que o núcleo do IPCA (excluindo os preços mais voláteis), que ficou em 2,8% em 2019, permanece abaixo do centro da meta do BC. O relatório destaca, ainda, que a alta do dólar e o aumento da tensão no Oriente Médio nos últimos meses de 2019 também pesaram na inflação.

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