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Porto Alegre, terça-feira, 07 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Economia

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sistema Financeiro

Edição impressa de 07/01/2020. Alterada em 07/01 às 03h00min

Gigante chinesa de máquinas para infraestrutura abre banco no Brasil

O grupo XCMG, um dos maiores fabricantes de maquinário pesado da China, anunciou nesta segunda-feira (6), a abertura de um banco da companhia no Brasil para financiamento de distribuidores e outras empresas do setor.

O grupo XCMG, um dos maiores fabricantes de maquinário pesado da China, anunciou nesta segunda-feira (6), a abertura de um banco da companhia no Brasil para financiamento de distribuidores e outras empresas do setor.

O investimento inicial será de R$ 100 milhões, que é o valor exigido pelo BC (Banco Central) para a abertura da instituição. De acordo com Wang Min, presidente do grupo,a meta é investir R$ 300 milhões em até cinco anos.

"O banco pretende ajudar muito a infraestrutura brasileira, oferecendo máquinas melhores a juros baixos", afirmou, sem dizer quais serão as taxas.

Segundo ele, a relação entre China e Brasil, "está cada dia mais forte" e imune à guerra comercial com os Estados Unidos ou aos efeitos da tensão geopolítica entre o governo Trump e o Irã.

A companhia também pretende ampliar a operação na fábrica que inaugurou em de Pouso Alegre (MG), em 2014,trazer mais empresas da China, em especial fornecedoras, e transformar o espaço de 140 mil metros quadrados em um parque industrial.

Com foco em infraestrutura, a XCMG fabrica produtos para setores como construção civil e mineração, vendendo pavimentadoras, escavadeiras e guindastes. O faturamento anual do grupo é de US$ 30 bilhões.

A marca é uma das cinco que mais vende no mercado de construção brasileiro. O banco do grupo é o primeiro no mundo. Mesmo na China, a empresa não atua no segmento bancário.

A instituição financeira foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019 e a operação está prevista para o primeiro trimestre deste ano.

Segundo o Roberto Pontes, vice-presidente do Banco XCMG, serão cerca de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões em operações de crédito no primeiro ano ea meta é atingir o break even (quando a empresa não dá lucro e nem prejuízo) em três anos.

Em evento para investidores brasileiros e chineses e com cobertura da imprensa asiática, os executivos ressaltaram o otimismo na recuperação econômica do Brasil, mesmo na indústria de maquinário pesado, impactada na recessão.

"Existem indicadores consistentes de que a economia está em um ciclo de retomada. Esperamos que ele venha já para 2020", afirmou Pontes.

O público-alvo são os clientes do grupo e os revendedores, que terão acesso a produtos de financiamento de máquinas, arrendamento mercantil e investimentos. Em um segundo momento, a ideia é oferecer outros serviços, como modalidades de crédito e de capital de giro.

"O diferencial competitivo éter equipe da indústria em sinergia com a equipe do campo para verificar a demanda de cada cliente. É o diferencial porque estamos vendo o mercado", afirmou o vice-presidente.

No longo prazo, o grupo pode atuar no mercado de fusões e aquisições.

O banco ficará sediado em Pouso Alegre, no local da fábrica, e terá um escritório em São Paulo.A equipe será de 15 pessoas.

A criação do banco vem após a China disponibilizar US$ 100 bilhões de cinco fundos estatais ao Brasil em uma nova rodada de investimentos no Brasil, como ficou acordado em encontro bilateral dos dois países em novembro.

A maior parte dos recursos dos fundos de investimento também deverá financiar projetos de infraestrutura.

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