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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Edição impressa de 23/12/2019. Alterada em 22/12 às 20h40min

Qualificar gestão é saída para reduzir perdas em bares, hotéis e restaurantes

Maria Fernanda Tartoni diz que os custos aumentaram muito em 2019

Maria Fernanda Tartoni diz que os custos aumentaram muito em 2019


LUIZA PRADO/JC
João Pedro Rodrigues
Devido à duradoura crise econômica no País, com o desemprego, a diminuição da renda das famílias e o agravante, no Rio Grande do Sul, do parcelamento dos salários de funcionários públicos, 2019 foi um ano difícil para os segmentos de hotéis, bares e restaurantes, que possuem seus negócios atrelados à movimentação do público e ao turismo. O cenário adverso, porém, não chega a abalar os empresários, que mantêm esperanças em uma recuperação da economia e estão otimistas em relação a 2020.
Devido à duradoura crise econômica no País, com o desemprego, a diminuição da renda das famílias e o agravante, no Rio Grande do Sul, do parcelamento dos salários de funcionários públicos, 2019 foi um ano difícil para os segmentos de hotéis, bares e restaurantes, que possuem seus negócios atrelados à movimentação do público e ao turismo. O cenário adverso, porém, não chega a abalar os empresários, que mantêm esperanças em uma recuperação da economia e estão otimistas em relação a 2020.
De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel-RS), Maria Fernanda Tartoni, o grande vilão do setor alimentício neste ano foi, e continua sendo, o aumento de custos. Segundo ela, com os insumos cada vez mais caros, sendo a alta no preço da carne o mais significativo e sem grandes perspectivas de melhora, os empresários estão tendo dificuldades para atrair o público.
A fim de melhorar a gestão dos gastos, então, a solução seria a busca por qualificação em cursos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha) ou da própria Abrasel. "Tem que se qualificar. Olhar para a seus relatórios de exercício, ver onde está gastando muito e trabalhar aquele custo. Se não consegue sozinho, busca alternativas", explica Maria Fernanda.
Para ela, essa necessidade se torna cada vez mais evidente na atual conjuntura econômica do Rio Grande do Sul, que, além de ter que enfrentar esse problema, ainda vivencia uma diminuição no fluxo de pessoas nos estabelecimentos. Com um grande número de servidores públicos no estado, muitos indivíduos acabam prejudicados com o parcelamento de salários, tendo menos dinheiro para sair e gastar. Assim, eles começam a procurar alternativas mais econômicas, evitando se alimentar fora de casa. Consequentemente, os negócios dependentes desse público são afetados.
Para o presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur), Mauro Salles, a melhor forma de lidar com a situação é usar a criatividade. A fim de atrair o movimento para a serra gaúcha, que tem diminuído em razão do receio dos turistas em gastar, os empresários estão buscando se diferenciar no mercado através de promoções, ofertas e experiências novas.
"O empresário tem que ser criativo tanto para oferecer novos produtos, serviços e experiências ao cliente quanto para rever os seus custos, controlando, de forma cada vez mais rigorosa, os gastos e visando a uma competição maior por preços, algo que tem acontecido nos últimos anos em função da demanda em queda e da oferta aumentando", diz.
Ressaltando, também, o fato de o valor um pouco mais alto do dólar beneficiar os negócios da região, devido à diminuição de viagens para o exterior, e a oportunidade de sair da zona de conforto em busca de novas alternativas, ele diz ter boas perspectivas para 2020. Com uma melhora no cenário econômico e o exercício criativo realizado pelo empresariado, é esperado que eles consigam atrair mais turistas e, consequentemente, retomar mais intensamente a economia local.
 

Nos hotéis, cresce competição com outros meios de hospedagens

Na mesma linha dos bares e restaurantes, o setor hoteleiro não teve um ano fácil. Vinculada, principalmente, ao turismo de lazer, a hotelaria da serra gaúcha teve redução na sua ocupação média (quantidade de unidades ocupadas em relação às disponíveis), especialmente em cidades como Gramado e Canela. "O turismo é considerado um pouco supérfluo. As pessoas, muitas vezes, tomam a decisão de deixar de viajar para não ter que abrir mão de outras coisas", diz Mauro Salles. Ele explica que, além da crise, a situação também está relacionada à crescente oferta dos meios de hospedagem na região, que incluem hotéis e pousadas, e aos aluguéis de temporada, como Airbnb e Booking.com, que, atualmente, são uma concorrência. "Cerca de 30% das hospedagens aqui estão em aluguel de temporada", acrescenta.

Segundo ele, entre Gramado e Canela, há 320 hotéis e pousadas, com capacidade de cerca de 20 mil leitos, e, a partir de um trabalho feito em conjunto com a prefeitura de Gramado, foi possível analisar que, em dois ou três anos, haverá 35 mil leitos só na cidade, mesmo que a ocupação ainda seja uma incerteza. Salles conta que o lado bom, porém, de momentos não tão favoráveis ao empresário é que o turista será beneficiado, ao escolher entre mais opções de hospedagens. "Se comparados com três, quatro anos atrás, muitas hospedagens estão oferecendo diárias até mais em conta, dada a concorrência", conta Salles. Assim, ele espera um aumento no fluxo turístico da região a fim de garantir o equilíbrio entre oferta e demanda, recuperando a ocupação da hotelaria em níveis de anos anteriores.

Ao contrário da situação na Região das Hortênsias, o setor na Capital obteve um crescimento da sua diária média (que diz respeito ao preço médio cobrado nas diárias), que chegou a R$ 214,13 no período entre novembro de 2018 e outubro de 2019 - teve, ainda, alta na ocupação média, no mesmo período, com taxa de 56,49%, de acordo com dados do Sindicato de Hotéis de Porto Alegre (SHPOA). Isso se deve ao fato de que, diferentemente da serra gaúcha, a hotelaria em Porto Alegre depende mais do turismo de eventos - 2019 foi um ano em que, no primeiro semestre, ocorreu a Copa América, com alguns jogos na cidade, e, no segundo semestre, a cidade recebeu três grandes congressos nacionais.

A Capital, hoje, possui 69 hotéis e tem previsão de abertura de sete novos estabelecimentos. Para conseguir público para ocupá-los, será necessária a captação de novos eventos e, portanto, espaços para sediá-los, como o esperado Centro de Eventos de Porto Alegre. Já é aguardada, há algum tempo, a verba de R$ 60 milhões para a construção do empreendimento, que ficará na avenida Padre Cacique, ao lado do Beira-Rio. Carlos Henrique Schmidt, presidente do SHPOA, explica que tudo o que tinha de ser implementado para viabilizar as obras foi feito, mas os recursos ainda não foram liberados pelo Ministério do Turismo, sendo essa uma das expectativas para 2020. Ele se mantém otimista.

Apesar da previsão de diminuição no número de eventos, como os congressos internacionais, Schmidt acredita em uma melhora do cenário econômico. "Os problemas que temos no nosso Estado, como atrasos de salários e o fato de o Rio Grande do Sul ser o pior estado em termos de gestão de recursos no Brasil, acabam atrapalhando, mas a gente acredita que vai haver uma melhora", informa. Além disso, com a classificação da dupla Grenal para as diferentes fases da Copa Libertadores, a vinda dos times para os jogos na Capital devem atrair mais público.

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