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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de dezembro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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investigação

Edição impressa de 05/12/2019. Alterada em 05/12 às 03h00min

Distribuidora é alvo por sonegar R$ 150 milhões

Foram cumpridos oito mandados em residências e em seis empresas

Foram cumpridos oito mandados em residências e em seis empresas


/MP-RS/DIVULGAÇÃO/JC
Bruna Oliveira

O grupo Maiora Distribuição, que atua no ramo de medicamentos, foi alvo de operação do Ministério Público, da Procuradoria-Geral do Estado e da Receita Estadual nesta quarta-feira, acusado de fraudes tributárias. O conglomerado com sede em Canoas, na Região Metropolitana, é suspeito de sonegar cerca de R$ 150 milhões em ICMS. A reportagem do Jornal do Comércio tentou contato com a empresa, mas não localizou nenhum responsável até o fechamento deste texto.

O grupo Maiora Distribuição, que atua no ramo de medicamentos, foi alvo de operação do Ministério Público, da Procuradoria-Geral do Estado e da Receita Estadual nesta quarta-feira, acusado de fraudes tributárias. O conglomerado com sede em Canoas, na Região Metropolitana, é suspeito de sonegar cerca de R$ 150 milhões em ICMS. A reportagem do Jornal do Comércio tentou contato com a empresa, mas não localizou nenhum responsável até o fechamento deste texto.

Foram cumpridos mandados em oito residências na Capital e em seis empresas em Canoas, como parte de investigação que começou há um ano, a partir de verificação fiscal. O conglomerado alvo da operação é formado por uma atacadista e empresas que distribuem remédios para farmácias de todo o Brasil, gerenciado por um grupo familiar. Depois de sonegar o tributo, o grupo fechava empresas e abria novas, protegendo o patrimônio. 

O esquema foi detalhado durante coletiva de imprensa na sede da Receita da Fazenda Estadual. De acordo com o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen, o crime se trata de uma "blindagem de bens". "A empresa pratica o crime de sonegação, recolhendo do contribuinte e não repassando ao Fisco. A partir disso, sucessivas operações como lavagem de dinheiro retiram o patrimônio da empresa devedora, deixando-a sem solvência para responder pelas dívidas e protegendo os bens", explicou Dallazen.

O proprietário da atacadista é apontado como chefe da organização criminosa. Para praticar as fraudes, ele criava empresas em nomes de familiares e laranjas. A investigação apurou, ainda, que o grupo possui fazendas no Maranhão, adquiridas com o dinheiro sonegado. Ao todo, sete pessoas físicas estão sendo investigadas. 

O grupo é dono de cinco empresas atualmente, mas já havia fechado outras 10 com dívidas acumuladas. As empresas que seguem em operação são Portopharma, Flueve, Aggius, Suplence e MedPhama, carro-chefe e distribuidora de empresas como Cimed, 3M e BIC. Em 2017, a Maiora inaugurou um novo centro de distribuição em Canoas, com investimento que somou R$ 4 milhões. 

O subsecretário da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira, explicou que o crime ultrapassa a sonegação, já que a fraude tributária repercute na concorrência desleal nos preços dos remédios praticados pelo mercado. Os representantes dos órgãos envolvidos na operação frisaram que o maior prejudicado pela sonegação de imposto é o contribuinte. "É o dinheiro público que falta para pagar o funcionalismo", exemplificou Dallazen.

Em 2019, foram mais de 35 operações de combate à sonegação desencadeadas no Rio Grande do Sul, em 25 setores da economia, com mais de R$ 1 bilhão recuperados. "Foi um ano de trabalho intenso, e, no próximo, mais operações virão", adiantou Pereira. 

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