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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de novembro de 2019.
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Economia

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Relações Internacionais

Edição impressa de 28/11/2019. Alterada em 28/11 às 03h00min

China confirma interesse em estatais gaúchas

Thiago Copetti e Guilherme Kolling
O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, se reuniu, nesta quarta-feira, com empresários gaúchos na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), para falar sobre as perspectivas de negócios entre o gigante asiático e o Estado. Em entrevista ao Jornal do Comércio, Wanming confirmou o interesse da China em participar de futuras privatizações no Rio Grande do Sul, como a CEEE. "Estamos atentos aos projetos, tanto do governo federal quanto os estaduais", explicou. Para o futuro, não descartou a abertura de um consulado em Porto Alegre.
O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, se reuniu, nesta quarta-feira, com empresários gaúchos na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), para falar sobre as perspectivas de negócios entre o gigante asiático e o Estado. Em entrevista ao Jornal do Comércio, Wanming confirmou o interesse da China em participar de futuras privatizações no Rio Grande do Sul, como a CEEE. "Estamos atentos aos projetos, tanto do governo federal quanto os estaduais", explicou. Para o futuro, não descartou a abertura de um consulado em Porto Alegre.
Após o evento, Wanming ainda se encontrou com o governador Eduardo Leite, quando foi apresentado oficialmente aos projetos de privatização, parcerias público-privada e concessões em curso no Estado. Na área de energia, a China passou a ter forte presença no Estado desde que assumiu o controle da CPFL, dona da RGE, em 2017, por meio da State Grid.
O diplomata também esteve em evento na Assembleia Legislativa. As oportunidades listadas por Wanming na ACPA para ampliar as relações entre a China e o Rio Grande do Sul vão desde investimentos em infraestrutura, energia e tecnologias digitais e agrícolas até a compra de frutas e a ampliação do fluxo de turistas chineses no Estado.
Wanming lembrou o recente anúncio do governo brasileiro de simplificação do visto para o ingresso de chineses que viajam para cá a negócios ou lazer, o que pode elevar o fluxo de visitantes, especialmente em busca de ecoturismo. Em sua passagem pelo Estado, o diplomata conheceu a serra gaúcha, destino que ele acredita que pode ser mais buscado por chineses interessados em conhecer o Brasil.
Em sua palestra na ACPA, destacou que a economia gaúcha, com "dinamismo e diversidade", tem muito a ganhar com a abertura chinesa às compras de mais e novos produtos brasileiros.
"A China é o maior comprador de produtos brasileiros, tendo adquirido US$ 100 bilhões do País em 2018. Mesmo com a tendência de retração no comércio mundial, os negócios da China com o Brasil seguirão crescendo", afirmou Wanming.
Ao falar sobre a diversificação da pauta tradicional, dominada por minério e soja, o diplomata citou que a China abriu, recentemente, seu mercado para o melão brasileiro e habilitou diversos frigoríficos à exportação. O embaixador avalia que há espaço para que o Brasil amplie a pauta para além dos produtos agrícolas, exportando mais manufaturados.
Entre os representantes de empresas gaúchas no evento estavam, por exemplo, executivos como Mauro Bellini (integrante da família controladora da Marcopolo, que tem uma unidade na cidade de Changzou) e Joarez Piccinini (diretor superintendente do Banco Randon e do Consórcio Randon), entre outros.
Do encontro, também participaram representantes da Ufrgs, que abriga o Instituto Confúcio em solo gaúcho e que receberá
US$ 560 mil para a reforma do prédio da universidade que abriga a sede da instituição. Ampliar intercâmbios culturais também está no horizonte do embaixador chinês. Wanming avalia que mais produções audiovisuais conjuntas poderão ser desenvolvidas entre os dois países, assim como o crescimento de parcerias universitárias e em pesquisas científicas.
"Pequim já sinalizou com expansão de crédito para negócios com o Brasil, e os fundos de investimentos devem financiar projetos de infraestrutura. O Rio Grande do Sul, com certeza, é um destino promissor para isso", destacou Paulo Afonso Pereira, presidente da ACPA.
O interesse em reforçar a presença no Rio Grande do Sul e conhecer melhor o Estado partiu do próprio Wanming, segundo José Ricardo Luz Junior, CEO do LIDE China, que participou da organização do evento. "O Rio Grande do Sul é muito importante para a China, por isso o pedido do próprio embaixador em conhecer o Estado. É como se fosse um namoro dentro de uma série de encontros que ainda virão. Querem conhecer os empresários, os líderes locais, as instituições", completa Luz Junior.
 

Rio Grande do Sul tem uma posição estratégica, destaca embaixador chinês

Jornal do Comércio - O Estado está buscando investimentos privados para a CEEE e a Corsan. Os chineses participarão?
Yang Wanming - Sabemos desses processos em andamento e temos interesse em participar das privatizações que estão sendo organizadas no estados. Também temos interesse em obras de infraestrutura. O Rio Grande de Sul tem uma posição estratégica, e há projetos para melhorar as ligações com Argentina e Uruguai, nos quais podemos participar.
JC - Recentemente, a China abriu o mercado de lácteos para o Brasil. O que recomendaria para quem entrar neste mercado no país?
Wanming - Diria que precisam fazer mais publicações (publicidade) divulgando seus produtos, para tornar as marcas conhecidas. O Brasil tem produtos de boa qualidade, e estamos abertos a importações. Tanto que realizamos uma grande feira de importações em Xangai, pela segunda vez. O Brasil, inclusive, foi homenageado na edição passada. Os empresários devem se programar para esses eventos.
JC - O senhor falou em estreitar relações cada vez mais. Existe a possibilidade de instalar um consulado da China em Porto Alegre?
Wanming - Temos consulados em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. A Região Sul, como um todo, é atendida por outro consulado, mas, no futuro, poderemos ter um consulado no Rio Grande do Sul.
 
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