Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 28 de novembro de 2019.
Feriado nos EUA - Dia de Ação de Graças.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Mercado de Capitais

Edição impressa de 27/11/2019. Alterada em 27/11 às 03h00min

Cotação do dólar alcança novo recorde

Variação do dólar

Variação do dólar


/Variação do dólar

O mercado de câmbio teve um dia agitado, com o dólar renovando máximas históricas e o Banco Central (BC) anunciando dois leilões não programados no mercado à vista, movimento que não acontecia desde agosto. O dólar à vista subiu 0,61% nesta terça-feira (26), a R$ 4,24.

Declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, falando que o dólar alto era a nova realidade no Brasil, contribuíram para o estresse, e a moeda americana chegou a encostar em
R$ 4,28 logo pela manhã. O dia também foi marcado pelo rebalanceamento da carteira teórica do índice do Morgan Stanley Capital Internacional (MSCI), que provocou vendas de ações na bolsa e retirada de recursos do País, com fundos mundiais fazendo os últimos ajustes para se adequarem.

A intervenção inesperada do BC nesta terça-feira, no câmbio, repete o movimento feito pela autoridade monetária no dia 27 de agosto, quando também houve rebalanceamento da carteira do MSCI. Naquele dia, o dólar chegou a R$ 4,20, e, após a operação do BC, a moeda cedeu. Nesta terça-feira, ao contrário, o dólar mostrou força ao logo de todo dia e renovou máximas mesmo após a primeira intervenção, pouco depois das 11h. Na segunda intervenção, às 15h30min, após ser negociado a R$ 4,23, acelerou para R$ 4,25. Pela tarde, foi o silêncio de Guedes sobre o câmbio que causou desconforto no mercado.

O economista em Nova York para América Latina do grupo financeiro ING, Gustavo Rangel, avalia que a intervenção do BC no mercado de câmbio faz sentido para limitar a volatilidade e dar liquidez. Mas a dúvida é que, se não é um movimento apenas pontual, pois é dia de rebalanceamento do MSCI, o BC pode estar apenas facilitando a saída para o investidor que está se ajustando à nova carteira.

Rangel ressalta, ainda, que as declarações de Guedes, dadas ontem à noite em Washington, causaram "ruídos", porque abrem espaço para interpretações sobre a política de intervenção do BC no câmbio, com o risco de irem além do que o ministro quis dizer, observa o economista. Rangel avalia que Guedes tem interpretação correta sobre os movimentos no câmbio e os juros baixos no Brasil, assim como o ministro disse, são um dos principais fatores por trás do real mais enfraquecido. Guedes disse não haver "nenhum problema" com o dólar alto no Brasil e que era a realidade de uma economia com juros mais baixos.

Para o sócio da Mauá Capital e ex-diretor do BC, Luiz Fernando Figueiredo, a ação do BC hoje no câmbio coloca por terra a ideia de que o governo gostaria de um dólar mais alto. Para ele, o discurso de ontem do ministro da Economia, assim como declarações anteriores do presidente do BC, Roberto Campos Neto, deram a impressão ao mercado de que o governo gostaria de ver a moeda norte-americana mais elevada. "A intervenção põe por terra essa ideia."

O economista do ING, prevê o dólar fechando o ano em
R$ 4,20. No ano que vem, pode cair mais, terminando 2020 em R$ 3,80, mas isso vai depender de o Produto Interno Bruto (PIB) crescer mais. Para ele, um PIB mais robusto atrairia capital externo para o Brasil, e o economista espera que isso ocorra no ano que vem, quando prevê avanço de 2,6% para a economia.

Analistas do mercado pontuam que a recente alta do dólar, que tem quebrado recordes, é fruto da saída da moeda do País. Neste ano, o saldo de câmbio contratado, que soma balança comercial e operações financeiras, está negativo em US$ 22,6 bilhões (R$ 95 bilhões), recorde nominal da série do Banco Central e início em 1982. Na bolsa de valores: há saída de R$ 35,5 bilhões de investimentos estrangeiros no ano.

Fala de Paulo Guedes sobre câmbio divide opiniões

Para investidores, governo está confortável com divisa acima de R$ 4,20

Para investidores, governo está confortável com divisa acima de R$ 4,20


/MARK WILSON/AFP/JC

A fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a continuidade do dólar em alta, dividiu opiniões no mercado financeiro. Alguns acreditam que ela foi proposital, outros creem que foi apenas uma fala infeliz.

"O dólar está alto. Qual o problema? Zero. Nem inflação ele (dólar alto) está causando. Vamos exportar um pouco mais e importar um pouco menos. É bom se acostumar com juros mais baixos por um bom tempo e com o câmbio mais alto por um bom tempo", declarou Paulo Guedes na segunda-feira à noite em Washington, nos Estados Unidos.

Com a fala do ministro, investidores interpretaram que o governo está confortável com o dólar acima de R$ 4,20 e veem espaço para a cotação subir mais, apostando na alta, o que eleva o valor da moeda. "Foi péssima a fala do Guedes. O dólar já estava alto ontem e, hoje, com a fala dele, subiu mais. Pode ser que o ele queria dizer que a moeda ficará em R$ 4,20, mas ele não deveria ter falado o que disse, parece que está jogando contra o País", conta Mauriciano Cavalcante, gerente de câmbio da Ourominas.

"Guedes não falou nada de absurdo sobe juros e dólar, ele retratou a realidade. Com o diferencial de taxa de juros de Brasil e Estados Unidos baixa, é normal que o dólar suba. Com a fala, o mercado interpreta que ele está contente com o dólar nesse patamar", diz Alan Ghani, professor de Economia na escola de negócios St. Paul.

Para Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio e sócio da Frente Corretora, a fala de Guedes sobre o câmbio foi proposital, tendo em vista a divulgação, mais cedo na segunda-feira, do déficit em transações correntes de US$ 7,9 bilhões (R$ 33,3 bilhões) em outubro, pior resultado para o mês desde 2014.

"Ele não é inexperiente para falar algo assim sem saber que vai impactar o mercado. Ontem, o anúncio de déficit corrente sinalizou um risco às contas, que pode ser revertido com real desvalorizado e mais exportações", diz Velolloni.

"Não acho que tenha sido proposital. Ele foi infeliz na fala dele. Queria dizer que estava tudo bem, mas causou stress no mercado e piorou a situação", afirma Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest.

'Há prós e contras no dólar como está agora', avalia Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira, que há prós e contras na cotação atual do dólar. "Se você for analisar na ponta da linha, tem vantagens, prós e contras no dólar a R$ 4,21 como está agora", disse Bolsonaro ao ser questionado sobre afirmação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O ministro declarou não estar preocupado com o dólar acima de R$ 4,20 e que vê o patamar da moeda como "normal". "Se ele falou, está falado. Eu espero que caia (patamar do dólar), torço, assim como torço que caia a taxa Selic, torço que aumente nossa credibilidade junto ao mundo. Agora, como eu disse, eu sou técnico de time de futebol, quem entra em campo são os 22 ministros. Paulo Guedes está jogando na Economia. Se você for analisar, na ponta da linha, tem vantagens, prós e contras no dólar a R$ 4,21 como está agora", disse o presidente.

Para Guedes, a alta do dólar é reflexo de uma mudança na política econômica, com juros mais baixos e câmbio de equilíbrio alto, que ainda não foi compreendida pela maior parte da população. Para Guedes, é "normal" que países que tenham maior controle fiscal exerçam uma política monetária mais frouxa.

COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia