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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de novembro de 2019.
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Edição impressa de 20/11/2019. Alterada em 20/11 às 03h00min

EUA pressiona Brasil para tentar evitar uso da tecnologia da Huawei

Preocupado com o avanço da Huawei, o governo dos EUA intensificou o lobby contra a entrada da companhia chinesa no mercado brasileiro do 5G. O leilão dessa nova tecnologia está previsto para o próximo ano. Representantes do presidente dos EUA, Donald Trump, têm aproveitado reuniões com autoridades brasileiras para levantar preocupações sobre a segurança dos equipamentos da Huawei, que estariam suscetíveis a ataques cibernéticos ou espionagem.
Preocupado com o avanço da Huawei, o governo dos EUA intensificou o lobby contra a entrada da companhia chinesa no mercado brasileiro do 5G. O leilão dessa nova tecnologia está previsto para o próximo ano. Representantes do presidente dos EUA, Donald Trump, têm aproveitado reuniões com autoridades brasileiras para levantar preocupações sobre a segurança dos equipamentos da Huawei, que estariam suscetíveis a ataques cibernéticos ou espionagem.
Ciente da ofensiva dos EUA, o novo presidente-executivo da Huawei no Brasil, Yao Wei, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro no Planalto na segunda-feira. Em outra frente, os americanos fizeram chegar a auxiliares de Bolsonaro o recado de que o aprofundamento da parceria na área de defesa depende de garantias de que as telecomunicações usadas pelo Brasil sejam confiáveis.
A chinesa é hoje a maior fornecedora de equipamentos de rede de telefonia no mundo. Mais da metade das operadoras usa essa tecnologia. Entre os dias 9 e 10 de outubro, o governo dos EUA enviou ao país especialistas para apresentar a autoridades brasileiras o CFIUS (sigla em inglês para Comitê de Investimento Estrangeiro).
Esse órgão é presidido pelo Departamento de Tesouro e tem o poder de revisar investimentos estrangeiros no país que ameacem a segurança nacional. Também fazem parte desse comitê representantes dos Departamentos de Justiça, de Defesa e de Estado, entre outras instituições ligadas ao governo norte-americano.
De acordo com pessoas que acompanharam as reuniões, a ideia de replicar no Brasil essa estrutura foi apresentada à Casa Civil, ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e aos Ministérios de Relações Exteriores e de Ciência e Tecnologia. O GSI, comandado pelo general Augusto Heleno, é hoje o principal entusiasta da ideia no governo no sentido de replicar essa estrutura no Brasil.
Embora não digam publicamente que a ação é destinada a impedir o avanço da Huawei no 5G, pessoas que acompanham o tema consideram que o alvo é a gigante de telecomunicações chinesa. Um CFIUS brasileiro seria, por exemplo, uma saída legal para tentar bloquear a entrada da Huawei na instalação das redes de quinta geração.
Em nota à reportagem, o governo americano, porém, diz que a entrada dos chineses na área traz "implicações de segurança". "Permitir equipamentos de telecomunicações chineses em qualquer ponto de uma rede 5G cria um risco inaceitável para a segurança nacional, infraestrutura, privacidade e direitos humanos", afirmou a missão diplomática.
Em sua primeira visita oficial a Jair Bolsonaro, o executivo da Huawei disse que a empresa quer ser fornecedora para as telecomunicações com seu 5G e que seus equipamentos são seguros. Yao Wei apresentou a companhia a Bolsonaro, destacando que ela atua há mais de 20 anos no País, não só fornecendo equipamentos como prestando treinamento aos engenheiros das operadoras.
O leilão do 5G está previsto para o próximo ano, e caberá às operadoras apresentar propostas. Elas terão de instalar suas redes seguindo especificações técnicas a serem definidas pelo governo brasileiro. Dependendo desses padrões, a Huawei pode ser impedida de fornecer equipamentos.
Para a China, o impedimento seria uma ofensa grave demais para levar adiante uma nova rodada de investimentos no Brasil. No mais recente encontro com Bolsonaro, na semana passada, o dirigente chinês, Xi Jinping, sinalizou com ao menos US$ 100 bilhões de fundos estatais para projetos no País - desde que o Brasil adote posição pragmática e abandone a retórica anti-China da ala ideológica do governo, o que tem causado certa discordância entre ministros e assessores do governo.
A Huawei incomoda seus concorrentes por ter desenvolvido equipamentos mais potentes, menores, e que operam a um preço mais baixo. Os EUA trabalham para que o leilão do 5G seja adiado. Isso porque suas empresas poderiam ganhar tempo para tentar alcançar o padrão tecnológico dos chineses. Ontem, o primeiro passo para o leilão foi dado, com a inclusão da concessão das frequências no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
 
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