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- Publicada em 02h07min, 07/11/2019. Atualizada em 03h00min, 07/11/2019.

ADCE convida empresários e gestores à reflexão

Fala da historiadora Carmem Migueles emocionou a plateia

Fala da historiadora Carmem Migueles emocionou a plateia


/MARCO QUINTANA/JC
Thiago Copetti
O encerramento do 9º FAS - Fórum ADCE para Sustentabilidade, organizado pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE-RS), nesta quarta-feira, foi destinado a promover a reflexão de empresários e executivos sobre temas além do campo dos negócios. Chamando o público para uma autoanálise e com palestrantes tão diversos como um físico e uma historiadora, entre outros profissionais, o evento realizado no Teatro do CIEE, na Capital, mexeu com o público e, em determinados momentos, emocionou os participantes.
O encerramento do 9º FAS - Fórum ADCE para Sustentabilidade, organizado pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE-RS), nesta quarta-feira, foi destinado a promover a reflexão de empresários e executivos sobre temas além do campo dos negócios. Chamando o público para uma autoanálise e com palestrantes tão diversos como um físico e uma historiadora, entre outros profissionais, o evento realizado no Teatro do CIEE, na Capital, mexeu com o público e, em determinados momentos, emocionou os participantes.
Ao relatar sua experiência com menores infratores no Rio de Janeiro, Carmem Migueles, PhD em Sociologia das Organizações e professora da Fundação Getulio Vargas, não conteve o choro. E também levou parte do público a conter, ou não, as lágrimas. Carmem relembrava um dia em que, ao levar canetinhas de colorir a um dos jovens infratores, o menino começou a chorar. Disse que nunca havia frequentado uma aula, mas adorava desenhos e cores. A história, disse, ainda a tocava muito, e no atual momento brasileiro, ressaltou, ganhava novo sentido.
"Há muita gente que diz 'bandido bom é bandido morto', mas nunca se colocou no lugar de quem cresceu em uma família toda envolta no crime e cujo único vetor que teve para se sentir parte de algo foi a criminalidade", ponderou Carmem, em painel cujo tema era Retomando o Rumo! Como (Re) Construir a Sociedade da Bondade?
A historiadora destacou, ainda, o papel da omissão diária de todos nas agruras do mundo atual. Ou nem tão atual assim, já que além dos dramas da sociedade contemporânea a professora fez uma retrospectiva para um tempo onde escravidão era um padrão aceitável.
"O homem negro ainda é o que menos estuda na população, o que mais incide na criminalidade e que menos tem alternativas para seguir outra vida. Mas nos omitimos todos os dias contra disparidades que vigoram há mais de 100 anos", lamentou Carmem.
A historiadora sucedeu no palco os palestrantes do painel Como a Partilha desenvolve a Vida em Plenitude, aberto pelo físico Antônio Benatti. Em uma palestra em que uniu análises dos comportamentos originados na natureza e alterados pela modernidade das relações, Benatti questionou o público diversas vezes sobre o que cada um fazia com os conhecimentos que tinha para reduzir as muitas diferenças sociais vivenciadas no dia a dia.
"Nossa senso de Justiça, assim com um software, também precisa ser constantemente atualizado. Passamos todos os dias por pessoas caídas nas ruas e nada fazemos. Temos hoje a predominância de moral asséptica, que é inócua", criticou Benatti, alertando o público para que saísse de suas zonas de conforto caso realmente quisessem mudar algo no mundo.
Acompanhando Benetti no palco estavam Draiton de Souza, Phd em Filosofia do Direito, e Maximiliano Wolfgramm, pastor luterano. Complementando a palestra do físico, Souza e Wolfgramm falaram sobre as condições psico sociológicas e espirituais, respectivamente, que moldam o comportamento humanos, seus defeitos e a busca pela felicidade, normalmente com uma visão egoísta e pouco voltada ao outro, destacaram ambos.
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