Porto Alegre, sexta-feira, 24 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 24 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Comércio Exterior

- Publicada em 21h36min, 29/10/2019. Atualizada em 21h36min, 29/10/2019.

Confederações apontam desafios do acordo com UE

Panzini e Lígia citaram setores com boas oportunidades de negócios

Panzini e Lígia citaram setores com boas oportunidades de negócios


/MARIANA CARLESSO/JC
Thiago Copetti
Entidades que representam a indústria e o agronegócio começam a intensificar suas sugestões estratégicas para que os dois setores a se preparem tanto para as oportunidades quanto para a nova concorrência que virá. Para intensificar essas ações, porém, empresários e executivos esperam ansiosos pela divulgação detalhada das listas de produtos e regras tarifárias que entrarão em vigor. Mesmo entidades como as confederações nacionais da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA) trabalham apenas com linhas gerais do acordo, que foi o tema, nesta terça-feira, do 1° Encontro de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).
Entidades que representam a indústria e o agronegócio começam a intensificar suas sugestões estratégicas para que os dois setores a se preparem tanto para as oportunidades quanto para a nova concorrência que virá. Para intensificar essas ações, porém, empresários e executivos esperam ansiosos pela divulgação detalhada das listas de produtos e regras tarifárias que entrarão em vigor. Mesmo entidades como as confederações nacionais da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA) trabalham apenas com linhas gerais do acordo, que foi o tema, nesta terça-feira, do 1° Encontro de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).
Segundo Fabrízio Panzini, gerente de Negociações Internacionais da CNI, a União Europeia (UE) tende a ratificar o acordo entre o final de 2020 e o início de 2021, a partir de quando os primeiros impactos econômicos do tratado devem começar a ter efeito no mercado brasileiro. Panzini acredita que o Congresso Nacional deverá votar e ratificar o acordo ao longo de 2020. Por isso, a indústria nacional deve começar o quanto antes a se preparar para a mudança. O executivo avalia que uma das grandes vantagens para o Brasil é reduzir custos de importação, aumentar a inovação e estimular a competitividade.
"É o maior e mais importante acordo já feito pelo Brasil. Ainda que alguns setores se sintam prejudicados, essa é uma imensa oportunidade que temos", afirmou Panzini, para quem a maior expectativa agora é ver aprovada a reforma tributária.
Enquanto o setor industrial está mais reticente quanto aos ganhos do acordo, o setor de agronegócios, aparentemente, absorveu melhor o que terá de perdas e ganhos com o novo cenário. Para a superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Alves, entre as maiores oportunidades estão a ampliação nos embarques de frutas, por exemplo, segmento onde a participação brasileira no contexto mundial ainda é pequena.
"O maior desafio é o transporte, mas isso no caso de frutas frescas, que precisam viajar em contêineres especiais. Mas temos também uma grande oportunidade de vender frutas secas e polpas, por exemplo", recomenda Lígia.
Ao se adaptar para o beneficiamento de frutas e ganhar o mercado europeu, diz a representante da CNA, a agroindústria estaria se qualificando também para o gigante mercado asiático. Duas entre as frutas com bom potencial de exportações listadas pela CNA são uva e maçã, que têm forte produção no Rio Grande do Sul. Hoje, frutas têm tarifas de até 25%. Em até dez anos após a entrada em vigor do acordo, o setor será de livre comércio.
"No agronegócio também são boas as perspectivas para outras culturas importantes no Rio Grande do Sul, como tabaco e carnes", avalia Lígia.
Nos setor primário, diz a executiva, os maiores empecilhos podem estar em barreiras sanitárias e fitossanitárias e nas diferenças de insumos utilizados na agricultura tropical e na europeia. Lígia avalia que questões ambientais poderão ser usadas por produtores e indústrias europeias para tentar barrar a entrada de produtos brasileiros. "Governo e empresas têm de estar mais presentes na Europa quebrando mitos e imagens distorcidas, utilizadas muitas vezes para criar reservas de mercado", alega a representante da CNA.
No segmento industrial, Panzini exemplificou setores gaúchos que podem ganhar com o acordo, como calçados e móveis. Lígia, porém, chamou a atenção para um fato que ainda estaria necessitando de ação mais efetiva por parte do governo brasileiro. "Quando toda essa negociação foi iniciada, não se falava da saída do Reino Unido da União Europeia. Agora, o cenário é outro e muitos países já estão fazendo acordos diretamente com o Reino Unido, ao contrário do governo brasileiro", alerta Lígia.

Por dentro do bloco europeu

A União Europeia (UE) abriga 513,5 milhões de pessoas, com bom poder de consumo
O bloco, unido, é o maior importador do mundo: responde por 32% das compras externas globais
Atualmente, 75% das exportações brasileiras para UE (em grupos de produtos) têm tarifas ou cotas.
A CNI estima que, com o acordo, as exportações brasileiras para o bloco europeu poderão ter incremento de US$ 9,9 bilhões, uma alta de mais de 20% sobre os US$ 42,1 bilhões de 2018, com geração de 778,4 mil empregos.
Para ajudar os empresário gaúchos a conhecerem melhor as oportunidades dentro do bloco a Fiergs lançou recentemente o Mapa das Oportunidades na União Europeia.
No link www.fiergs.org.br/servicos/mapas-de-oportunidades os interessados pode fazer pesquisas por produtos, como é mercado e quem está fornecendo para ele, entre outros itens de apoio à inteligência comercial internacional. O acesso ao mapa é gratuito.
Comentários CORRIGIR TEXTO