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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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comércio exterior

Edição impressa de 24/10/2019. Alterada em 23/10 às 21h56min

Até setembro, RS exporta menos US$ 1,1 bilhão

Devido à peste suína africana, chineses reduziram compra de soja

Devido à peste suína africana, chineses reduziram compra de soja


JONNE RORIZ/AE/JC
Thiago Copetti
Mais sujeito às turbulências globais do que a média nacional, devido à elevada participação das exportações no faturamento de diferentes empresas e setores, o Rio Grande do Sul amarga queda de 8,2% nos embarques externos nos primeiros nove meses deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2018. De janeiro a setembro de 2019, os gaúchos venderam para o exterior US$ 12,4 bilhões, contra US$ 13,5 bilhões do ano passado - redução de US$ 1,1 bilhão. Os dados são da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag).
Mais sujeito às turbulências globais do que a média nacional, devido à elevada participação das exportações no faturamento de diferentes empresas e setores, o Rio Grande do Sul amarga queda de 8,2% nos embarques externos nos primeiros nove meses deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2018. De janeiro a setembro de 2019, os gaúchos venderam para o exterior US$ 12,4 bilhões, contra US$ 13,5 bilhões do ano passado - redução de US$ 1,1 bilhão. Os dados são da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag).
O levantamento foi divulgado ontem, dentro do Boletim de Conjuntura do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Seplag, publicado pela primeira vez e que deverá ser trimestral. Considerando a exportação de plataformas de petróleo sob regime fiscal aduaneiro especial, a queda seria de 16,2% e, em valores, chegaria a US$ 2,6 bilhões. Isso porque, de acordo com Tomás Torenzi, pesquisador do DEE, essa transação ocorre apenas contabilmente, mas sem o ingresso de recursos, e, por isso, pode ser desconsiderada em análises da economia real, mas não dos cálculos oficiais.
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A maior parte da queda nos negócios reais veio da retração de 21,3% das vendas para a China, cuja compra de soja caiu de US$ 3,94 bilhões para US$ 2,55 bilhões no período. Também houve recuo significativa para a Argentina, generalizado em termos de produtos, com redução de US$ 1,242 bilhão para US$ 732,8 milhões (-41%).
Enquanto o mercado asiático diminuiu a demanda por soja por conta do abate em massa de animais devido à peste suína africana (e também aos elevados estoques feitos em 2018), os Estados Unidos incrementaram as compras de celulose, de papel e de tratores, de acordo com a coordenadora do estudo e chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa
Sulzbach. Para a economista, o peso das exportações para o Estado é bem acima da média nacional, porque há, no Rio Grande do Sul, muitas empresas que têm uma parcela significativa de suas vendas para fora, assim como para o agronegócio.
"Como a China vem abatendo milhares de suínos devido à peste africana, a demanda pelo grão para alimentar os animais foi drasticamente reduzida. Também contou na queda o fato de o país asiático ter feito grande estoque de segurança em 2018, elevando a base de cálculo do ano passado", explica Vanessa.
Como os Estados Unidos entraram em guerra comercial com o gigante asiático e também eram fornecedores do mercado chinês, o país intensificou a aquisição de soja brasileira no ano passado. O cenário, agora, é incerto, mas pode ter dois caminhos nos quais o Rio Grande do Sul ainda teria como contar com certa recuperação, diz Vanclei Zanin, analista do DEE. O pesquisador avalia que, se governo chinês decidir retomar a criação de suínos após o controle sanitário total, a compra de soja para ração pode ser retomada com intensidade. Por outro lado, caso a China decida não recriar o plantel e optar por seguir comprando proteína animal de outros países, como já vem fazendo, o Estado pode ganhar exportando mais carnes.
"Os chineses acabaram de habilitar diversas plantas para exportação de frango, por exemplo. Isso pode ajudar a compensar a queda nas vendas de soja. Como essas habilitações ainda são recentes, as vendas não começaram, mas pode ajudar a aliviar um pouco a queda nas exportações", ressalta Zanin.
Enquanto isso não ocorre, o Rio Grande do Sul se beneficiou, por exemplo, do aumento das vendas da CMPC, que ampliou sua planta fabril no Estado recentemente e vem expandido seus embarques para os Estados Unidos há dois anos, de acordo com a estudo do DEE. Nos primeiros nove meses deste ano, as exportações para os EUA cresceram 19,5%, e as vendas de celulose e papel, como um todo, tiveram alta de 65,5%. Segundo a coordenadora do departamento, além disso, o mercado norte-americano também passou a absorver tratores que antes eram enviados à Argentina. Entre os produtos gaúchos com alta nas exportações também se destacaram as vendas de fumo, com incremento de 33,3%.

Os principais números das exportações gaúchas

(entre janeiro e setembro de 2018 e 2019)
Agropecuária:de US$ 4,3 bilhões para US$ 2,99 bilhões (-30,7%)
Produtos alimentícios:de US$ 2,2 bilhões para R$ 2,1 bilhões (-4,7%)
Produtos do fumo: de US$ 1 bilhão para 1,3 bilhão (33,3%)
Produtos químicos: de US$ 1,23 bilhão para US$ 1,2 bilhão (-4,2%)
Celulose e papel: de US$ 0,7 bilhão para US$ 1,14 bilhão (65,5%)
Fonte: MDIC/Secex

No mercado interno, destaque para o segmento automotor

Por diferentes motivos, o segmento de veículos automotivos, reboques e carrocerias tiveram crescimento destacado na produção industrial gaúcha nos primeiros nove meses de 2019 ante o mesmo período de 2018. A expansão de 25,7% na atividade deste setor no Rio Grande do Sul é muito acima da média nacional, de 2,1%. De acordo com a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach, isso ocorreu basicamente por dois motivos.

Um dos fatores de estímulo ao segmento, de acordo com a economista, é que, após a paralisação dos caminhoneiros, começou a haver maior procura de empresas de diferentes segmentos por frotas próprias de transporte. E como o Rio Grande do Sul tem um forte polo produtor de veículos pesados e relacionados, houve expansão do segmento. Mas também há aumento na venda de veículos leves. Uma das razões, diz Vanessa, pode estar ligada ao incremento do uso de aplicativos de transporte e, com isso, maior demanda por carros.

"A GM, que produz aqui no Estado, tem uma política diferenciada de vendas em relação a outros fabricantes e mantém venda direta para três grandes locadoras de veículos, que, por sua vez, locam carros para aplicativos de transporte", analisa Vanessa.

Com isso, as vendas internas de automóveis cresceram, de janeiro a junho, 29,7% no Estado, ante 13,8% no Brasil. Já as exportações tiveram quedas superiores a 30% nos dois casos, especialmente devido à crise na Argentina.

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