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Agronegócios

- Publicada em 03h07min, 11/10/2019. Atualizada em 03h00min, 11/10/2019.

Custos para safra de verão sobem cerca de 7%

Para reduzir risco, especialista recomenda travar até 40% da produção

Para reduzir risco, especialista recomenda travar até 40% da produção


/CESAR MACHADO/VALE PRESS/AE/JC
Marcelo Beledeli
A alta dos custos de produção preocupa os produtores de grãos gaúchos. Com os principais insumos adquiridos a preços elevados durante um período em que a cotação do dólar era baixa, uma eventual queda do câmbio na hora da colheita poderia derrubar a rentabilidade das lavouras. Para evitar essa situação, especialistas estão recomendando que os agricultores façam contratos de venda antecipada com proteção cambial, reduzindo os riscos de perdas.
A alta dos custos de produção preocupa os produtores de grãos gaúchos. Com os principais insumos adquiridos a preços elevados durante um período em que a cotação do dólar era baixa, uma eventual queda do câmbio na hora da colheita poderia derrubar a rentabilidade das lavouras. Para evitar essa situação, especialistas estão recomendando que os agricultores façam contratos de venda antecipada com proteção cambial, reduzindo os riscos de perdas.
Segundo levantamento da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) divulgado nesta quinta-feira, em relação à primeira semana de outubro de 2018, os custos da safra de verão tiveram aumento de 6,93% na soja e de 7,33% no milho. Para o milho, o estudo chegou a um valor estimado de R$ 4.676,61 por hectare (com produtividade de 9,5 mil quilos por hectare), com o custo médio por saco de R$ 29,23. Já na soja, o valor é de R$ 3.473,00 por hectare (com produtividade estimada em 3,6 mil quilos de produtividade), sendo que o custo médio por saco de 60 quilos ficou em R$ 57,88.
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Conforme a FecoAgro/RS, comparando os custos de produção com os preços ofertados no mercado, no caso do milho, o valor está levemente acima do praticado na primeira semana de outubro de 2018, ou seja, 0,19% superior. Em relação à soja, o preço está inferior em 1,33%, com o preço ao produtor está praticamente no mesmo patamar de 2018 se comparado com os preços de outubro de 2019. Ainda assim, o resultado esperado é de uma margem positiva de R$ 1.019,80 por hectare no caso da soja e de R$ 427,39 por hectare para o milho.
Para analistas, boa parte da elevação dos custos de produção deve-se à variação do dólar no período. Em 10 de outubro de 2018, o dólar comercial era cotado a R$ 3,7635. No entanto, na maior parte de 2019 a moeda norte-americana ficou cotada acima de R$ 3,80, passando de R$ 4,00 em agosto, quando alguns produtores ainda estão adquirindo insumos. Nesta quinta-feira (10), o dólar comercial fechou R$ 4,1224. "Houve outros fatores, como aumento dos combustíveis e frete, mas a alta do dólar foi impactante nos preços dos insumos", destaca Tarcísio Minetto, assessor econômico da FecoAgro/RS.
Segundo Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Consultoria Safras & Mercado, o atual nível do dólar ainda garante rentabilidade para o produtor. No entanto, caso aconteça uma desvalorização cambial forte até a hora da colheita, a queda no valor pago pode comprometer as contas dos agricultores. "Muito depende do acordo comercial entre Estados Unidos e China. Com a eventual melhora do humor internacional, o câmbio pode cair, reduzindo o preço na hora da venda", destaca.
Para se protegerem dos riscos cambiais, Roque recomenda que os produtores usem mecanismos de hedge, fazendo vendas de contratos futuros com valor ou câmbio travado. "Em um ano normal, a recomendação seria, ao iniciar a colheita, já ter pelo menos 30% da produção negociada. Nas atuais condições, para ficar menos exposto a risco cambial, talvez seria bom aumentar para 40%, conforme as possibilidades", afirma o analista.
Um dos produtores que já pensa em realizar esse tipo de seguro é Roberto Bergamini, de Getúlio Vargas. "Nunca pratiquei travamento, mas a situação agora é diferente. O mercado é muito volátil, e os conflitos comerciais descaracterizam a situação que acontecia antigamente. Hoje acabou a ideia de estocar e esperar o melhor preço, é preciso se proteger."
Bergamini, que pretende plantar 1.425 hectares de soja e 470 de milho, destaca que as margens de lucro dos produtores vêm decrescendo ano a ano com a tendência de elevação dos custos de produção. "Ao longo do tempo, o consumo de químicos tem aumentado, e eficiência dos produtos não é tão alta quando vendem. Estamos tendo um ônus cada vez maior, enquanto o mercado está pagando preços em dólar abaixo das médias históricas."
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