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- Publicada em 03h07min, 03/09/2019. Atualizada em 03h00min, 03/09/2019.

Governo argentino monta operação para frear nervosismo, e dólar cai

Movimento nas casas de câmbio e nas agências bancárias foi intenso

Movimento nas casas de câmbio e nas agências bancárias foi intenso


/RONALDO SCHEMIDT/AFP/JC
Após um fim de semana tenso, o dólar cedeu nas primeiras horas desta segunda-feira na Argentina. O governo inundou os bancos com cédulas da moeda americana para atender à demanda de correntistas que buscaram agências do Centro da capital, Buenos Aires, após o anúncio, no domingo, de que o acesso a dólares seria mais restritivo.
Após um fim de semana tenso, o dólar cedeu nas primeiras horas desta segunda-feira na Argentina. O governo inundou os bancos com cédulas da moeda americana para atender à demanda de correntistas que buscaram agências do Centro da capital, Buenos Aires, após o anúncio, no domingo, de que o acesso a dólares seria mais restritivo.
Carros-fortes circulavam pelo centro financeiro da capital nesta segunda-feira. Também contribuiu para a moderação o feriado nos EUA, que reduz naturalmente os negócios em dólar. Dessa maneira, a cotação oficial da moeda americana, que abriu sob pressão e chegou a ser negociada por 64 pesos, encerrou a segunda-feira em 58,26 pesos. O movimento também foi grande nas casas de câmbio.
Eduardo Martínez foi a uma agência do Banco de la Ciudad na Florida para sacar parte de seus depósitos. Ele disse que havia muito movimento, mas que todos estavam sendo atendidos. "Há muita histeria, mas a verdade é que os bancos estão lhe entregando o seu dinheiro", afirmou.
Muitos buscavam as agências para se informar sobre o que poderia ocorrer com seus depósitos, que, no país, podem ser feitos em dólar ou em pesos. Em uma sucursal do Banco Macro, um funcionário disse que havia movimentação "acima do normal" com relação às caixas-fortes - na Argentina, é possível guardar dólares não apenas em contas-correntes, mas também em caixas de segurança.
"Nem todos vêm retirar o dinheiro, muitos vêm fazer perguntas, se vão mexer nas caixas-fortes ou não. As pessoas lembram de 2001, sabe como é", disse um funcionário do banco.
Em 2001, quando se determinou o "corralito", as contas dos argentinos foram congeladas, porém não se tocaram nas caixas-fortes. Assustados, porém, os clientes dos bancos tentavam entrar para retirar o que havia ali, com medo de que uma medida seguinte do governo fosse impedir o acesso a esses cofres. Isso causou, entre outras coisas, a violência contra os bancos, que tiveram portas arrombadas, vidraças quebradas.
No domingo, o governo argentino anunciou medidas restritivas ao acesso a dólares para pessoas físicas, mas com o teto elevado - o limite é de compra de até US$ 10 mil por mês. O maior temor do governo é o de que as pessoas saquem pesos dos bancos e comprem dólares para se proteger, em uma estratégia maciça de busca de proteção. Isso poderia desencadear uma pressão adicional nas cotações e empurrar o país para a hiperinflação. Com a alta de preços rodando 54% ao ano, a palavra voltou aos debates econômicos do país.
Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, o ministro da Economia, Hernán Lacunza, afirmou que as medidas adotadas pelo governo para restringir o acesso a dólares visam estabilizar a cotação da moeda americana durante o processo eleitoral. As eleições argentinas ocorrem no próximo dia 27 de outubro, e a oposição, liderada pelo peronista Alberto Fernández, é a favorita, criando uma sensação de que o país já vive uma transição, apesar de estar a mais de 50 dias do pleito.
A vantagem dos peronistas, que evitam dizer como pretendem lidar com a crise econômica, levou à atual corrida cambial.
Questionado sobre se as medidas foram acordadas com a oposição, Lacunza afirmou que houve comunicação, mas não há "governo" neste momento no país. "As medidas não foram consensuadas, mas informadas em um diálogo institucional com a oposição", afirmou o ministro do governo Mauricio Macri, que tenta a reeleição. "Não há um governo, mas uma relação de respeito com a oposição."
No exterior, os títulos da dívida argentina denominados em euro e dólar caíam para mínimas recordes. Os investidores se preocupam com a possibilidade de que, uma vez que os controles estejam em vigor, seja mais difícil fazer remessas em dólares ao exterior para pagamentos de dívidas de outros compromissos, deixando a Argentina com uma economia distorcida pela intervenção do governo.
 

As principais medidas anunciadas

Compra de dólar
Pessoas físicas poderão comprar ou transferir até US$ 10 mil por mês. No caso de não residentes, o limite é de US$ 1 mil. Operações acima desse valor, como a compra ou a venda de imóveis, terão de ser autorizadas pelo Banco Central.
Contas em dólar
Não haverá restrição para saques.
Turistas
Não haverá restrições para turistas nem para argentinos no exterior.
Horários
Os bancos vão ampliar o horário de funcionamento em setembro, até as 17h.
Compra de dólar por empresas
Se a finalidade for pagar importações ou dívidas em moeda estrangeira, não haverá necessidade de autorização do BC. Mas, se for apenas para manter em caixa, será necessário pedir autorização ao BC.
Remessa de lucros e dividendos
As empresas terão de pedir autorização ao BC para enviarem lucros e dividendos ao exterior.
 
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