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Porto Alegre, sexta-feira, 06 de setembro de 2019.

Jornal do Comércio

01/09/2019 - 17h56min.
Alterada em 06/09 às 17h45min
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Expointer movimenta R$ 2,69 bilhões em 2019

Governador Eduardo Leite apresentou os resultados dos negócios durante a coletiva de encerramento da Expointer

Governador Eduardo Leite apresentou os resultados dos negócios durante a coletiva de encerramento da Expointer


CLAITON DORNELLES /JC
Rafael Vigna
O otimismo e o predomínio de dias ensolarados no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, trouxeram reflexos positivos para os números oficiais da 42ª Expointer. Ao todo, foram negociados R$ 2,69 bilhões em nove dias de feira, crescimento de 17,37% na comparação com o ano passado. Do montante, 94,4% veio do setor de máquinas e implementos agrícolas, que fechou a edição com R$ 2,54 bilhões, alta de 11,43%.
Até o encerramento da feira neste domingo, 416.416 pessoas passaram pelo Parque de Exposições Assis Brasil. A divulgação dos resultados do evento foi feita pelo governador Eduardo Leite, na tarde de ontem. "Estes dados injetam confiança na economia do Estado. É por isso que sempre insistimos, no nosso governo, em dar espaço ao empreendedorismo, em reduzir a burocracia e aumentar o volume de participação dos nossos bancos públicos. Tudo isso nos dá a certeza de que a economia do Estado é forte. O governo tem seus problemas, estamos implantando ações para resolvê-los, mas a economia exerceu sua força aqui na Expointer", declarou.
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A má notícia veio dos animais. O volume de vendas caiu 18,01%, de R$ 10,2 milhões, em 2018, para R$ 8,4 milhões, em 2019. A justificativa, segundo o secretário da Agricultura, Covatti Filho, passa pela não realização de alguns leilões - um de cavalos crioulos, outro de sêmens e embriões, e outro de novilhas. "Não houve interferência da feira neste aspecto. Foram decisões das cabanhas e associações. Precisamos trabalhar para reconsolidar esses números, pois a origem da feira é agropecuária", disse.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, celebrou os dados do setor - consolidados sobre R$ 2,3 bilhões comercializados no ano passado. Bier ainda lembrou que este é o quarto ano consecutivo de alta nas vendas. Também apresentou um relatório sobre os financiamentos. Segundo ele, o bolo dos financiamentos foi dividido entre BRDE (R$ 254 milhões); Banco do Brasil (R$ 550 milhões); Banrisul (R$ 357 milhões); Sicredi (R$ 130 milhões); Badesul (R$ 466 milhões); Banco de Fábrica, Bradesco, Santander e Sicoob (R$ 355 milhões); e vendas diretas da indústria e à vista (R$ 504 milhões).
O artesanato fechou em alta de 8,38%, com R$ 1,3 milhão vendido. No setor de automóveis, a comercialização somou R$ 139 milhões, mas não há base de comparações, pois os dados de 2018 não foram divulgados naquela ocasião. O segmento ocupa, agora, a segunda colocação no movimento financeiro geral, atrás apenas de máquinas e implementos agrícolas.
Outra pauta recheada de otimismo veio da projeção da Emater-RS, indicando colheita recorde de verão, com 33,2 milhões de toneladas, e a maior safra de soja da história, com 19,7 milhões de toneladas. Em linha oposta, a crise nas cadeias do arroz e do leite esteve em voga. Apesar de poucas soluções, o assunto foi cercado de expectativa, principalmente durante a passagem da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, pelo parque.
A 42ª Expointer foi marcada por temas que tendem a movimentar o agronegócio. Discussões sobre a abertura de novos mercados com o acordo entre o Mercosul e a União Europeia estiveram presentes, assim como as queimadas na Amazônia, os incidentes diplomáticos entre Brasil e França, e os ataques internacionais à política ambiental do governo federal.

Máquinas e agroindústrias pedem mais espaço em 2020

Bier reforçou o pedido de ampliação da área destinada ao setor
Bier reforçou o pedido de ampliação da área destinada ao setor
/MARCELO G. RIBEIRO/JC

Durante a abertura oficial da 42ª Expointer, o presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Cláudio Bier, fez um pedido público ao governador Eduardo Leite e ao secretário Estadual da Agricultura, Covatti Filho, para que a área destinada ao setor seja ampliada em 2020. A demanda foi reforçada neste domingo, durante a apresentação dos dados oficiais da feira.

"Não posso deixar de pedir aos senhores. As nossas empresas estão investindo cada vez mais e pedindo áreas maiores. Faço este apelo em público para que nos concedam mais espaço. Os senhores podem ter certeza de que não se arrependerão, pois teremos, no próximo ano, uma feira ainda maior do que essa", solicitou.

Ao ouvir o apelo, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva também aproveitou o momento para pedir a ampliação dos espaços da agricultura familiar. "O Simers já tem metade do parque e quer ampliação, a agricultura familiar também precisa de mais espaço", brincou Silva.

Clima de otimismo marca balanço da Farsul

Gedeão destacou o alinhamento entre produtores e governos
Gedeão destacou o alinhamento entre produtores e governos
/CLAITON DORNELLES/JC
Ana Esteves
Apesar das turbulências que têm marcado o agronegócio, como as queimadas na Amazônia e a falta de anúncios concretos para o setor por parte da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em sua visita à Expointer, o clima foi de otimismo durante o balanço final da Farsul, realizado neste domingo em Esteio. "O clima da Expointer não poderia ser melhor, foi excelente, porque existe um alinhamento estratégico entre produtores rurais e os governos estadual e federal, harmonia, grandes resultados e um peso político muito forte", disse o presidente da Farsul, Gedeão Pereira. Apesar de frustrar a expectativa do setor arrozeiro, adiando as medidas referentes à renegociação das dívidas, a presença da ministra foi exaltada pelo dirigente. "Ela nos engrandeceu, foi muito pró-ativa na Expointer e honesta ao lidar com a crise da Metade Sul, das lavouras de arroz, e dizer que o governo tem grandes dificuldades econômicas e está atrás de uma solução", disse o dirigente. 
Sobre a onda de queimadas na Amazônia, Gedeão disse que as discussões sobre questões ambientais são importantes, pois o agronegócio brasileiro é muito "injustiçado", porque, "se existe um produtor rural que preserva o meio ambiente, é o brasileiro". Para ele, a maior prova da preservação é que os produtores desenvolvem a tecnologia do plantio direto, que depende do acúmulo de palha. "Se queimar essa palha, acaba o plantio direto." Sobre a Amazônia, Gedeão disse que é preciso separar o legal do ilegal: "É bom lembrar que o produtor rural amazônico tem direito de desmatar até 20% do seu território, mas não compactuamos com incêndios".
O coordenador da Comissão de Exposições da Farsul, Francisco Schardong, disse que houve uma queda de mais de R$ 1,6 milhão na comercialização de animais, em função, principalmente, do cancelamento da 15ª Feira de Novilhas e Ventres Selecionados da Farsul, por problemas sanitários. Alguns animais não tinham realizado de maneira correta o teste de diagnóstico de tuberculose, e outros foram impedidos de participar do remate por estarem infestados de carrapatos e por apresentarem papilomas. Ainda com foco em sanidade animal, outro tema de destaque foram os debates sobre a proposta de suspensão da vacinação contra febre aftosa no Estado. Sobre esse assunto, a Farsul aguarda o resultado dos relatórios técnicos de uma auditoria que deve sinalizar sobre o rumo a ser tomado: ou para a retirada da vacina, ou para a sua manutenção. "Independentemente do resultado, nosso primeiro passo será convocar uma assembleia junto aos sindicatos rurais, e eles é que determinarão o que devemos fazer. Em caso de resposta positiva, temos que analisar as condições e os custos que a retirada da vacina acarretará", disse Gedeão.

Agricultura familiar supera expectativas e bate novo recorde, com R$ 4,5 milhões em vendas

O Pavilhão da Agricultura Familiar superou todas as expectativas na 42ª Expointer. Em nove dias, 316 expositores de 139 municípios gaúchos comercializaram R$ 4,5 milhões em produtos. O valor excede em 13,51% os R$ 4 milhões registrados no ano passado.
Mais do que vendas - que, em alguns casos, ultrapassam a capacidade de produção mensal das agroindústrias -, a feira é o momento ideal para selar contatos e garantir novos negócios. Ronaldo Serafim, proprietário da Nossa Versão, de Gramado, é um dos 55 novos expositores do espaço que bateu todos os recordes em 2019. Há dois anos, após um curso de pasteurização de leite, ele formalizou uma agroindústria para a produção de pastas, patês e molhos de queijo. A base é fundamentada em uma receita de sua bisavó.
As variedades incluem gorgonzola, parmesão e parmesão com nozes. Em Esteio, Serafim vendeu mais de 20 caixas do produto, o equivalente a 1.156 vidros de 160 g. "Além do que comercializamos, os contatos para pontos de vendas em outros municípios valeram a vinda a Esteio", afirma.
Marcelo Camelo, da Bolson e Camelo Laticínios, de Caxias do Sul, trouxe 1,3 mil quilos de queijo colonial. Até a manhã de domingo, as vendas superavam uma tonelada. A capacidade de produção mensal da agroindústria é de 1,5 mil kg. "Isso significa que vendemos o equivalente a um mês de produção em nove dias", celebra.
A proprietária da Embutidos Bini, de Não-Me-Toque, Solange Bini, participa da Expointer há 10 anos com salames e linguiças, além de filé, pernil e lombo de porco defumados. "Foi a melhor edição da década." Solange precisou repor os itens em três oportunidades neste ano. "Na quarta-feira, quinto dia, já tínhamos vendido a mesma quantidade de produtos que no ano passado inteiro", conta.
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