Porto Alegre, domingo, 26 de julho de 2020.
Dia dos Avós.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 26 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Conjuntura Internacional

- Publicada em 03h02min, 19/08/2019. Atualizada em 03h00min, 19/08/2019.

Acordo da Argentina com o FMI é impossível de cumprir, diz Fernández

Para Alberto Fernández, é preciso renegociar com a instituição adiamentos dos pagamentos previstos para os próximos anos

Para Alberto Fernández, é preciso renegociar com a instituição adiamentos dos pagamentos previstos para os próximos anos


/ALEJANDRO PAGNI/AFP/JC

O candidato vencedor das eleições presidenciais primárias da Argentina, Alberto Fernández, declarou que o acordo firmado pelo governo do atual presidente do país, Mauricio Macri, para pagamento de dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é "impossível de cumprir".

O candidato vencedor das eleições presidenciais primárias da Argentina, Alberto Fernández, declarou que o acordo firmado pelo governo do atual presidente do país, Mauricio Macri, para pagamento de dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é "impossível de cumprir".

Para Fernández, Macri precisa renegociar com a instituição adiamentos dos pagamentos previstos para os próximos anos. "É a única solução", disse, em entrevista ao jornal La Nación. Em 2018, o governo local tomou empréstimo de US$ 57 bilhões do FMI.

No sábado, Macri decidiu substituir o ministro da Economia. Saiu Nicolás Dujovne, que estava no cargo desde o começo de 2017, e, em seu lugar, assume Hernán Lacunza, que era ministro da Economia da Província de Buenos Aires e também integrante do partido do governo. Dujovne foi responsável por articular o impopular acordo de empréstimo do FMI.

A realização desse acordo com o FMI foi decisiva para ampliar a impopularidade de Macri, pois expôs que as dificuldades econômicas do país não estavam sendo vencidas pelo governo. Na ocasião, a inflação vinha em alta, e o acordo com o fundo buscava, entre outras providências, garantir recursos para dar estabilidade ao peso, que se desvalorizou 52% no ano passado. Entre especialistas, o país agora corre risco de voltar a viver a hiperinflação.

Outro problema foi o fato de Dujovne ter discordado das medidas anunciadas por Macri para tentar reverter sua derrota política no dia 11 de agosto, quando perdeu para o candidato kirchnerista, Alberto Fernández, por uma diferença inesperada de 15 pontos e o país entrou em nova crise financeira.

As medidas vão contra a cartilha liberal de Macri e seus aliados, mas foram adotadas na tentativa de reverter a perspectiva de derrota e dar novo fôlego à candidatura na disputa do primeiro turno, no próximo dia 27 de outubro. O pacote inclui cortes em impostos, congelamentos e aumento do salário-mínimo.

Para justificar sua oposição ao novo pacote, Dujovne argumentou que o FMI tende a discordar das medidas e interpretar que a Argentina não está cumprindo os requisitos do acordo, que incluem o compromisso de fazer ajustes fiscais e aumentar a arrecadação. Macri, porém, temendo a derrota nas urnas, insistiu em soltar o pacote. Dujovne também era muito atacado pela oposição, pois, em suas declarações de impostos, mostrava abertamente que seus bens familiares estavam todos em investimentos no exterior.

Hernán Lacunza, 49 anos, é economista, formado pela Universidade de Buenos Aires, e já foi gerente-geral e economista-chefe do Banco Central argentino (2005-2010). É conhecido por sua lealdade à governadora de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, e por seu alinhamento a Macri.

A seleção de um ministério da Economia sempre foi um problema para o presidente argentino. Inicialmente, foi chamado para o cargo o economista Alfonso Prat-Gay. Porém, por se destacar mais que o próprio presidente e por diferenças de opiniões, Macri decidiu substituí-lo por uma figura mais discreta, Dujovne. Lacunza, que assume a quatro meses do fim deste mandato, é ainda mais discreto que seu antecessor.

Para Bolsonaro, país vizinho está cada vez mais próximo da Venezuela

O presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer comentários sobre o processo sucessório na Argentina na manhã deste domingo e disse que o país vizinho está cada vez mais próximo da Venezuela, em seu perfil no Twitter. "Da série João 8:32 (4): Com o possível retorno da turma do Foro de São Paulo na Argentina, agora o povo saca, em massa, seu dinheiro dos bancos. É a Argentina, pelo populismo, cada vez mais próxima da Venezuela", afirmou ele, referindo-se à chapa liderada por Alberto Fernández e que conta com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice.

E completou: "Provérbios 28:19: Quem lavra sua terra terá comida com fartura, quem persegue fantasias se fartará de miséria".

Pouco tempo após o pai postar o comentário em seu perfil no Twitter, seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou o tweet com a seguinte afirmação: "Nós que estamos aqui de fora olhando o que está acontecendo com a Argentina nem acreditamos. Mas ainda creio que a Argentina não naufragará em outubro", disse o deputado, filho 03 de Bolsonaro.

Neste domingo, em uma tentativa de aliviar as tensões com o presidente do Brasil, o candidato kirchnerista buscou tranquilizar o mandatário brasileiro em relação a políticas econômicas de sua eventual administração. "Para mim, o Mercosul é um lugar central. E o Brasil é o nosso principal parceiro e vai continuar a ser. Se Bolsonaro pensa que vou fechar a economia, que fique tranquilo, porque não vou. É uma discussão tonta", declarou.

Apesar de dizer que não se opõe ao Mercosul, Fernández ponderou que acordos comerciais devem considerar os interesses nacionais. "Meu problema não é que a economia se abra. Meu problema é que essa abertura cause danos aos argentinos", afirmou o candidato à presidência argentina. Ele ainda disse que, em uma eventual administração, aplicará política cambial de "flutuação administrada" do dólar - e repetiu que a atual cotação do dólar é "adequada".

Comentários CORRIGIR TEXTO