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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

Edição impressa de 07/08/2019. Alterada em 07/08 às 03h00min

Estados articulam alta de imposto sobre exportações

Com a mudança, governadores poderiam definir suas próprias alíquotas

Com a mudança, governadores poderiam definir suas próprias alíquotas


GUSTAVO MANSUR/PALÁCIO PIRATINI/JC
Reunidos em Brasília, nesta terça-feira, governadores articularam a elaboração de uma proposta que, na prática, permitiria um aumento na tributação estadual sobre produtos exportados. Chefes dos governos regionais afirmam que a chamada Lei Kandir não funciona e avaliam a possibilidade de revogação do instrumento, que recompensa os estados que desoneram exportadores de produtos primários e semielabordos. A partir da mudança, os governadores ganhariam autonomia para definir suas alíquotas.
Reunidos em Brasília, nesta terça-feira, governadores articularam a elaboração de uma proposta que, na prática, permitiria um aumento na tributação estadual sobre produtos exportados. Chefes dos governos regionais afirmam que a chamada Lei Kandir não funciona e avaliam a possibilidade de revogação do instrumento, que recompensa os estados que desoneram exportadores de produtos primários e semielabordos. A partir da mudança, os governadores ganhariam autonomia para definir suas alíquotas.
A chamada Lei Kandir, de 1996, retirou a incidência do ICMS, imposto estadual, sobre as operações que destinem mercadorias ao exterior. Ano a ano, estados precisam negociar com o governo federal a transferência de recursos como uma forma de compensar a redução de arrecadação. Eles reclamam, porém, que não conseguem recuperar as perdas. Parte dos participantes do encontro em Brasília defendeu a apresentação de uma proposta de lei complementar ao Congresso para extinguir a lei e permitir que cada governador defina os percentuais de cobrança, dentro de uma faixa com alíquotas mínimas e máximas.
Ao fim da reunião, diante de divergências, ficou decidido que o tema será levado para um debate técnico no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Só depois será tomada uma decisão sobre a estratégia a ser adotada.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), defendeu a inclusão do tema em projeto de lei complementar a ser enviado ao Congresso após emissão de parecer pelo Confaz. "A discussão é em relação a voltar com a autonomia aos estados de poder tributar sobre toda a produção de seu próprio estado, o que nos foi retirado e que, até hoje, não temos a compensação feita pelo governo federal", disse. Para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), esse debate deveria fazer parte da reforma tributária, cuja discussão deve ganhar força neste semestre. Enquanto isso, cobra que o governo faça repasses aos estados. "Exigimos que seja feito imediatamente por parte do governo federal um projeto para alterar o Orçamento e retomar o pagamento aos estados", afirmou.
De acordo com o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), governadores pleiteiam repasses entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões referentes às compensações de 2018 e 2019. Um passivo ainda maior, de anos anteriores, está em discussão na Justiça. Estados pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que solucione a questão, que já foi tema de análise na corte.
Em 2016, o STF determinou que o Congresso regulamentasse os repasses da União como forma de compensar a desoneração das exportações previstas na Lei Kandir. Na ocasião do julgamento, o STF fixou o prazo de um ano para que o Congresso legislasse sobre a divisão dos repasses compensatórios.
Se não o fizesse, caberia ao Tribunal de Contas da União (TCU) criar as regras. Porém ainda não há decisão. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que ainda espera que o governo normalize os repasses. Se isso não for possível, também defendeu que os estados tenham autonomia para tributar, desde que as alíquotas sejam baixas para que o Brasil não perca competitividade.

Há discussão para que estados possam cobrar ICMS de exportações, diz Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse, nesta terça-feira, que está em discussão a ideia de dar autonomia a estados cobrarem pelo ICMS em produtos exportados. Hoje, essas operações são isentadas pela Lei Kandir. Segundo Alcolumbre, há uma conversa com o governo federal sobre o tema, assim como em torno do que seria devido em 2019 aos estados pela União em função da desoneração.

"Eu trabalhei antes do recesso muito com o ministro Paulo Guedes (Economia), com equipe econômica, para que o governo pudesse pelo menos quitar as obrigações do ano de 2019 em relação à Lei Kandir, do exercício do governo Jair Bolsonaro (PSL). Há um sentimento de apoiamento por parte do governo dessa nossa demanda", disse Alcolumbre, após receber governadores na residência oficial. Os estados querem voltar a ter autonomia para legislar sobre essa tributação, mas devem aguardar o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para discutir a revisão da lei. "É o sonho deles a vida toda, tributar o ICMS dos produtos de exportação, especialmente grãos, matéria-prima, minério e grãos. Então a gente está construindo isso em um acordo com o governo. Está indo muito bem", disse Alcolumbre. Segundo ele, a mudança seria feita através de uma PEC.

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