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Porto Alegre, sexta-feira, 05 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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reforma da previdência

Edição impressa de 05/07/2019. Alterada em 05/07 às 07h40min

Comissão aprova texto-base da Previdência

Mudanças do relator receberam 36 votos favoráveis e 13 contrários

Mudanças do relator receberam 36 votos favoráveis e 13 contrários


/PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS/JC
Por 36 a 13, a reforma da Previdência foi aprovada pela comissão especial da Câmara. O colegiado é formado por 49 membros. A reforma seguirá para apreciação do plenário da Câmara.
Por 36 a 13, a reforma da Previdência foi aprovada pela comissão especial da Câmara. O colegiado é formado por 49 membros. A reforma seguirá para apreciação do plenário da Câmara.
Em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro enviou ao Congresso uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para reestruturar o sistema de aposentadoria e pensões dos trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos. A equipe econômica espera economizar cerca de R$ 1 trilhão em 10 anos com a aprovação da atual versão da reforma. O texto apresentado pelo governo foi alterado na Câmara, mas os principais pilares do projeto foram mantidos no relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que sofreu pressão de partidos, servidores e lobistas durante as negociações.
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A reforma, em tramitação no Congresso, estabelece uma idade mínima de 65 anos, se homem, e 62 anos, se mulher, para trabalhadores do setor privado e servidores federais. Mas quem já está no mercado de trabalho tem direito a regras mais suaves - é a chamada transição.
No caso da iniciativa privada, há quatro modelos de transição. Para servidores, há duas. O trabalhador poderá escolher a mais vantajosa. Pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), atualmente, há duas formas de aposentadoria. Uma é por idade, que exige 65 anos, no caso de homens, e 60 anos para mulheres, quando o trabalhador não é do setor rural.
A reforma da Previdência ataca essencialmente o segundo modelo de aposentadoria: o por tempo de serviço. Estas regras permitem que, após 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos, se mulher, trabalhadores se aposentem cedo. A equipe econômica argumenta que esse tipo de aposentadoria privilegia os mais ricos. Por isso, esse modelo seria extinto, de acordo com a proposta de reforma, após a transição.
Outra mudança é sobre a fórmula de cálculo da aposentadoria. A regra atual descarta os 20% menores recolhimentos. Assim, a média é elevada, o que beneficia o trabalhador. O time do ministro Paulo Guedes (Economia) defende que sejam consideradas todas as contribuições, o que reduziria o valor da aposentadoria.
A versão atual da reforma mantém essa regra de cálculo proposta pelo governo, mas o relator incluiu um dispositivo para suavizar a mudança. Ao se aposentar, o trabalhar poderia optar pelo descarte de recolhimentos que prejudiquem o cálculo do benefício, desde que isso não prejudique o tempo mínimo de contribuição. Segundo técnicos que desenvolveram o mecanismo, isso seria útil para quem, por exemplo, no começo da carreira, teve renda bem abaixo de grande parte da vida laboral. No entanto, ainda há articulação de partidos para excluir qualquer mudança na fórmula de cálculo da proposta de reforma da Previdência. Ou seja, para manter a regra de descarte de 20% dos menores salários.
Para conseguir apoio à PEC, o relator teve que ceder a pressões. Estados e municípios ficaram fora da reforma. Líderes que representam a maioria da Câmara rejeitam votar medidas que ajudariam governadores e prefeitos -principalmente de partidos contrários a Bolsonaro- que fazem campanha contra a proposta.
A ideia desses deputados é que o desgaste político seja dos governadores e prefeitos em aprovar, nas respectivas assembleias, regras mais duras de aposentadorias para servidores estaduais e municipais. Mas, se deputados da oposição passarem a apoiar a reforma da Previdência, poderá ser aprovada uma alteração no plenário da Câmara para que estados e municípios retornem à reforma.
Moreira também teve que aliviar regras de transição para servidores públicos e professoras; fez ajustes na fórmula de cálculo da pensão por morte apresentada pelo governo; poupou trabalhadores rurais; e excluiu mudanças no pagamento do BPC (benefício assistencial) a idosos carentes.

Proposta precisará de três quintos dos deputados

Mesmo com concessões, a oposição continuou defendendo mudanças na PEC da Previdência ou sua derrubada. "Esse resultado (da comissão) não reflete o resultado no plenário. Temos tempo de luta. Temos tempo de resistência", disse a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ). A proposta segue para o plenário da Câmara, onde precisa do apoio de 308 dos 513 deputados - três quintos da Casa.

Já o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse que a reforma da Previdência é a primeira etapa de uma série de projetos visados pela equipe econômica, como a reforma tributária.

Apesar de a restruturação do sistema de aposentadorias e pensões ser uma proposta do governo, a Câmara - especialmente o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - assumiu o protagonismo no assunto. Maia é um dos principais fiadores da reforma e quer tentar votar o texto no plenário até meados de julho.

Alívio para aposentadoria de policiais federais é rejeitado

Com ajuda do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, a comissão especial que analisa a reforma da Previdência rejeitou afrouxar as regras de aposentadoria para categorias da segurança pública. Integrantes do governo e interlocutores do Palácio do Planalto atuaram contra o apelo público de Bolsonaro nesta quinta-feira (4) por regras mais brandas para policiais federais e policiais rodoviários federais, um pedido para desidratar a própria proposta de reforma.

Dois destaques que favoreceriam o setor de segurança pública foram rejeitados. Um deles beneficiaria até oficiais de Justiça, mas foi derrubado por 31 votos a 17. O outro, apresentado pelo PSD, suavizaria para policiais federais, policiais rodoviários federais, policiais legislativos, agentes penitenciários e peritos, mas foi negado, por 30 a 19.

Ao ser anunciado o resultado, policiais que estavam na comissão gritavam: "PSL traiu a polícia do Brasil". E também contra o presidente: "Bolsonaro traidor!"

"A defesa da nossa segurança pública não pode ser confundida com a defesa da Previdência Social. São coisas distintas", disse o deputado Filipe Barros (PSL-PR), ao orientar a bancada a votar contra benesses à segurança pública.

Como os deputados votaram na comissão especial

Votos a favor da reforma
Alexandre Frota (PSL-SP)
Daniel Freitas (PSL-SC)
Filipe Barros (PSL-PR)
Heitor Freire (PSL-CE)
Joice Hasselmann (PSL-SP)
Arthur O. Maia (DEM-BA)
Bilac Pinto (DEM-MG)
Pedro Paulo (DEM-RJ)
Celso Maldaner (MDB-SC)
Darcísio Perondi (MDB-RS)
Flaviano Melo (MDB-AC)
Fernando Rodolfo (PL-PE)
Giovani Cherini (PL-RS)
Marcelo Ramos (PL-AM)
Guilherme Mussi (PP-SP)
Ronaldo Carletto (PP-BA)
Evair de Melo (PP-ES)
Cap. Alberto Neto (PRB-AM)
Silvio Costa Filho (PRB-PE)
Lafayette Andrada (PRB-MG)
Darci de Matos (PSD-SC)
Deleg. Éder Mauro (PSD-PA)
Stephanes Junior (PSD-PR)
Beto Pereira (PSDB-MS)
Daniel Trzeciak (PSDB-RS)
Samuel Moreira (PSDB-SP)
Paulo Ganime (NOVO-RJ)
Paulo Martins (PSC-PR)
Marcelo Moraes (PTB-RS)
Greyce Elias (AVANTE-MG)
Alex Manente (CIDADANIA-SP)
Dr. Frederico (PATRIOTA-MG)
Diego Garcia (PODE-PR)
Toninho Wandscheer (PROS-PR)
Lucas Vergilio (SOLIDARIEDADE-GO)
Vinicius Poit (NOVO-SP) 
Votos contra a reforma
André Figueiredo (PDT-CE)
Paulo Ramos (PDT-RJ)
Alice Portugal (PCdoB-BA)
Israel Batista (PV-DF)
Carlos Veras (PT-PE)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Henrique Fontana (PT-RS)
Jorge Solla (PT-BA)
Aliel Machado (PSB-PR)
Heitor Schuch (PSB-RS)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
Joenia Wapichana (REDE-RR)
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