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Porto Alegre, quarta-feira, 03 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura Internacional

Edição impressa de 03/07/2019. Alterada em 03/07 às 03h00min

França ameaça acordo UE-Mercosul

Ratificação levará tempo, destacou Ernesto Araújo

Ratificação levará tempo, destacou Ernesto Araújo


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC

Diante da grita de agricultores e criadores de gado da França, que organizaram protestos em vários pontos do país nesta terça-feira (2), o governo colocou em questão a ratificação do acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul. Em pronunciamentos e entrevistas, vários ministros disseram que as minúcias do pacto serão analisadas detidamente antes do sinal verde da gestão Emmanuel Macron - o Conselho Europeu, colegiado que reúne os 28 líderes do bloco, precisa aprovar o texto antes de ele seguir para o Parlamento Europeu.

No fim do dia, porém, Macron buscou conter a maré de ceticismo instigada por sua equipe. "A realidade de nosso país não é protecionista", afirmou, à saída de uma cúpula em Bruxelas. "Que aqueles que dizem que todo acordo comercial é ruim, (peço que) contem-me como, nesses casos [sem tratados], vão se vestir, comer, se locomover. Um acordo comercial não é por natureza ruim."

Mais cedo, a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye. disse em entrevista que a França não está preparada no momento para ratificar o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. "Vamos observar com atenção e, com base nestes detalhes, vamos decidir", declarou em uma entrevista ao canal de notícias BFM. Como fez durante as negociações do acordo comercial entre UE e Canadá, a França solicitará garantias aos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), completou a porta-voz. .

O acordo anunciado na sexta-feira por UE e Mercosul é o maior já assinado pelo bloco europeu. A França é um dos países mais reticentes ao acordo porque teme os efeitos para seu influente setor agrícola, que pode ser afetado pela grande entrada de produtos sul-americanos no mercado.

Os fazendeiros franceses, muito dependentes dos subsídios europeus e organizados em propriedades familiares que geram uma renda pequena (¤ 10 mil a ¤ 12 mil de média em 2018, segundo a Federação Nacional de Carne Bovina), afirmam que não conseguirão competir com o que chamam de fábricas de carne sul-americanas. Eles ressaltam as diferenças nas práticas dos dois continentes, que não favorecem os europeus: enquanto na UE as normas ambientais são cada vez mais rígidas, na América do Sul são utilizados antibióticos, hormônios do crescimento e soja geneticamente modificada.

O titular da Agricultura, Didier Guillaume, que vem mostrando contrariedade em relação ao acordo nas últimas semanas, assumiu um tom duro. "Não teremos um acordo a qualquer preço. Essa história não acabou. Não serei o ministro que vai sacrificar a agricultura francesa no altar de um pacto internacional."

Também ontem, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, disse ao Parlamento que ainda não se sabe se o acordo atendeu às exigências da França. "Estão nos contando que elas foram levadas em conta, mas só essa declaração não basta. Precisamos de atos", afirmou..

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, rebateu as declarações da porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye. "Esse tipo de declaração visa muito ao público interno, não acho que é muito o caso de reagir diretamente a ela", disse Araújo, durante coletiva de imprensa.

O chanceler ressaltou que o texto acordado com a UE deverá passar ainda por um processo de revisão técnica e que o trâmite de ratificação ainda levará tempo. "Cabe muito à Comissão Europeia esclarecer aos seus países o que está dentro do acordo", pontuou Araújo, que argumentou que os interesses tanto dos integrantes da UE quanto dos do Mercosul foram contemplados. "A Comissão Europeia mantém consultas permanentes aos estados-membros. Nada do que está no acordo é uma surpresa para os estados-membros", acrescentou.

Mais tratados de livre comércio serão fechados, afirma ministro

O Mercosul se prepara para fechar mais dois acordos ainda este ano, informou, nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. As opções são o Efta (acordo de livre comércio que reúne Noruega, Islândia, Suíça e Lieshtenstein), o Canadá, Cingapura e Coreia do Sul. "Em um período de dois anos, vamos criar uma rede muito densa de acordos comerciais", disse Araújo.

O ministro afirmou que já começaram as conversas com os Estados Unidos em torno de um tratado do tipo quatro mais um: os EUA de um lado e os quatro sócios do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Outros países, como o Japão e o Líbano, já demonstraram interesse em uma negociação. "Cada acordo firmado torna o Brasil um parceiro mais interessante", disse.

Araújo acredita que o acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado pelos governantes dos dois blocos antes de outubro deste ano, quando haverá a eleição na Argentina. Fontes do governo brasileiro admitem que, se o atual presidente do país vizinho, Maurício Macri, não for reeleito - sendo vencido pela chapa que tem à frente Alberto Fernandez e a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, os argentinos poderão colocar obstáculos para a assinatura. O presidente Jair Bolsonaro já deixou claro, várias vezes, que torce contra a peronista Cristina Kirchner.

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