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Porto Alegre, segunda-feira, 01 de julho de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Edição impressa de 01/07/2019. Alterada em 01/07 às 03h00min

Plano Real faz 25 anos sem garantir crescimento sustentável

A implementação do Plano Real completa hoje 25 anos, com a vitória de erradicar a hiperinflação que assolou a economia brasileira nos anos 1980 e 1990. Segundo especialistas, o legado do plano não se estendeu ao crescimento sustentável. Desde a entrada em vigor das medidas, em 1994, o País alterna momentos de expansão com recessões profundas.
A implementação do Plano Real completa hoje 25 anos, com a vitória de erradicar a hiperinflação que assolou a economia brasileira nos anos 1980 e 1990. Segundo especialistas, o legado do plano não se estendeu ao crescimento sustentável. Desde a entrada em vigor das medidas, em 1994, o País alterna momentos de expansão com recessões profundas.
Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e presidente da Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), Roberto Meurer indica que a implementação do Plano Real e o fim da hiperinflação mudaram a pesquisa acadêmica e os interesses das dissertações de mestrados e teses de doutorados.
"Com a queda da inflação, houve uma natural mudança da pesquisa em macroeconomia, já que inflação e o combate a ela deixaram de ser o tema mais premente da discussão em economia. O que se viu foi, em termos amplos, uma gradual migração de parcela relevante da pesquisa da área de macroeconomia aplicada (como relação entre grandes variáveis da economia) para a microeconomia aplicada (que estuda o comportamento dos agentes econômicos)", verifica Meurer.
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Jornal do Comércio destacou a entrada em vigor das medidas. Foto Reprodução/JC

"Os temas foram acompanhando a própria evolução da economia. Isto pode ser ilustrado com as discussões sobre regimes cambiais e eficiência da política monetária com o regime de câmbio semifixo e posterior adoção do câmbio flutuante e das metas de inflação. Outro tema, que está na origem do próprio Plano Real, é a relação entre política fiscal e política monetária, que também atraiu e continua sendo tema de muitas pesquisas", enumera o acadêmico.
Alexandre de Freitas Barbosa, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (USP), estudou uma das épocas de maior crescimento econômico da história nacional (1946-1964), é bastante crítico quanto aos resultados do Plano Real além da estabilização monetária. "Até hoje estamos procurando uma estratégia de desenvolvimento", afirma.
Para o economista, "o Plano Real carrega uma frustração. O governo FHC e, também os governos posteriores, não conseguiram trazer uma estratégia que pudesse ser sustentável". De acordo com o IBGE, o ano de maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1996 e 2016 foi em 2010 (taxa de 7,5%). Cinco anos depois, a economia do País entrou em recessão, com queda de 3,5% do PIB.
Segundo Barbosa, "o momento de maior crescimento é voltado para o mercado interno e com ativação de políticas de Estado, bancos públicos, atuação de empresas estatais, políticas sociais redistributivas". Ele lembra que essas medidas são diferentes do que se anunciava ao implementar o real.
Para Barbosa, o Plano Real "acabou" no início do segundo mandato de FHC (1999), quando o governo abandonou a âncora cambial e passou a adotar o tripé macroeconômico para manter a estabilidade da moeda.
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