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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de junho de 2019.
Dia dos Namorados.

Jornal do Comércio

Economia

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petróleo

Edição impressa de 12/06/2019. Alterada em 12/06 às 03h00min

O que era possível para reduzir preço de combustíveis foi feito, diz Castello Branco

Presidente da estatal participou de audiência na Câmara dos Deputados

Presidente da estatal participou de audiência na Câmara dos Deputados


/WILL SHUTTER/CÂMARA DOS DEPUTADOS/JC
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse ontem que a companhia já fez esforços no sentido de reduzir o preço dos combustíveis aos consumidores. Em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, ele afirmou que o que era possível de se fazer "já foi feito".
Castello Branco disse que a Petrobras reduziu a frequência de reajustes aos combustíveis, que chegou a ser diária na gestão do ex-presidente da Petrobras Pedro Parente. Ele destacou, no entanto, que a gasolina e o diesel são commodities internacionais, e que isso está, "infelizmente, fora do nosso controle". "Nosso esforço é no sentido de manter paridade com os preços globais", disse, ressaltando que, no passado, a Petrobras chegou a praticar preços acima e abaixo da cotação internacional.
Aos deputados, o presidente da Petrobras também comentou rapidamente a situação dos caminhoneiros. Castello Branco lembrou que os motoristas autônomos normalmente têm veículos antigos, que gastam mais combustível e com manutenção. Para esses motoristas, a estatal criou o cartão-caminhoneiro "para facilitar" a vida desse caminhoneiro, disse.
Ele reconheceu, porém, que a adoção de uma tabela de frete parece ter piorado ainda mais a situação de superoferta de transporte rodoviário. "O tabelamento de frete aparentemente agravou a situação com frotas próprias pelo agronegócio", disse, ao lembrar que a frota de caminhões, entre 2008 e 2017, aumentou 47%, enquanto a economia cresceu apenas 10% no período.
O presidente da Petrobras reafirmou também a estratégia da estatal de reforçar a presença na exploração de petróleo e reduzir os ativos em outros segmentos. Em audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara, o presidente da petroleira argumentou que a empresa precisa investir tempo e dinheiro em atividades que oferecem maior retorno financeiro, como a exploração de petróleo em águas profundas. "Vamos focar no que somos melhor, que é exploração em águas profundas", disse.
Ao argumentar que a atividade de exploração é a que oferece maior retorno ao caixa da empresa, Castello Branco lembrou que a companhia concluiu a venda da TAG, de transporte de gás, cujo retorno era de 7%. "Podemos obter mais com o pré-sal", disse.
Outro segmento com retorno considerado baixo é o refino. Aos deputados, o presidente da estatal disse que essa atividade "tende a ter retorno mais baixo", e, por isso, a empresa está negociando parte das unidades de refino. Castello Branco observou, contudo, que a intenção não é deixar o segmento. "Não vamos sair totalmente do mercado de refino", disse.
Castello Branco defendeu os investimentos em produção ao lembrar que a produção da empresa "está estagnada há 10 anos em 2 milhões de barris por dia. Ele notou ainda que o preço da gasolina no Brasil está cerca de 15% mais alto que nos Estados Unidos e culpou a carga tributária brasileira pela situação.
O presidente da Petrobras disse ainda que a companhia vai investir US$ 21 bilhões para recuperar a Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, nos próximos cinco anos. Esse investimento, junto com a exploração do pré-sal, deve elevar a produção de petróleo e gás no Rio de Janeiro e transformar o estado em um dos maiores produtores do mundo. "O Rio de Janeiro terá um oportunidade ímpar de sair da recessão", afirmou. "Eu disse ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que ele será um 'sheik' das Américas", acrescentou.
Sobre o novo mercado de gás, programa que o governo deve lançar para reduzir o preço do insumo na tentativa de reindustrializar o País, Castello Branco disse que o aumento da competição deve, de fato, diminuir o preço do gás para consumidores. Segundo ele, no entanto, essa queda não será como a vista nos Estados Unidos, com o advento do gás de xisto.
 
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