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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de junho de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Relações Internacionais

Edição impressa de 06/06/2019. Alterada em 06/06 às 03h00min

Brasil precisa de reformas para atrair estrangeiros

Interesse dos investidores é indiferente ao teor político, destaca Vieira

Interesse dos investidores é indiferente ao teor político, destaca Vieira


VALTER CAMPANATO/VALTER CAMPANATO/ABR/JC

O presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Eduardo Gouvêa Vieira, diz que o vigor do investimento estrangeiro no Brasil está atrelado a reformas estruturais e é indiferente ao teor mais ou menos incendiário de discursos e políticas na área comportamental.

"O capital é egoísta, por definição. Não quer saber se somos bonzinhos ou não, quer saber (qual é) o retorno possível", afirma ele, que participou ontem de um fórum em Paris com empresários.

A delegação brasileira incluiu o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto Santos Cruz, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade, e outros presidentes de federações estaduais da indústria.

Cruz falou sobre o programa de privatizações do governo Bolsonaro e as parcerias público-privadas como janelas de entrada no mercado brasileiro.

"A (reforma) da Previdência é basal, mas há também a tributária e, para diminuir a dívida, as desestatizações", diz Vieira. "Tenho certeza de que a da Previdência vai avançar. Ninguém trabalha com outro cenário." Para ele, "a dificuldade é transmitir a entrelinha, (mostrar que) o círculo próximo do presidente pode dizer o que bem entender, mas que ele não vai fazer maluquice".

Vieira aponta a exploração do petróleo offshore como seara em que o aporte estrangeiro será instrumental nos próximos anos. "Hoje, exportamos óleo cru e importamos derivados do petróleo, porque não investimos em refinarias. Quando se privatizar metade do parque de refino, haverá investidores interessados nisso."

Na avaliação do dirigente, "estamos, hoje, em estado melhor do que em 2018: os poderes funcionam, goste-se ou não de suas decisões, a opinião pública está atenta, a imprensa é livre, e a democracia, sólida".

"Onde você tem esses trunfos, e ainda por cima com uma enorme massa de consumidores potenciais? Na Índia? Vai viver lá, com a 'democracia curiosa' que eles têm. A China não existe como democracia. Não é por que o Brasil elegeu uma pessoa com quem não se concorda plenamente que o País vai piorar."

País deseja criar novas oportunidade com a China, afirma chanceler

O chanceler Ernesto Araújo disse que o governo está elevando as relações com a China a um patamar ainda maior do que no passado. "Desejamos criar oportunidades novas (com a China) para os exportadores brasileiros e novas oportunidades para investimentos", disse.

Araújo afirmou que não existe nenhuma "contradição" em manter relações simultâneas e de alto nível do Brasil com a China e com os Estados Unidos, outro país que, segundo ele, mantém tradicionalmente um excelente fluxo de comércio e de investimentos com o Brasil.

"Não há contradição (entre parcerias simultâneas com a China e com os EUA). Em ambos os casos, podemos ter relações muito profícuas, não há nenhuma animosidade, não há problema algum", disse.

Lembrando que a China é o maior parceiro comercial do Brasil, Araújo disse que o governo está incentivando o crescimento do diálogo bilateral de forma a abrir "novas avenidas tanto no comércio quanto nos investimentos".

O fluxo do comércio bilateral alcançou, em 2018, US$ 98,9 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 64,2 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 34,7 bilhões. Dados do Banco Central assinalam que, até 2018, a China tinha um estoque de investimentos US$ 69 bilhões no Brasil.

Para incentivar as relações bilaterais, o presidente Jair Bolsonaro viajará em setembro para a China. O presidente chinês Xi Jinping também virá ao Brasil para participar da 11ª Cúpula do Brics, grupo de países que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em novembro.

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