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Porto Alegre, sexta-feira, 17 de maio de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

Edição impressa de 17/05/2019. Alterada em 17/05 às 03h00min

Ibovespa cai 1,75% e atinge piso negativo do ano

Em mais um dia de queda gerada por fatores domésticos, o Índice Bovespa atingiu seu menor nível em 2019 nesta quinta-feira. Mesmo sem notícias de relevo no campo político, o mercado manteve o desconforto da véspera e teve um pregão com momentos de estresse, principalmente no meio da tarde, quando o movimento vendedor ganhou maior força. Ao final dos negócios, o índice marcou 90.024 pontos, com queda de 1,75%. Os negócios somaram R$ 16,7 bilhões, o maior em mais de um mês.
A percepção corrente no mercado é que o governo enfrenta um processo de desgaste, mas não reage adequadamente diante do quadro adverso. Segundo avaliam analistas, nas dificuldades na coordenação política, nas manifestações populares e no caso das investigações sobre seu filho Flávio, Bolsonaro vem dando sinalizações que não o ajudam ou acabam por gerar mais ruído. A expressão "idiotas úteis", utilizada na quarta-feira pelo presidente para definir os manifestantes contra o contingenciamento de verbas da educação, ainda ecoou no mercado como uma comunicação inadequada. Até mesmo a viagem do presidente a Dallas, onde foi homenageado, foi citada como sinalização negativa.
Um fator específico foi um agravante significativo para o Ibovespa no período da tarde. As ações da Vale passaram a registrar perdas fortes após a notícia de que a mineradora informou ao Ministério Público de Minas Gerais sobre uma deformação na estrutura na Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, "passível de provocar a sua ruptura". No documento, a empresa estimou que se as condições se mantiverem, a ruptura da estrutura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio. Ao final do pregão, Vale ON teve queda de 3,23%. Influenciado pela ação da mineradora, o Ibovespa chegou a bater mínima de 89.778 pontos (-2,01%).
O analista da Eleven Financial, Raphael Figueredo, afirma que o mercado já vinha de uma inércia desde o início do dia, repercutindo os fatos da véspera e o desânimo do investidor diante dos sucessivos indicadores econômicos apontando para a estagnação da economia. No meio da tarde, o evento da Vale fez despencar as ações da mineradora e contaminou outras ações, afirma.
"O dia não teve grandes novidades e essa ausência acabou por contribuir para o desempenho negativo. A queda das ações da Vale contagiou o Ibovespa não apenas pelo seu peso na carteira do índice, mas também do ponto de vista do humor do investidor em relação aos outros papéis", disse Figueredo.
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Dólar fecha acima de R$ 4,00 pela primeira vez desde o início de outubro do ano passado

Divisa norte-americana encerrou o dia em com valorização de 1%

Divisa norte-americana encerrou o dia em com valorização de 1%


/VANDERLEI ALMEIDA/AFP/JC
O dólar fechou a quinta-feira em R$ 4,0357, maior patamar desde 1 de outubro, antes do primeiro turno das eleições presidenciais. A moeda americana teve valorização de 1%, impulsionada pelo viés negativo do mercado brasileiro.
Nos últimos dias, o governo Bolsonaro tem sofrido derrotas que colocam em xeque a aprovação da reforma da Previdência e a melhora da economia. Com a preocupação de investidores, a moeda americana chegou a R$ 4,0430 durante o pregão.
Na terça-feira, oposição e centrão aprovaram a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para o plenário da Câmara prestar esclarecimentos do bloqueio de R$ 7,3 bilhões na pasta aos 513 parlamentares.
Inicialmente, Weintraub falaria na comissão de educação e foi surpreendido pela convocação. A intenção do PSL, partido do presidente, era derrubar a deliberação e impedir que o ministro fosse obrigado a vir, mas foi derrotado por 307 votos a 82. O episódio deixou investidores cautelosos com a aprovação da reforma da Previdência, que depende da boa articulação do governo com o centrão.
Outra questão que impacta o andamento da reforma é citação ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em delação premiada de Henrique Constantino, sócio da companhia aérea Gol. Segundo Constantino, Maia teria recebido propina da empresa.
"Se temos alguma aprovação da reforma é responsabilidade do Maia. A articulação é dele. Se este inquérito for mais a fundo afeta muito o panorama", diz Fabrizio Velloni, chefe da mesa de operações da Frente Corretora.
Para o economista, a investigação que envolve Maia preocupa mais que a de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente. "O risco ao governo neste caso é mais indireto. A princípio, pode apenas respingar no presidente", afirma Velloni.
Flávio teve quebra de sigilo bancário e fiscal decretada pela Justiça. O processo dá início a investigação judicial após um relatório do governo federal, há quase 500 dias, ter apontado movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária do assessor Fabrício Queiroz. Os dados financeiros atingem ao menos cinco ex-assessores de Bolsonaro.
Dados fracos da economia também derrubaram o mercado brasileiro. Na quarta-feira, o Banco Central divulgou que a atividade econômica brasileira registrou retração de 0,68% no primeiro trimestre. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou na comparação de março com fevereiro, apresentando queda de 0,28%.
"O governo não apresenta medidas efetivas que possam melhorar a economia. O problema não é a reforma da Previdência, o problema é o déficit fiscal. Se gasta mais do que arrecada. Você pode acertar isso com a reforma e corte de gastos, alguma coisa tem que ser feita", afirma Pedro Coelho Afonso, economista-chefe da PCA Capital.
 
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