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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de maio de 2019.
Dia do Assistente Social.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

Alterada em 15/05 às 18h27min

Dólar avança e se aproxima de R$ 4 com tensão política

O dólar à vista fechou em alta cotado a R$ 3,9967

O dólar à vista fechou em alta cotado a R$ 3,9967


MARCELLO CASAL JR/ABR /JC
Estadão Conteúdo
O dólar voltou a flertar com a possibilidade de se fixar acima dos R$ 4 nesta quarta-feira (15), em meio ao aumento das dúvidas sobre capacidade de articulação política do presidente Jair Bolsonaro para aprovar uma reforma da Previdência robusta e destravar a economia. Com máxima de R$ 4,0218, atingida pela manhã, e mínima de R$ 3,9872, o dólar à vista fechou em alta de 0,51%, a R$ 3,9967 - maior valor de fechamento desde 1º outubro do ano passado (R$ 4,0299). No mercado futuro o dólar para junho fechou a R$ 4,0085, alta de 0,63%.
A escalada da moeda americana começou logo na abertura dos negócios. No exterior, dados fracos das economias americana e chinesa avivaram temores de desaceleração da economia global. Por aqui, pesava a sequência de derrotas do governo no Congresso nos últimos dias, coroada pela convocação terça à noite do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para sessão na Câmara por uma votação esmagadora (307 votos a 82).
A convocação relâmpago de Weintraub deixou evidente a capacidade dos partidos do Centrão de constranger o Planalto. O constrangimento é tanto que o governo não conseguiu nem emplacar a Medida Provisória que reorganiza dos ministérios, que pode caducar junto com outras 10 MPs. Protestos em todo país contra cortes no Orçamento da Educação aumentaram a sensação de deterioração do capital político do presidente. Dos Estados Unidos, Bolsonaro elevou o tom e chamou os manifestantes de "idiotas úteis" e "massa de manobra".
O desgaste do governo desperta temores de que a tramitação da reforma da Previdência seja mais arrastada e resulte na aprovação de uma versão bem diluída da proposta inicial. E sem a perspectiva de ajuste das contas públicas, as expectativas para o crescimento mínguam. A queda do IBC-Br em março corrobora o quadro de estagnação da economia.
"Existem as questões externas. Mas esse nível do dólar é mais por conta da falta de visibilidade aqui dentro, com essa incapacidade de articulação do governo. Isso acaba alimentando a especulação com o dólar", diz Durval Corrêa, sócio-diretor da Via Brasil Serviços.
Pela tarde, com a melhora das condições externas e a aceleração dos ganhos de moedas emergentes em relação ao dólar, o real até esboçou uma relação e operou momentaneamente no azul. Segundo operadores, depois da alta expressiva pela manhã, investidores aproveitaram a melhora externa para ajustes técnicos e realização de lucros de posições compradas. Quando a magnitude da queda do dólar ante outros emergentes diminui, o real voltou para o campo negativo.
Segundo Corrêa, o mercado sabe que não há força para sustentar o dólar acima de R$ 4, já que as contas externas estão em ordem e não se vislumbra sinal de fuga de capitais. Isso faz com que posições compradas em dólar sejam revertidas rapidamente, desinflando os movimentos mais exacerbados de alta.
Dados do Banco Central divulgados nesta quarta mostram que em maio até o dia 10 foi positivo em US$ 1,226 bilhão, dos quais R$ 586 milhões correspondem ao canal financeiro. No período, apesar do fluxo positivo, o dólar avançou 0,11%, o que ratifica a leitura de que a formação do preço do dólar no curto prazo está muito atrelada a movimentos do mercado futuro.
 
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