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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de abril de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Contas Públicas

Edição impressa de 04/04/2019. Alterada em 03/04 às 22h23min

Reunião com Guedes na CCJ tem clima de conflito

Paulo Guedes tentou explicar proposta do governo para os deputados

Paulo Guedes tentou explicar proposta do governo para os deputados


/FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL/JC
Amparado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, encontrou clima tenso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ontem. Depois de seis horas e meia de sessão com sucessivos bate-bocas com a tropa da oposição, o primeiro teste de Guedes junto aos parlamentares acabou em briga e troca de palavrões.
O ministro caiu na provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR) que o acusou de ser "tigrão" com os aposentados, idosos de baixa renda e agricultores, mas "tchutchuca" com privilegiados do Brasil.
O ataque do petista, filho do ex-ministro, José Dirceu, levou à explosão final de Guedes que reagiu com destempero fora do microfone. "Eu não vim aqui para ser desrespeitado, não. (...) Tchutchuca é a mãe, é a avó, respeita as pessoas. (...) Isso é ofensa. Eu respeito quem me respeita. Se você não me respeita, não merece meu respeito", afirmou. Zeca começou as críticas perguntando a razão pela qual Guedes começou as reformas com a Previdência e não com alterações que afetassem os banqueiros.
A partir daí, o clima ficou insustentável e o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), teve que acabar com a audiência. Sem experiência e com apenas 27 anos, ele não conseguiu conduzir com firmeza a audiência. Por pelo menos outras vezes, a alta tensão e a gritaria dominaram a audiência.
Acusado de mentiroso, rentista do mercado financeiro e cruel por querer formar uma "legião de pobres" com a capitalização da Previdência, Guedes partiu para um embate direto com os oposicionistas, com ironias e ataques aos dois governos do PT.
Guedes já chegou à CCJ flanqueado pelo presidente da Casa, que se sentou à mesa da comissão. O procedimento não é praxe na Casa, e fez parte do acordo costurado com o ministro para que ele comparecesse à reunião, depois de desmarcar na terça-feira (26) da semana passada. Maia acompanhou a sessão em vários momentos num gesto de apoio a Guedes, mas não se intrometeu. O líder do governo, Major Vitor Hugo (PFL-GO) teve uma participação tímida sem defesa contundente.
O ministro de Jair Bolsonaro bateu boca com parlamentares da oposição já na primeira meia hora da sessão, que discutiu a proposta de reforma da Previdência. "O Chile tem US$ 26 mil de renda per capita, o dobro do Brasil. A Venezuela deve estar melhor, né?", afirmou o ministro quando deputados da oposição gritaram no plenário da comissão que a reforma da Previdência tornaria o Brasil o vizinho latinoamericano, com um modelo privatizado de seguridade social.
O ministro falaria direto por 20 minutos, sem perguntas de parlamentares. No entanto, o entrevero disparou uma confusão na comissão. Deputados do PSOL levantaram cartazes com dizeres como "PEC da Morte" e "Reforma para banco lucrar", e o deputado Henrique Fontana (PT-RS) e Guedes bateram boca. O presidente da comissão, Felipe Francischini (PSL-PR), tentava retomar a sessão e pedia decoro, sem sucesso, aos seus pares. "Isso aqui não é briga de rua", afirmou Francischini.
Um dos momentos mais tensos foi quando os deputados se intrometeram na sua resposta à pergunta do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) sobre a idade que as empregadas domésticas se aposentam. Com fúria, o ministro questionou os parlamentares da oposição: "Por que vocês não botaram imposto sobre dividendos, porque deram dinheiro para a JBS?". Se voltando para os parlamentares, Guedes rebateu: "Nós estamos há três meses e vocês tiveram 18 anos (de poder) e não tiveram coragem de mudar".
Houve reação dos deputados atacados por Guedes. Diante da gritaria, Guedes reagiu: "A Casa não está me respeitando. A Casa não me dá o direito de falar".
Com a confusão generalizada - que incluiu deputados homens mandando colegas mulheres "calarem a boca" e outras mulheres saindo em defesa das deputadas atingidas -, Guedes acalmou os ânimos e pediu desculpas. "Me aconselharam a não reagir, mas tentei ser atencioso. Sou muito respeitoso. Cometi o erro de interagir. Assim que eu interagi, vocês transformaram em outra coisa", afirmou. "Meu papel é relativamente simples, quem vai julgar são os senhores. Com a maior franqueza, não cabe a mim entrar no debate político. Tenho que dar explicações e não preciso me exaltar, me desculpe".
A assessora especial de Guedes, Daniella Marques, foi acusada pela deputada Maria do Rosário (PT-RS) de agressão e foi levada para a sede da Polícia Legislativa da Câmara para ser ouvida.
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