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Porto Alegre, sexta-feira, 29 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

29/03/2019 - 19h05min. Alterada em 29/03 às 19h05min

Bolsas de Nova Iorque sobem, com EUA-China, curva de juro e crítica da Casa Branca ao Fed

Os três principais índices do mercado americano apresentaram alta no último trimestre

Os três principais índices do mercado americano apresentaram alta no último trimestre


Bryan R. Smith/AFP/JC
Estadão Conteúdo
Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta sexta-feira (29), em alta, em um cenário que se deu em todo o primeiro trimestre do ano. O otimismo em relação a um possível acordo entre Estados Unidos e China voltou a se fazer presente, assim como as pressões da Casa Branca sobre as políticas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Além disso, após quatro pregões marcados pela inversão da curva de rendimentos dos Treasuries de curtíssimo prazo (três meses) e longo prazo (dez anos), o spread entre os dois juros voltou a ficar positivo, dando aval para nova valorização das bolsas em Nova Iorque.
Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,82%, para 25.928,68 pontos, com alta trimestral de 11,15%, a maior desde o primeiro trimestre de 2013. O S&P 500, por sua vez, avançou 0,67%, para 2.834,60 pontos, e apresentou alta trimestral de 13,07%, a maior desde o período entre julho e setembro de 2009. O índice eletrônico Nasdaq teve ganho de 0,78%, para 7.729,32 pontos, e, no trimestre, apresentou alta de 16,49%, a maior desde o primeiro trimestre de 2012.
O primeiro trimestre do ano foi marcado por diversas rodadas de negociações comerciais entre autoridades americanas e chinesas. Uma nova série de conversas ocorreu nesta semana e, de acordo com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, as negociações foram importantes e terão prosseguimento na próxima semana, quando uma delegação comandada pelo vice-primeiro-ministro da China, Liu He, irá a Washington para se encontrar com Mnuchin e com o representante comercial americano, Robert Lighthizer. Novamente, papéis de empresas mais sensíveis às relações comerciais sino-americanas foram favorecidos: no setor industrial, a Boeing subiu 1,86% e a Caterpillar teve alta de 2,36%. Entre as techs, a Intel avançou 1,11% e a Apple ganhou 0,65%.
Outro assunto que predominou no trimestre e que voltou a ter destaque justamente nesta sexta-feira foi a relação entre a Casa Branca e o Fed. Após duras críticas por parte do presidente Donald Trump, o governo americano havia deixado o banco central de lado diante da postura mais "dovish" adotada pelo Fed. Contudo, nos últimos dias, o indicado de Trump ao conselho de diretores da autoridade monetária, Stephen Moore, destacou que as taxas de juros deveriam ser cortadas em 50 pontos-base em relação aos níveis atuais. Hoje, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, ecoou esse pedido ao dizer que Trump deseja uma redução dessa magnitude nos Fed funds.
A guinada "dovish" do Fed foi um dos fatores que motivaram a inversão da curva de juros da T-bill de três meses e da T-note de dez anos, uma característica que costuma prever recessões econômicas nos EUA. Após quatro sessões consecutivas com a curva invertida, o spread entre esses dois rendimentos voltou a ficar positivo nesta sexta-feira, o que deu certo alívio para ações de bancos, que foram fortemente pressionadas nos últimos dias. Enquanto o JPMorgan subiu 0,52%, o Citigroup ganhou 0,39%. Entre os seis maiores bancos americanos, porém, o Wells Fargo viu seus papéis caírem 1,57% um dia após anunciar a saída de seu presidente-executivo, Tim Sloan.
"O mercado está em alerta por causa da recente fraqueza dos rendimentos dos Treasuries", disse o estrategista-chefe de mercados da Prudential Financial, Quincy Krosby. De acordo com ele, as ações de bancos, credores e outras instituições financeiras subiram, mas em um nível contido, diante da possibilidade de novas inversões na curva de juros.
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