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Economia

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Conjuntura Internacional

Edição impressa de 06/03/2019. Alterada em 05/03 às 01h00min

China descarta programa criticado, mas pode manter estímulos a alguns setores

Premiê Li Keqiang fez um discurso de 100 minutos para o parlamento

Premiê Li Keqiang fez um discurso de 100 minutos para o parlamento


/WANG ZHAO/AFP/JC
O "Made in China 2025", um programa industrial liderado pelo governo chinês que está no centro da disputa comercial entre Estados Unidos e China, está oficialmente desaparecido - mas só no nome. Durante um discurso de quase 100 minutos para a legislatura da China, o premiê Li Keqiang retirou qualquer referência ao plano que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia criticado como um programa recheado de subsídios para fazer da China um líder tecnológico global às custas dos EUA. O projeto havia sido destaque do discurso sobre o estado-da-nação de Li durante três anos consecutivos.
Em vez disso, Li afirmou que o governo promoveria a manufatura avançada. Ele citou uma lista de indústrias emergentes para estimular - tecnologia da informação de última geração, equipamentos de ponta, biomedicina e automóveis de nova energia, setores que também estavam no "Made in China 2025". O objetivo citado também é similar: "Comprar da China".
O governo deve trabalhar "mais rápido para tornar a China forte na manufatura", disse Li aos cerca de 3 mil delegados dentro do Grande Salão do Povo. Pequim, disse ele, "encorajaria mais consumidores domésticos e estrangeiros a escolher mercadorias e serviços chineses".
À medida que a China e os EUA se aproximam de um acordo para encerrar uma batalha comercial de um ano, os comentários provavelmente alimentarão suspeitas de alguns no governo Trump de que Pequim não cederá em demandas para mudar seu modelo econômico liderado pelo Estado, deixando os EUA com um acordo ruim. "Esses são precisamente os tipos de políticas estruturais que os radicais no governo Trump não confiam que a China vá mudar", disse o economista da Cornell University, Eswar Prasad, que presta consultoria a autoridades chinesas. As declarações feitas no Congresso Nacional do Povo, segundo ele, "parecem validar essas preocupações".
Pequim divulgou o plano "Made in China 2025" há cinco anos para tornar o país um líder nas fronteiras da manufatura. Autoridades do governo Trump chamaram o plano de ameaça à concorrência leal, afirmando que incentiva subsídios estatais para empresas domésticas e obriga a transferência de tecnologia de empresas estrangeiras com o objetivo de tirá-las do negócio.
Sob pressão de Washington, Pequim concordou em substituir o "Made in China 2025" por um novo programa que promete maior acesso para empresas estrangeiras. Em declarações aos repórteres na terça-feira, o ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, Miao Wei, disse que a política industrial da China vai aderir ao conceito de "neutralidade competitiva", um princípio defendido pela administração Trump quando renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Sob esse conceito, os governos são proibidos de favorecer empresas estatais em detrimento das de propriedade privada. "Os problemas discriminatórios que tivemos no passado serão eliminados", disse Miao.
Até agora, há poucos sinais de que a nova política reduzirá significativamente os subsídios para empresas ou setores preferenciais. Um relatório separado divulgado na terça-feira pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal agência de planejamento econômico do país, que lidera os esforços para redigir o novo plano industrial, disse que o governo ajudaria a desenvolver "vários clusters de indústrias estratégicas e emergentes".
O relatório do Ministério das Finanças para o ano de 2019 disse que o órgão liberaria recursos para promover a manufatura de alta qualidade e "guiaria o capital e os recursos para áreas-chave de importância estratégica".
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