Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 01 de março de 2019.
Dia do Turismo Ecológico.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Conjuntura

Edição impressa de 01/03/2019. Alterada em 28/02 às 01h00min

PIB sobe 1,1% em 2018

A recuperação da economia brasileira segue a passos lentos. Em 2018, segundo ano pós-recessão, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1%, informou o IBGE nesta quinta-feira (28). Este resultado significa que a economia brasileira está no mesmo patamar do primeiro semestre de 2012. E 5,1% abaixo do pico, atingido no primeiro trimestre de 2014.
O avanço de 1,1% de 2018 foi igual ao registrado no ano anterior. Em 2016, o tombo havia sido de 3,3% e, no ano anterior, o primeiro da crise, a queda fora de 3,5%. Na comparação com o resultado do terceiro trimestre, o PIB registrou leve avanço de 0,1%.
Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 6,8 trilhões em 2018. Já o PIB per capita brasileiro alcançou R$ 32.747, alta de 1,1% em relação ao ano anterior. Em termos reais, ou seja, descontada a inflação no período, houve ligeiro avanço de 0,3% em relação a 2017.
Para este ano, a previsão do mais recente Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, é de expansão da economia brasileira da ordem de 2,48%. Isso, num cenário em que a reforma da Previdência seja aprovada com uma economia considerável.
Pelo lado da oferta, a agropecuária registrou crescimento modesto em 2018: alta de 0,1%. Por sua vez, a indústria avançou 0,6%, o primeiro resultado positivo desde desde 2013, quando expandiu 2,2%. Mas o setor encolheu 0,3% no quarto trimestre.
Os serviços avançaram 1,3% em 2018, e todas as atividades apresentaram variação positiva. Os destaques foram as atividades imobiliárias, seguidas por comércio e transportes.
Rebeca Palis, coordenadora de Coordenação das Contas Trimestrais do IBGE, explica que, pelo lado da oferta, indústria e serviços puxaram a alta do PIB de 2018. "A taxa de crescimento de 2017 foi a mesma de 2018, mas sua composição foi diferente. Em 2017, foi ancorado nos serviços e na agropecuária, com recorde de safra de grãos. Já em 2018, a agropecuária praticamente não mudou, mas foi compensada pelos serviços, que cresceram mais do que no ano anterior e pela indústria, que saiu do campo negativo", destacou Rebeca.
A construção é o único componente do PIB que segue no campo negativo. Registrou sua quinta queda anual seguida, em 2018. Desta vez, foi de 2,5%, inferior ao tombo de 7,5% registrado no ano anterior.
Rebeca destacou o impacto negativo da crise fiscal das três esferas administrativas no resultado da construção. "A construção cai há cinco anos seguidos, mas a uma taxa bem menor do que no ano anterior. Um dos motivos é a paralisação dos investimentos em infraestrutura, principalmente por parte do governo, em suas três esferas."
JC

Consumo interno compensa cenário externo ruim

Pelo lado da demanda, os investimentos tiveram alta de 4,1%, o primeiro resultado positivo depois de quatro anos seguidos de taxas negativas. O que liderou esse avanço foram as importações e a produção interna de bens de capital, compensando o desempenho negativo da construção. No quarto trimestre, os investimentos recuaram 2,5%.

A taxa de investimento em 2018 subiu para 15,8% do PIB, frente aos 15% registrados em 2017. A taxa de poupança ficou estagnada, em 14,5% do PIB

O consumo das famílias avançou 1,9% no ano. O resultado ficou 0,5 ponto percentual acima da expansão registrada em 2017 (1,4%). Segundo o IBGE, ele foi puxado pelo crescimento na massa salarial, pela expansão (nominal) de 6,7% do saldo das operações de crédito para pessoas físicas, além de juros e inflação baixas.

O consumo do governo, por sua vez, ficou estável. No setor externo, as exportações cresceram 4,1%, enquanto as importações avançaram 8,5%.

Rebeca Palis diz que o cenário não favorável no ambiente externo tem duas explicações. "Em 2017, o agronegócio teve safra recorde, então, exportamos muita soja e milho. Em 2018, a agropecuária teve resultado positivo, mas cresceu apenas 0,1%. Além disso, a crise na Argentina, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, afetou a venda de produtos brasileiros para o exterior."

Segundo Rebeca, a expansão do consumo compensou o cenário externo ruim e foi o principal fator, pela ótica da demanda, para o avanço do PIB em2018. Mas, pondera, embora em patamar positivo, o consumo das famílias ainda está distante dos avanços registrados no período pré-crise.

O avanço do PIB de apenas 0,1% no quarto trimestre, ante o trimestre anterior, foi o oitavo resultado positivo consecutivo, embora tímido. O IBGE ainda revisou para baixo dados de trimestres anteriores. O desempenho do terceiro trimestre, inicialmente calculado em alta de 0,8%, foi revisto para baixo, com expansão de 0,5%.

O segundo trimestre também enfraqueceu, passando de expansão de 0,2% para estagnação no período. Por outro lado, o desempenho do primeiro trimestre foi revisto para cima, passando de alta de 0,2% para 0,4%. A revisão do PIB anual é feita ao longo do ano.

No quarto trimestre, o que contribuiu para o resultado positivo foi o avanço dos setores da agropecuária e serviços, ambos com alta de 0,2%. Já o consumo das famílias teve alta de 0,4% no período. O setor avançou apenas 0,1% - desaceleração em relação ao trimestre anterior, quando o avanço foi de 0,4%.

Em ranking mundial, Brasil fica na 40ª posição entre 42 países

O Brasil ficou na 40ª posição em um ranking de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 42 países, informou a consultoria Austin Rating. O crescimento de apenas 0,1% no último trimestre e de 1,1% no consolidado de 2018 colocou o País abaixo da média global de 3,7% e dos países pesquisados, que foi 3,2%.

A distância para os países emergentes do chamado grupo dos Brics que, além do Brasil, reúne China, Rússia, Índia, África do Sul foi ainda maior. A média de crescimento no grupo foi de 5,1%. A Índia lidera o ranking da Austin com alta estimada de 7,5% no ano, seguida pela China, cujos dados, já divulgados, mostram alta de 6,6% em 2018.

A exemplo do que aconteceu com o Brasil, no último trimestre de 2018, o ritmo de crescimento nos países pesquisados diminuiu. Na comparação com o terceiro trimestre, a média de crescimento do grupo de 42 ficou em 2,7%. Já em relação ao mesmo período do ano anterior, foi de 2,9%. O efeito também foi verificado entre os Brics, cujo PIB médio avançou 3,3% em relação ao trimestre anterior.

Pelas contas da Austin Rating, o PIB dos 42 países deve avançar 3,1% em 2019. No período entre 2019 e 2022, o crescimento médio anual tende a ser de 3%. Por tal projeção, o Brasil continuará a caminhar mais lentamente que o restante do mundo, com alta do PIB de 2,48% esse ano e de 3% ao ano até 2022.

PIB per capita do País registrou elevação de 0,3% durante o ano passado, repetindo 2017

O PIB (Produto Interno Bruto) per capita cresceu 0,3% em 2018, repetindo o desempenho registrado um ano antes. O avanço do padrão de vida médio do brasileiro segue a passos lentos. Ainda assim, o desempenho nos últimos dois anos representa um alento em relação aos anos anteriores, período em que o PIB per capita caiu levado pela forte recessão.

O PIB per capita leva em conta a demografia. Logo, se o PIB sobe 1%, mas a população cresce 2%, na verdade os habitantes ficaram mais pobres.

Após quatro anos em alta entre 2010 e 2013, o per capita recuou 0,3% em 2014, início do período recessivo, seguido por quedas mais profundas em 2015 e 2016, auge da crise, quando recuou 4,4% e 4,1%, respectivamente.

Economistas previam que seria preciso a economia crescer ao redor de 3% entre 2018 e 2021 para voltar ao nível de renda por indivíduo de 2013, véspera da grande recessão. O ano de 2018 já não foi assim e analistas de mercado já reveem suas previsões para a atividade econômica em 2019, mais perto de 2%, com viés de baixa. O que significa que o Brasil vai demorar um pouco mais de tempo para voltar a ter um padrão de renda médio similar ao de 2013.

O PIB per capita é usado no cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia