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Porto Alegre, domingo, 24 de fevereiro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Reforma da Previdência

Edição impressa de 25/02/2019. Alterada em 24/02 às 01h00min

Complementar a aposentadoria exige planos

A necessidade de complementar a renda da aposentadoria, tema até então mais debatido por quem ganha acima dos R$ 5.839,00 do teto do INSS, se estenderá também a trabalhadores com salários mais baixos. Isso porque a proposta de reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro deverá reduzir o valor dos benefícios de todos os trabalhadores que ganhem mais que o salário-mínimo.
São duas as vias de corte nas futuras aposentadorias: para receber o valor integral do benefício, além de atingir a idade mínima, o trabalhador precisará comprovar 40 anos de contribuição ao INSS. Além disso, os salários mais baixos serão incluídos na conta para o cálculo da aposentadoria, o que também reduz o valor dos benefícios na comparação com as regras atuais.
De acordo com o texto, homens de 65 anos e mulheres de 62 poderão se aposentar desde que comprovem 20 anos de contribuição para a Previdência. Nesse caso, porém, o benefício será limitado a 60% do valor a que teriam direito caso contribuíssem por 40 anos. Cada ano adicional de contribuição eleva em 2% a renda futura.
"A gradação praticamente acaba com a aposentadoria integral. O trabalhador teria que começar cedo e com salário já elevado. Quem quer ter aposentadoria maior tem que estar preparado para trabalhar até mais tarde e complementar renda", diz Jorge Boucinhas, professor da FGV.
Atualmente os benefícios de trabalhadores que não alcançam o fator 86/96 (que soma idade e tempo de contribuição) são reduzidos pelo fator previdenciário. Na prática, o sistema tende a punir com mais força aqueles que pedem a aposentadoria antes dos 60 anos. Além disso, o valor do benefício faz uma média dos salários de contribuição excluindo os 20% mais baixos.
Pela regra proposta na reforma, todos os salários serão considerados, o que também pode reduzir o benefício, já que, tipicamente, trabalhadores começam a carreira com ganhos menores, que vão aumentando ao longo da carreira. "Cria um desconforto, as pessoas vão ter que pensar em como elas contribuem ao longo da vida. A reforma é mais dura, mas garante um pagamento de benefício", acrescenta Juliana Inhasz, professora de economia do Insper.
Segundo Juliana, a situação dos trabalhadores com cerca de 40 anos é a mais complicada. É uma população que jogava "com o regulamento embaixo do braço": esperava trabalhar mais uns 10 anos e, no caso dos autônomos, poderia elevar o salário de contribuição a partir de agora, para garantir uma aposentadoria maior mais para a frente. "Agora não vai ter essa possibilidade, e essas pessoas vão ter que se acostumar a um sistema diferente daquele para o qual contribuíram. Relativamente, elas perdem muito", afirma a professora do Insper.
Aos 40 anos, quem ainda não poupa para a velhice deveria separar entre 13% e 14% da renda, diz Juliana. Para a professora, aplicações deveriam ser sempre em títulos de renda fixa atrelados à inflação, que garantem o poder de compra ao longo dos anos. O exemplo mais repetido pelos especialistas é o título público Tesouro IPCA .

Especialistas sugerem começar a poupança desde cedo para manter padrão de vida

Renato Follador, especialista em Previdência e estruturador de fundos de pensão no Paraná, afirma que entre 5% e 6% da renda costuma ser suficiente para manter o padrão de vida na aposentadoria no caso dos trabalhadores com salário até R$ 10.000,00. Acima desse valor, a necessidade de poupança é maior, assim como no caso de quem tem pouco tempo para poupar.

Aos 30 anos, o trabalhador ainda terá outros 30 para poupar para a aposentadoria. Nesse caso, Juliana Inhasz, do Insper, sugere que o trabalhador poupe cerca de 10% da renda mensal. Isso permitiria que, a cada ano, ele tivesse entre um salário e um salário e meio guardados para a velhice.

Para quem está na faixa dos 20 anos, a situação é mais confortável, porque há tempo para poupar e os juros jogam mais a favor, pelo longo período de investimento. É por isso que especialistas recomendam que a poupança comece desde cedo. "Normalmente, do valor total da poupança previdenciária, 69% são dos juros do investimento. Em 35 anos (o tempo atual de contribuição exigido para homens) é muito dinheiro", afirma Follador.

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