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Porto Alegre, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Mineração

Edição impressa de 14/02/2019. Alterada em 13/02 às 01h00min

Governo deve 'reprivatizar' a Vale, afirma secretário

Responsável pela agenda de privatizações defende que a mineradora não seja 'demonizada' por Brumadinho

Responsável pela agenda de privatizações defende que a mineradora não seja 'demonizada' por Brumadinho


DOUGLAS MAGNO/AFP/JC
Secretário especial de desestatização, Salim Mattar, responsável por tocar a agenda de privatizações do ministro da Economia Paulo Guedes, disse que a Vale será "reprivatizada" no governo Jair Bolsonaro. "A Vale foi privatizada, certo? Não, a Vale não foi privatizada, a Vale é uma estatal", afirmou.
"Fundos de pensão, patrocinados pelo Estado, detêm o controle da Vale. Estamos aqui para privatizar, para reprivatizar a Vale."
Após a declaração, o secretário foi questionado por jornalistas sobre como pretende privatizar a Vale. Os fundos de pensão são de natureza privada, e os recursos pertencem aos funcionários de estatais para financiar as suas aposentadorias.
"Talvez tenhamos que melhorar o aspecto de desestatização, reduzindo um pouco a presença desses fundos nessas empresas, de forma que as empresas possam ser mais privadas e que não tivessem interferência do governo", afirmou.
Perguntado se o governo pretende incentivar a venda de ações da Vale pelos fundos de pensão, Mattar afirmou: "Não estou dizendo isso, estou dizendo que a sociedade e o governo precisam fazer uma reflexão".
O BndesPar, braço de investimentos do banco estatal, também detém ações da Vale, e "é natural que essas ações sejam vendidas". "Os governos anteriores eram muito estatistas", disse, enfatizando que os bancos estatais foram orientados no passado a comprar ações de companhias privatizadas.
"Este governo veio para desestatizar. Então é natural que, em um período de tempo, essas ações (do BndesPar) sejam vendidas sem trazer prejuízo ao pagador de impostos, ao cidadão, então tem que descobrir o 'timing' correto para se desfazer dessa carteira e aplicar o dinheiro naquilo que é melhor, educação, saúde, segurança."
As ações da Vale sofreram uma forte desvalorização em razão do rompimento da barragem em Brumadinho e dos efeitos que a reparação de danos terá sobre a expectativa de resultados da companhia.
"Não faz sentido vender as ações neste momento. Neste momento é segurar, deixar encarteiradas essas ações por não sei quanto tempo, verificar o momento em que essas ações retornem", disse.
"Mas eu pergunto: o que preferem? Que o BndesPar tenha uma carteira de ações de Vale e outras empresas públicas, de R$ 100 bilhões, ou que usemos esse dinheiro para reduzir a nossa dívida ou para escolas, educação e saúde?"
O secretário participou de evento organizado pela revista Voto em Brasília. Em sua apresentação, ele defendeu evitar "demonizar" a empresa no caso de Brumadinho.
Para Mattar, os responsáveis devem responder no seu CPF, mas a empresa tem que ser preservada para manter empregos e a arrecadação de impostos. Ele disse que fez a mesma defesa da Samarco no caso de Mariana, em novembro de 2015.
"Um ou dois aviões caem por ano e morrem 120, 130 pessoas. Pede-se que a diretoria da empresa caia ou se demoniza a companhia?", disse.
"Em Brumadinho, caíram dois aviões, como seria o tratamento de uma companhia aérea e como estamos tratando a Vale?", questionou. "Não devemos separar a empresa dos CPFs dos responsáveis?"
O secretário afirmou que as quatro estatais que estão sob o guarda-chuva do Ministério da Economia - Dataprev, Serpro, Casa da Moeda e IRB - serão "vendidas ou fechadas". A última teve abertura de capital concluída no governo Michel Temer, com a venda de ações na bolsa.
No caso de estatais de outros ministérios, ele afirmou que a decisão depende do titular de cada pasta, como é o caso dos Correios.
"Então fico aporrinhando o ministro para privatizar", disse, enfatizando que seu mandato é reduzir o tamanho do Estado.
 
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