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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

Edição impressa de 07/01/2019. Alterada em 07/01 às 01h00min

Embraer cai 5% após fala de Bolsonaro sobre fusão

Governo federal tem até o dia 16 de janeiro para chancelar o acordo

Governo federal tem até o dia 16 de janeiro para chancelar o acordo


/ERIC PIERMONT/AFP/JC
As ações da Embraer lideraram, na sexta-feira, as quedas da B3, com retração de 5,1%, após o presidente Jair Bolsonaro declarar preocupações sobre o acordo fechado pela companhia com a norte-americana Boeing. Após a posse do novo comandante da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília, Bolsonaro afirmou que, segundo a última versão do contrato, informações tecnológicas podem ser repassadas à empresa de aviação norte-americana. O presidente não detalhou que tipo de dados poderiam ser acessados, mas falou em proteção do patrimônio nacional.
"Seria muito boa essa fusão, mas não podemos... Como está na última proposta, daqui a cinco anos, tudo pode ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. É um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela (Embraer) consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo", afirmou.
A Embraer aceitou vender 80% de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a Boeing. Um dispositivo do acordo permite que a fabricante de aeronaves brasileira possa, mais adiante, vender os 20% restantes à companhia norte-americana. O governo Temer via essa cláusula com restrições, pois a participação na área comercial - a mais lucrativa - é importante para a manutenção do braço de defesa, que tem resultados mais modestos.
O acordo, que já elevou o valor da divisão comercial da Embraer de US$ 4,75 bilhões para US$ 5,26 bilhões, envolve, ainda, uma parceria da Embraer com a Boeing para comercialização do cargueiro brasileiro KC-390, mas exclui os negócios da empresa brasileira nas áreas de aviação executiva e de defesa.
"Os comentários do Bolsonaro pesam um pouco. Qualquer ruído ou preocupação com a última proposta de fusão mexem na ação, embora não atrapalhem (o acordo)", disse o analista da Guide Investimentos Rafael Passos. "Não vejo nenhum motivo para ele barrar a operação, mas é um ruído que mexe no (preço do) papel."
No fim de 2018, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) derrubou uma segunda liminar suspendendo a negociação.
Essa foi a primeira vez em que Bolsonaro hesitou em relação ao acordo. Em novembro, o então presidente eleito afirmou ser favorável à venda da companhia brasileira. O vice-presidente, general Hamilton Mourão, também no fim do ano passado, havia comentado que o aval à transação poderia sair rapidamente. "O negócio pode ser decidido de comum acordo (entre o então presidente Temer e Bolsonaro, que ainda não havia assumido o cargo). Se os dois conversarem e concordarem, aí, já podem fechar isso", disse Mourão.
A Embraer esperava que o aval fosse dado ainda por Temer. Do lado da Boeing, a aposta era que só sairia no governo Bolsonaro. Executivos da companhia brasileira têm mantido contato com a equipe do novo presidente desde as eleições. Até agora, a empresa não foi informada de nenhum entrave na avaliação do governo. Procuradas, Embraer e Boeing não comentaram o assunto.
Dono de uma ação especial na Embraer, a chamada "golden share", o governo federal tem até 16 de janeiro para chancelar o acordo. Depois, a venda ainda precisa ser aprovada por acionistas e órgãos antitrustes. Há uma preocupação com possíveis complicações no tribunal da China. No Brasil, nos EUA e na Europa, a tendência é que o aval saia rapidamente.
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