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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 15h31min

Estradas gaúchas ficam com R$ 70 milhões da safra

Somente as perdas com soja nas estradas chegam a R$ 55 milhões

Somente as perdas com soja nas estradas chegam a R$ 55 milhões


/ROOSEWELT PINHEIRO/ABR/JC
Thiago Copetti
O cruzamento de dois diferentes estudos sobre perdas no transporte de grãos, um realizado a pedido da Conab e outro pela Esalq/USP, mostram que os produtores gaúchos deixarão no mínimo R$ 70 milhões pelas estradas ao longo de 2019. O cálculo leva em conta as produções de soja, trigo, milho e arroz e é conservador. Isso porque soma apenas o prejuízo no transporte direto, ou seja, das fazendas ao porto, ao silo ou ao beneficiador, sem considerar os deslocamentos posteriores do grão.
A soja, pela proporção ocupada no Estado e pelo valor, tem a maior perda financeira: são ao menos R$ 55 milhões em grãos desperdiçados. A estimativa do engenheiro agrônomo Thiago Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), leva em conta a previsão de 18,4 milhões de toneladas colhidas, perda média de 2,3 kg/tonelada e cotação de cerca de R$ 76, média de preço da saca registrada pela Emater entre 2013 e 2017.
"As perdas no Rio Grande do Sul são maiores do que a média. É menos comum no Estado o armazenamento dentro da fazenda, como ocorre no centro-oeste. Ou seja, quase tudo precisa ser transportado, mais de uma vez, e por estradas precárias", resume Péra.
No caso das perdas no arroz, no milho e no trigo, a base dos cálculos é um estudo encomendado pela Conab a diferentes universidades e à Embrapa, e divulgado preliminarmente na semana passada. No Rio Grande do Sul, o trabalho de pesquisa na orizicultura foi conduzido pelo LabGrãos, da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), coordenado pelo professor Moacir Elias, responsável pelo LabGrãos.
Aplicado à atual safra gaúcha de trigo 2018 e as projeções para 2018/2019 no milho e no arroz, os dados mostram que devem escoar das caçambas e ficar nas estradas cerca de R$ 15 milhões. O cálculo leva em conta perdas médias, por tonelada, de 1,29 kg para o arroz, 1,7 kg para o trigo e 1,02 kg para o milho. O estudo foi feito com a pesagem de mais de 50 mil caminhões na saída da fazenda e na chegada ao seu destino (indústria ou porto), entre 2014 e 2017, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Mato Grosso.
O estudo sobre o arroz, grão que isoladamente teria uma perda de cerca de 219,3 mil sacas em uma safra estimada em 8,4 milhões de toneladas, acumularia uma perda de quase R$ 10 milhões na colheita 2018/2019. A estimativa leva em conta o preço médio de R$ 45,79. Para o trigo, utilizando os mesmos parâmetros, a perda na safra deste ano seria de 53 mil sacos de 60 quilos, com prejuízo de R$ 2 milhões. No milho seriam outros R$ 3 milhões deixados no meio do caminho.
"Muitas vezes é em trechos curtos que as perdas são maiores. Isso porque o transporte é feito em caminhões menores e mais antigos, em estradas ruins ou de chão", diz o coordenador geral do trabalho, Carlos Caneppele.
Com o grão precisa ser armazenado em boa parte e praticamente 100% é transportado das fazendas para diferentes pontos, dentro e fora do Estado, essas perdas são constantes. Mas podem ser reduzidas, alerta o presidente da Federarroz, Eduardo Dornelles. De acordo com ele, 85% do arroz gaúcho circula uma média de 300 km no dentro do Estado e os 15% restantes cerca de 1,5 mil quilômetros até beneficiadores do centro do país.
"As perdas no transporte estão ligadas principalmente ao cuidado do caminhoneiro e da transportadora com a carga. Já ocorreu de enviar arroz distante 1,5 mil quilômetros e chegar 100%. E também já ocorreu de ver perda de 400 quilos em uma carga de 37 toneladas", exemplifica Dornelles.
Caminhões velhos, com as frestas internas de canto mal protegidas e excesso de carga estão entre os pontos problemáticos e que aumentam o escape de grãos, avalia o presidente da Federarroz. Melhor essas condições dependeriam de poucos recursos, assegura Dornelles.
"É mais uma questão de capricho do condutor e da transportadora do que questão de custo", avalia o produtor.

Saiba mais sobre os levantamentos realizados pela Esalq/USP e pela Conab

O levantamento feito pelo engenheiro agrônomo Thiago Péra, da Esalq/USP, revela que as perdas recorrentes a cada atividade logística da soja e do milho (incluindo também armazenamento) são bilionários se levando em conta, além das perdas, os custos de oportunidades com vendas perdidas e gastos desnecessários.
Os cinco maiores estados produtores de grãos apresentaram perdas variando entre 0,995% (Mato Grosso do Sul) e 1,671% (Rio Grande do Sul) em relação à quantidade produzida.
Além do transporte, o estudo identificou que a utilização de armazéns implica em aumento considerável dos déficits especificamente se o local utilizado é externo à fazenda.
Isso ocorre em decorrência da necessidade de utilizar mais uma atividade logística envolvendo o transporte rodoviário de transferência de grãos da fazenda ao armazém externo, em estradas muitas vezes não pavimentadas, de condição precária.
Já trabalho encomendado pela Conab teve como meta estabelecer um índice para as perdas por quilômetro rodado (kg/km), perdas por tonelada transportada (kg/t) e valorar essas perdas quantitativas (R$/t) de produtos em três regiões: Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul).
Em termos de perdas por tonelada transportada, foram encontrados os valores de 1,2kg/t, 1,7kg/t e 1,29kg/t para milho, trigo e arroz em casca, respectivamente. Baseado nesses índices estimou-se a valoração dessas perdas por tonelada transportada, obtendo-se R$ 0,51/t para milho, R$ 1,40/t para trigo e R$ 1,13/t para arroz em casca.

As recomendações para reduzir o prejuízo

Recomenda-se para minimização dessas perdas ao longo das rodovias, substituição de carrocerias graneleiras por caçambas; revestimento interno das carrocerias sempre que possível; sensibilização/fiscalização dos responsáveis pelos armazéns e transportadores de grãos (carregamento, transporte e descarga) e, melhoria da frota modernização/conservação), das rodovias e, quando possível, utilização de outros modais.
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Comentários
Meg 10/12/2018 16h51min
Na Argentina estão resgatando o tranporte comercial ferroviário. Custo muito inferior ao transporte rodoviario...
Joel Robinson 10/12/2018 13h18min
Caminhões velhos, com as frestas internas de canto mal protegidas e excesso de carga estão entre os pontos problemáticos e que aumentam o escape de grãos...disse tudo, ou seja manejo mal feito.