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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 01h00min

Criadores de Angus defendem manutenção da vacina contra a febre aftosa

Weber enxerga mais riscos do que benefícios à pecuária gaúcha

Weber enxerga mais riscos do que benefícios à pecuária gaúcha


/LETÍCIA SZCZESNY/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
O pecuarista José Roberto Pires Weber, presidente da Associação Brasileira de Angus, fez uma contundente defesa pela manutenção da vacina contra febre aftosa no Estado na última sexta-feira.
A retirada da vacina no Rio Grande do Sul é um processo que já se iniciou, com o pedido de auditoria ao Ministério da Agricultura, e que traz riscos aos criadores da raça, avalia Weber. A preocupação aumenta para quem tem rebanhos bovinos de alta qualidade genética e grandes reprodutores, alerta o pecuarista, que, em janeiro, transfere o cargo ao catarinense Nivaldo Dzyekanski.
Retirar a vacina gera mais riscos do que qualquer benefício, diz o gaúcho, dada a falta de estrutura de defesa sanitária no Estado e no País como um todo. "Não temos controles de fronteira nem guardas sanitários. Estamos rodeados por países que não vão deixar de vacinar. O gado circula livremente na fronteira", argumenta Weber.
O pecuarista diz, ainda, que os ganhos com a retirada são muito pequenos para os riscos que se corre, especialmente para criadores de bovinos nobres. Weber lembra que se, após a retirada da vacina, ocorrer um surto e isso resultar em abate sanitário, o criador será indenizado pelo valor da arroba do gado comum, ignorando investimentos em genética e grandes reprodutores.
Weber admite, porém, que pode mudar de posição caso o Paraná retire a vacinação, que, em Santa Catarina, já não é mais realizada. "No caso de ficarmos isolados com a vacinação no Sul, teríamos de repensar. E, no Paraná, há uma grande pressão dos suinocultores pela retirada", alerta Weber.
Como ser zona livre de aftosa sem vacinação é pré-requisito de muitos países para a compra de suínos, esse setor seria o mais beneficiado. Há quem defenda que se abrirá, assim, também, novos mercados aos bovinos. Argumento sobre o qual o presidente da entidade sinaliza ter dúvidas. "Criadores de gado em Santa Catarina, onde a vacinação não é feita há anos, nos dizem que não ganharam novos mercados com isso", pondera o pecuarista.
Além da aftosa, Weber também expressou temor sobre a diplomacia do futuro governo federal. Ressaltou que, apesar do apoio dado pelo setor a Jair Bolsonaro, há preocupação sobre a política externa já anunciada e os impactos sobre as exportações agropecuárias.
Citou como exemplo a possível transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, o que pode ter desdobramento com boicotes de nações islâmicas e grandes compradoras, como Arábia Saudita. "É preciso agir sem arroubos e separar ideologia e diplomacia, como faz muito bem a China. O governo precisa ter diplomacia comercial, sem deixar que posições pessoais interfiram nos negócios brasileiros", diz Weber.
Diretor da Santa Thereza Agricultura e Pecuária, de Dom Pedrito, Weber deixa o comando da Associação Brasileira de Angus após quatro anos como presidente. Em seu lugar, assume o catarinense Nivaldo Dzyekanski, criador da raça e diretor-presidente da Brasilmad, maior exportadora de madeira reflorestada em componentes para pallets da América do Sul. "O desafio será manter o grande trabalho de certificação feito até agora pela equipe, assim como de melhoramento da raça", resumiu Dzyekanski, que vive em Curitiba (PR).
Em 2018, a entidade comemorou ter alcançado a marca de 34 mil toneladas de carne certificada por ano, alta de 300% desde 2014. Outra conquista foi a de ampliar a oferta de carne, neste ano, com o mesmo número de carcaças abatidas.
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