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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Edição impressa de 07/12/2018. Alterada em 07/12 às 15h04min

Acesso ao crédito rural preocupa produtores

Presidente da Farsul, Gedeão Pereira (c) destaca que China garante a demanda pela soja

Presidente da Farsul, Gedeão Pereira (c) destaca que China garante a demanda pela soja


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Thiago Copetti
A produção gaúcha de grãos na safra 2019 deve crescer tanto em volume (3,4%) quanto em valor (1,5%). É o que espera a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que divulgou balanço de final de ano da entidade nesta quinta-feira. No entanto, apesar das expectativas positivas, o setor agrícola gaúcho enfrenta desafios preocupantes, especialmente em relação ao crédito e à renda.
Cerca de 10 mil produtores deixaram de receber crédito agrícola em 2018. A falta de acesso ao crédito afetou especialmente os arrozeiros, lembrou o economista da Farsul, Antônio da Luz. As dificuldades financeiras enfrentadas pelos orizicultores, devido a perdas enfrentadas nas últimas safras e aos baixos preços do arroz no mercado, levaram à previsão de que a área plantada com o grão no atual ciclo chegue abaixo de 1 milhão de hectares. "Isso, em geral, só ocorre por catástrofes climáticas. Mas, agora, não é o caso. É por desestímulo e prejuízos mesmo. Com as perdas das últimas safras, os produtores estão abandonando o cultivo", esclarece Luz.
Uma das causas apontada por Luz para as dificuldades dos produtores rurais para obter acesso ao crédito é o mercado bancário brasileiro, excessivamente restrito e com limitações a fontes de recursos estrangeiros. "O produtor que foi afetado em uma safra não tem uma garantia de renda para aquele ano, nem crédito para investir na próxima safra. Precisamos de um seguro rural amplo, o que inclui seguro de renda", destaca Gedeão Pereira, presidente da Farsul.
Para a soja, as perspectivas são boas no que diz respeito à produção e incertas quando o assunto é preço. A área plantada deverá subir 3%, mas o valor bruto da produção não deve ter incremento maior do que 2%. O grande problema foram os altos custos do atual plantio. "Essa será a mais cara safra da história", sinaliza Luz.
Um dos culpados dessa elevação de custos foi o câmbio. Entre agosto e setembro, quando estavam em curso as encomendas de fertilizantes e outros insumos, o dólar chegou a R$ 4,20. Agora, está em torno de R$ 3,85. E como a tendência no momento não é de alta, poderá haver uma distância considerável entre a cotação do dólar no início do plantio e do valor na futura venda do grão.

Mercado externo apresenta grande potencial

De acordo com a Farsul, um ponto positivo para os agricultores gaúchos em 2019 é o fato de que não falta mercado para a soja, o que tende a favorecer os preços. Independentemente de trégua ou manutenção da guerra comercial entre China e EUA, o gigante asiático seguirá demandando elevados volumes da oleaginosa.

"A China precisará de nossas commodities pelo menos nos próximos 20 anos. São muitas pessoas saindo da miséria", explica Gedeão.

O mercado de proteína animal tem, em 2019, grandes perspectivas. Gedeão destaca que o setor tem boas chances de ampliar vendas na Ásia. Na América Latina, o México é promissor, já que está habilitando novas plantas brasileiras para exportações, e o Chile cresce como comprador.

Apesar do potencial de exportações, o setor de carnes gaúcho tem limitações para crescer fora do Brasil. Dos mais de 300 frigoríficos do Estado apenas quatro estão habilitados para exportações.

Entidade defende manutenção da secretária do Meio Ambiente

No âmbito da política estadual, a Farsul defende a manutenção da atual equipe que está na Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pelo futuro governador, Eduardo Leite. "Queremos a manutenção não apenas da secretária (Ana Pellini), mas de todo o grupo, que é extremamente técnico. Mas ainda precisamos desburocratizar processos", ressaltou Gedeão Pereira, presidente da entidade. Ele também defendeu investimentos nas estradas gaúchas e a dragagem do canal do porto do Rio Grande.

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Comentários
Meg 07/12/2018 10h48min
Todo bancário sabe que crédito rural é o negócio da "China" para a maioria de agricultores. Pegam o crédito a taxas ínfimas, não pagam e usam a securitização alegando que a colheita foi prejudicada. E ano a ano enriquecem seus patrimônios. Falta a fiscalização durante todo o processo desde a compra de sementes, plantio e colheita.